RETRATO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Um bom retrato é uma biografia pintada” (Anatole France)
A palavra Fotografia levou a palavra Retrato à UTI DA GRAMÁTICA em estado terminal…. Somente os maiores de cinquenta anos, chamam de retrato a imagem captada por câmeras e reveladas em certos métodos em quarto escuro (com exceção das antigas máquinas instantâneas Polaroid e as novas Kodak e Fujifilm Intax).
O verbete Retrato, dicionarizado, é um substantivo masculino importado do italiano “ritratto” para o português, e tem origem no latim (retractus), particípio do verbo (retrahere). Mas ninguém se refere a ele nem mesmo aos corriqueiros e necessários 3×4.
Hoje é fotografia, ou simplificando, foto, a imagem ou figura humana reproduzida em pano, papel ou plástico. Há também, os autorretratos, massificados graças ao celular que estimulou as “selfies” (do inglês self, “a si mesmo”) a reflexão da própria pessoa.
Alguém escreveu – perdi quem foi na memória –, que a passagem do homem na vida produzirá um autorretrato; ele jamais poderá esconder o que não quer revelar… Os políticos, como homens públicos, genericamente, porque “mulher pública” é outra coisa, têm a sua carreira fotografada.
Um senador, meu amigo pessoal – e cujo nome vou omitir -, contou-me em Brasília coisas cabeludíssimas que se passam no Senado sob a batuta de Davi Alcolumbre e a sua corte. Começou por dizer que acredita piamente na teoria que este suburbano sortudo foi uma invenção de Renan Calheiros, certo que iria derrota-lo pelo voto…
Eis que, deslumbrados com a vitória presidencial, os Bolsonaro, embora tendo recebido a sugestão de um tertius na eleição da mesa do Senado, jogaram suas fichas no amapaense, de quem poderiam desconfiar se não fossem precipitados que se tratava de uma cria de José Sarney…
Alcolumbre foi deputado do DEM participando do Centrão, onde sorrateiramente vestia a capa medíocre do chamado “baixo clero”. Assim, anônimo, já aprontava algumas. O seu perfil, conforme jornalistas bajuladores, descrevem-no como membro de uma família judaica rica dona de empresas nascidas de uma pequena loja de peças e acessórios para carros. Omitem como os negócios se multiplicaram após a participação política deles.
A expansão comercial dos Alcolumbre vai de postos de gasolina a salas de cinema, passando por lavanderias (de roupa), pizzarias e, como não podia deixar de ser de rede de comunicação, conquista comum dos políticos astutos do Norte e Nordeste.
Sentado na cadeira presidencial do Senado, Davi Alcolumbre manteve o odioso sigilo das notas fiscais comprovantes de gastos dos senadores que prometera acabar. Ele esconde os seus próprios gastos (e são muitos altos) e dos seus parceiros esbanjadores do dinheiro público.
Em nome da verdade, somente um restrito número de senadores – alguns recém-eleitos -, se mantêm com a verba indenizatória, que já é uma safadeza; enquanto a maioria dissipou na última legislatura mais de R$ 100 milhões. Estes são o alvo da ameaçadora funda de Davi, para engavetar as demandas sociais, como o Pacote AntiCrime, a prisão na 2ª Instância e, principalmente, porque tem o rabo preso, o impeachment de Ministros do STF.
O dramaturgo francês Molière botou na boca de um dos personagens de suas peças teatrais que “os pensamentos são retratos das coisas da mesma forma que as palavras são retratos dos nossos pensamentos ”.
Assim retratei nessas mal traçadas linhas o meu pensamento, doa a quem doer; e faço questão de lembrar aos políticos que desprezam a opinião pública que em breve serão apenas “um retrato na parede” como se referiu o poeta Carlos Drummond de Andrade à Itabira, cidade onde nasceu e passou a infância…
Olavo Bilac
Nel mezzo del camin…
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.”
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ESTRATÉGIA
MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)
“A estratégia é a ciência do emprego do tempo e do espaço. Sou menos avaro com o espaço do que com o tempo. O espaço pode ser resgatado. O tempo perdido, jamais. ” (Napoleão Bonaparte)
A doutrina militar de Estado Maior orienta a organização das forças armadas para a guerra baseada na estratégia e na tática. A estratégia indica um planejamento de atuação; pelas Forças Armadas para a guerra, e, na paz, pelos órgãos de Segurança para a defesa nacional.
O mentor da estratégia militar, Carl von Clausewitz, define-a como a condução do movimento das tropas nas batalhas aproveitando os erros do inimigo para combate-lo, e assim obter a vitória.
A tática é a ferramenta para se chegar à estratégia; uma arte de proceder manobras imediatas, compondo o plano que tem a finalidade de se atingir o objetivo final. Aliar a tática à estratégia forma a combinação perfeita para agir diante do inimigo, seja no campo de batalha, seja nas relações da governança civil.
Enquanto a estratégia visa a conjuntura completa, a tática particulariza cada situação em relação ao todo; por isso, seu estudo teórico é necessário para se defender o País.
Dicionarizada, a Estratégia é um substantivo feminino derivado do grego, estratego, comando de um general com objetivos claros e o planejamento correto. A Tática também é um substantivo feminino, igualmente de etimologia grega (taktiké ou téchne), significando recursos empregados para alcançar um resultado positivo.
A apreciação deste aprendizado é necessária, tanto no sentido militar como político, nesta conjuntura em que o Brasil atravessa um período de choques que acontecem com as propostas de mudanças estruturais, enfrentando manobras judiciais e sabotagens parlamentares.
Neste momento, por exemplo, estivemos diante de uma ameaça de nova greve dos caminhoneiros incentivada pela CUT, braço sindical do lulopetismo. Trata-se de uma tática do corrupto José Dirceu, solto pelos seus aliados do STF para orientar as frações radicais do narcopopulismo.
O Governo Federal considerou o movimento grevista sem chance de ocorrer, pelas informações de que as lideranças individuais estão divididas e que a greve não contaria com o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos. Avaliou-se assim que a possibilidade da greve incentivada por grupos organizados de WhatsApp não alcançaria êxito, e foi no que deu.
Na data marcada não se assistiu sequer manifestações pontuais, porque o fracasso do movimento ocorreu justamente pelo apoio da CUT, que provocou desavenças e protestos entre os caminhoneiros autônomos.
Os observadores governamentais estavam certos; entretanto, há que se levar em consideração as novas estratégias e táticas que estão sendo movidas em toda América Latina pelo bolivarianismo, com apoio de Cuba e da Venezuela. Não podemos relaxar; o Brasil não é diferente do Chile e da Bolívia, nem está livre das tentativas, felizmente frustradas, que ocorreram no Equador. Essas manifestações narcopopulistas são promovidas visando a derrubada dos governos liberais e democráticos.
Não podemos subestimar as minorias organizadas semi-militarmente que atuam na AL, insistindo em manter o continente sob o esquerdismo bolivariano corrupto, corruptor e ineficiente.
Entre nós, os agentes militantes ativos subsistem infiltrados em todas as áreas do poder, no parlamento, nos tribunais superiores, na universidade, na administração pública e até entre os militares.
Diante deste quadro, é preciso que acordemos para o que nos dá esta visão “macro” da realidade social e política do País. Dos que apregoam a exigência de um Brasil democrático, justo e desenvolvido, exigimos táticas inteligentes, sem diversionismos casuais, para enfrentar o perigoso inimigo.
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Adélia Prado
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.Mulher é desdobrável. Eu sou.
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A PRAGA
MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)
“A política é uma praga tal que eu aconselho todos a não se meterem nela” (Thomas Jefferson)
Não vou citar os nomes dos dois participantes do Twitter, com presença constante, me fizeram críticas – bem-educadas e simpáticas, sem dúvida -, sobre a praga que roguei aos capangas da bandidagem de colarinho branco, num dos últimos artigos: “Que paguem as suas consciências imundas no mármore do inferno”…
Escrevi e escreveria de novo, não para constranger as pessoas de boa vontade, cuja percepção acredita ingenuamente que o crime não compensa. Entre esses, os críticos que respondo, destacando um deles que se revelou religioso.
Se for devoto do Menino Jesus de Praga, adianto-lhe que esta imagem nada tem a ver com a minha maldição; apenas recebeu o nome da cidade de Praga, capital da República Tcheca, aonde teve início o seu culto; se for evangélico, que releia na Bíblia as pragas do Egito que o Deus de Israel mandou contra o Faraó através de Moisés, para libertar os judeus.
Estão no Êxodo as ameaças e a execução divina das dez pragas. A última foi a morte dos filhos primogênitos de homens e animais, que ocorrendo matou o filho do próprio Faraó, desesperando-o e convencendo-o a deixar livres os hebreus.
A palavra Praga, dicionarizada, é um substantivo feminino de origem latina (plaga), com referências a doenças que produzem chagas como o sarampo e a lepra, e/ou o ato de lançar uma maldição a alguém. A sua sinonímia vai de calamidade à imprecação e maldição.
O amaldiçoar é encontrado comumente na literatura. Quando eu era jovem e me metia a fazer teatro, escrevi um jogral baseado no poema “Maldição”, de Adalgiza Nery, que até hoje sei de cor. Um dos versos traz uma praga espetacular: “Quando olhares o teu neto/ Que vejas no seu rosto/ Os traços de minha face”.
Incorporando os orixás, pais e mães-de-santo do Candomblé e da Umbanda, nos rituais de “fechar o corpo” enfrentam as pragas; e o povo na sua sabedoria usa o ditado “praga de urubu não pega em cavalo novo”.
A gíria brasileira tem na palavra “praga” a designação de pessoas más, e fala da praga como um desejo de que tudo dê errado… Dicionários de Gíria acumulam referências como “praga de mãe”, “praga de madrinha” e “praga de sogra”.
O genial compositor Geraldo Pereira no seu samba “Escurinho” gravou o seguinte verso: “O escurinho era um escuro direitinho/ Que agora anda com mania de brigão/ Parece praga de madrinha ou macumba/ De alguma escurinha que ele fez ingratidão”
Vejam. Se a Bíblia registra pragas do Deus de Israel, a poesia consagra-as como vingança e o samba acredita nelas, quem sou eu para evitar um desabafo contra a bandidagem que assola o País?
O pensador democrata e ex-presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson, epigrafado, aconselha para gente não se meter em política que considera uma praga; mas eu, que tenho o corpo fechado, amaldiçoo os picaretas do Congresso que nos assaltam com os desgraçados fundos partidário e eleitoral.
Também rogo pragas ao politicamente correto, essa perversa invenção ideológica contra a liberdade de pensamento, instigando o divisionismo social, exaltando o vitimismo e a reação violenta das minorias.
Encontrei nas páginas do doutor Google, um pensamento de Leandro Flores: “A maior praga de todos os tempos chama-se corrupção”; e Xico Graziano alerta que “A praga da desinformação na imprensa está correndo solta”.
Se os corruptos lançam pragas contra nós, porque não podemos usá-la contra eles?
Manuel Bandeira
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristasTodas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveisEstou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
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A FORÇA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a afirmação do seu direito” (Rui Barbosa)
A “História Oculta” – sim, porque nem sempre a História Escrita registra fatos que ocorreram –, nos informa que em 1438 um aventureiro (o nome não foi registrado) contou a um curioso mecânico alemão, Johannes Gutenberg, que na China eram usados tipos móveis que, carimbados imprimiam várias vezes a mesma escrita.
Um ano depois, Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico aproveitando-se dos tipos móveis, e com ele alcançou duas proezas: acabou com o monopólio dos monges que manuscreviam livros e popularizou a Bíblia.
Embora por séculos se ensine que é do Alemão a invenção da imprensa trata-se de uma falácia. A tecnologia de impressão revolucionou a divulgação de livros, mas os jornais já eram conhecidos séculos anteriores na Fenícia, em Cartago e Roma.
Na própria Alemanha, muito antes de Gutemberg, circulavam na Cidade Livre de Hamburgo jornais manuscritos em forma de panfletos anunciando chegadas e saídas de navios e, principalmente, informando, estoques e preços de mercadorias.
Um herói anônimo do jornalismo introduziu nas comunicações comerciais notas sobre viagens de personalidades, missas, falecimentos e legislação. Daí o nascimento do jornal como se conhece hoje…
No Brasil há uma polêmica danada – quase ideológica – sobre o surgimento do primeiro jornal impresso no País. Um lado defende que foi a Gazeta do Rio de Janeiro, outro, que foi o Correio Braziliense.
Cronologicamente, porém, sabe-se que a Gazeta nasceu com a transmigração da Corte Portuguesa quando foi fundada a Impressão Régia, em 1808; o Correio Braziliense, também chamado Armazém Literário chegou antes, mas era impresso em Londres sob a direção de Hipólito José da Costa.
“Força”, como se sabe, é substantivo feminino de origem latina (fortĭa,is) ‘força’ e ‘forte’. Na Física, a força é um dos seus principais componentes relacionados com as três leis de Newton. Definições à parte, a imprensa é uma força. Na minha juventude – que já vai longe –, era considerada o Quarto Poder da República.
O jornalismo foi considerado assim pela sua condição política de arbítrio, ascendência e autoridade. Mas isto depende do jornalista vocacionado e consequentemente qualificado, honesto e independente, uma espécie em extinção; presença rara nos grandes jornais em circulação no País.
Não é de se exigir que o jornalista seja um herói das histórias de quadrinhos como He-Man, que tem a força e os seus cultuadores da banda Trem da Alegria cantaram: “ele nasceu para o bem!”. O que queremos dos jornalistas é a responsabilidade com a informação, um direito inalienável do povo.
Ocorre que no quadro atual de decadência ampla, geral e irrestrita no mundo, temos no Brasil a mediocridade locupletada nos poderes republicanos, na universidade e na Academia Brasileira de Letras. Na imprensa não seria diferente.
Hoje, a força está nas manifestações populares nas ruas, aqui, no Chile, no Iraque, na França ou em Hong Kong… Chegando à Ásia, lembro o que disse a Madre Teresa de Calcutá, respeitada por todos, católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas e até ateus: “A força mais potente do universo é a fé”.
Guardo a fé de que o povo brasileiro se una e se mobilize para conquistar o futuro que todos desejamos, democrático, justo, sem corrupção e desenvolvido economicamente.
Augusto dos Anjos
Triste regresso
Uma vez um poeta, um tresloucado,
Apaixonou-se d’uma virgem bela;
Vivia alegre o vate apaixonado,
Louco vivia, enamorado dela.
Mas a Pátria chamou-o. Era o soldado,
E tinha que deixar p’ra sempre aquela
Meiga visão, olímpica e singela!
E partiu, coração amargurado.
Dos canhões ao ribombo e das metralhas,
Altivo lutador, venceu batalhas,
Juncou-lhe a fronte aurifulgente estrela
E voltou, mas a fronte aureolada,
Ao chegar, pendeu triste e desmaiada,
No sepulcro da loura virgem bela.
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Manoel de Barros
Borboletas
Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza,
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.
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EÓLICAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não precisas de um homem do tempo para saber para que lado sopra o vento” (Bob Dylan)
Para justificar a roubalheira dos 16 anos de governos lulopetistas, alunos de Marilene Chaui e devotos do Frei Boff costumam justifica-los dizendo que o vento que fez mover as velas das caravelas de Pedro Álvares Cabral trouxe consigo a corrupção dominante nas cortes portuguesas…
Não mentem; mas, como lulopetistas – sem exceção – fraudam a História para justificar o assalto institucionalizado pelo ex-presidente da República à coisa pública, e por isso, bi condenado de Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro.
Historicamente, o Almirante lusitano, sem dúvida conhecedor do disse-me-disse em Lisboa sobre o avanço reinol ao Erário, não tem um boletim de ocorrência que registre a sua desonestidade. A sua culpa em cartório é ter aportado num território que 500 anos depois se transformou num porto dominado por piratas apátridas.
Não consigo afastar da mente as circunstâncias do meu ódio à corrupção endêmica na vida nacional, vista não somente nos grandes assaltos na Petrobras, nas propinas das empreiteiras corruptas e corruptoras, como também no uso criminoso do BNDES pelos governos petistas e na venda de Medidas Provisórias por Lula da Silva, então na presidência da República.
No varejo, seguindo os exemplos vindos “de cima”, temos fraudes cartoriais em grilagem de terras, fiscais desonestos que atuam municipal, estadual e federalmente, juízes, parlamentares nos três níveis federativos e prefeitos que enriquecem de um dia para o outro.
A aragem de benesses, compadrio, leniência legalizada, privilégios e vantagens de toda espécie, criou no País uma organização criminosa, solidária com o crime, como se atestou na campanha do Lula Livre, uma ode à perversão política.
Pode-se dizer que se enraizou no País uma política “eólica”, inflando com maus ventos um balão multicolorido de bandeiras partidárias, com predominância do vermelho…
A palavra eólica, dicionarizada, é um adjetivo usado com tudo que se relaciona com o vento. Tem origem na mitologia grega referindo-se ao deus Éolo, que exercia o domínio sobre os ares, tanto nas brisas leves quanto as piores tempestades.
A Anemologia, ciência que estuda a atmosfera terrestre, principalmente sobre os movimentos de ar, aborda um item importante: a erosão eólica provocada pelos ventos; esta, na ambiência da política brasileira, cobre, infelizmente, os três poderes republicanos.
Tivemos há pouco na capital paulista, a ação criminosa de ONGs nas creches, que qualquer pessoa de boa-fé considera um crime hediondo; vimos quase permanentemente assaltos a merendas escolar, não menos repulsiva; e a sórdida falsificação de remédios. São as brisas da corrupção…
E não há corrupção maior do que meter a mão no bolso do contribuinte para financiar os pelegos sindicais, agentes partidários minoritários que dominam as entidades que devem ser mantidas pelos seus associados. Se este projeto abjeto que revolta os brasileiros honestos passar, será mais uma tormenta promovida pelos picaretas do Congresso Nacional.
Delatado por corruptos presos pela Lava Jato, Rodrigo Maia diz que “não é papel do Congresso ser juiz de execução penal” justificando a sabotagem que faz contra o projeto AntiCrime do ministro Sergio Moro… enquanto incentiva a obscenidade de tirar dinheiro da Saúde, Educação e Segurança para os criminais fundos partidário e eleitoral.
Um dos meus escritores preferidos, Eça de Queiroz, que teve o mérito de modelar o idioma português, nos legou o belo pensamento: “Palavras ao vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.
É pensando com Eça que rogo uma praga dirigida aos capangas da bandidagem de colarinho branco: “Que paguem as suas consciências imundas no mármore do inferno”!
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