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FUTEBOL

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

 “Não podemos esquecer de agradecer aos companheiros. Eles são sempre o mais importante.…” (Lionel Messi)

Nos primeiros anos de minha formação intelectual ensinaram-me em casa e me admoestaram na escola, que futebol, religião e a “vox populi” não se discutem; agora, após contornar o Cabo da Boa Esperança nos meus 89 anos bem vividos, resolvi quebrar esta regra.

Como escrevi anteriormente um artigo sobre Religião, venho agora discutir Futebol, como mais adiante escreverei sobre a opinião pública, que, a princípio, considero uma farsa midiática. Aquilo que modernamente chamamos de fake news….

Mal saídos do torneio mundial de futebol da FIFA e do emocionante encerramento com o jogo final entre a Argentina e a França, conclui que vale a pena falar sobre o fracasso da seleção brasileira no Qatar na Copa que consagrou Messi como o melhor jogador da atualidade.

Da minha parte, aliás, não vi uma Seleção Brasileira e sim a seleção europeia de Tite, que desprezou os craques revelados no Brasileirão e na Copa do Brasil, principalmente atletas do Flamengo e do Palmeiras. A seleção de Tite só enxergou valor nos passes dos que jogam no Exterior, garantindo-lhes uma cotação maior.

Não sei porquê. Seria uma demão aos donos de passes ao mercado da cartolagem? Ou, simplesmente, o “técnico” se iludiu com a performance individual dos convocados nas equipes dos clubes da Alemanha, Espanha, França e Inglaterra?

Analisando a atuação em campo, não considerei que a desqualificação foi surpresa. Ao contrário, critiquei desde o início as convocações para a Copa2022, e pouco ouvi opiniões iguais à minha nas redes sociais e muito menos entre os comentaristas da mídia especializada.

Na verdade, apenas assisti e ouvi badalações para Tite e a sua seleção; umas levadas por empatia e outras mantidas pelos mercenários pagos pelos cartolas da CBF. O que é inegável e irrefutável, é reconhecer que para um jogador rico, pouco importa ganhar ou perder um jogo.

Por pura idiotia política e partidária discutiu-se apenas a participação de Neymar – um dos poucos merecedores da vaga, privilégio que divide somente com mais dois ou três colegas. Coisa de fanáticos imbecilizados que dividem o Brasil em duas bandas (ou seriam dois bandos?) de analfabetos políticos assumindo-se como “de direita” e “de esquerda”.

Daí se tira o exemplo trágico da atuação de grupos extremistas que atuam sob a orientação de dirigentes partidários, líderes de fancaria e dos imutáveis parlamentares do Centrão, sempre reeleitos pela compra de votos com o dinheiro dos fedorentos fundos partidário e eleitoral.

Assim, noves fora os cartolas do futebol e da política, o que temos é um rebanho de ovelhas tosquiadas mugindo favoravelmente às figuras midiáticas criadas para influenciar e formar a “opinião púbica”.

O exemplo do Qatar nos estimula a invejar os representantes de Camarões, da Croácia, da França e do Marrocos, que jogaram com entusiasmo patriótico e amor à camisa, itens que pesaram fortemente na vitória dos argentinos.

Anteriormente (nos bons tempos de Pelé, Romário e Zico!), assistimos às exibições das antigas seleções brasileiras com uma disposição como aquelas, mostrando-se diferentes da que nos representou na Copa2022. Será fastigioso enumerar os demais jogadores da Canarinho que jogaram com garra para conquistar a glória. E muitos deles ascenderam ao Olimpo dos craques mundiais.

Jamais veremos a mesma coisa entre os milionários que jogam lá fora – com as raras exceções que a regra nos obriga -; em sua maioria, porém, quando acendem uma vela consagrada à Pátria, fazem-no porque algum fabricante do círio financiou….

Este desabafo tenta mostrar que o futebol dos cartolas é diferente do futebol do povão. Eles, os “donos da bola” fingem praticar um regime vegano, mas, às escondidas, degustam bifes folheados a ouro…. Nós, torcedores da Geral, ao rés do campo, continuamos famélicos por um time nascido nas bases como a fumaça sai do braseiro.

 

 

 

 

 

 

“RELIGIÃO”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A escuridão não pode combater a escuridão; só a luz pode fazer isso. O ódio não pode combater o ódio, só o amor pode fazer isso” (Martin Luther King)

Defendo que cada pessoa pode adotar a religião que quiser. Pode adorar o sol, reverenciar o trovão, curvar-se diante da Shiva linga, dos deuses mitológicos, de Buda, imagens de gesso ou o deus único da bíblia judaico-cristã. Para mim. pouco importa. Desde que tenha fé. Isto é o que vale.

Religião é um tema que não pode, nem deve ser abordado levianamente; e também não é fácil de argumentar corretamente. Enfrentando a complexidade e a contraversão, aqui estou porque fui provocado nas redes sociais por alguém que me encarou pelas críticas que faço sobre a mistura de religião e política.

O interlocutor perguntou-me porque entro no assunto se já me declarei agnóstico; diz que se não tenho religião deveria calar-me. Respondo-lhe então que mesmo sem compartilhar, sigo mais de uma dezena delas, entre as 10 mil religiões registradas mundo afora….

Religiões orientais à parte, vou observar o cenário passado do cristianismo, religião que cobre 73% dos habitantes do convencionado Mundo Ocidental.

Dicionarizado, o verbete “Religião” é um substantivo feminino significando a crença na existência de um deus ou deuses. A palavra vem do latim “religio”, traduzida como “respeito pelo sagrado”; derivou o verbo “religare”, aproveitado por Agostinho de Hipona, doutor da Igreja e depois santo, quando apelou para os católicos voltarem-se para os antigos princípios cristãos.

Santo Agostinho enfrentou uma época (século 14) em que ocorreram muitos desastres políticos e naturais e o papado sofria pontuais críticas pela degenerescência eclesiástica e a cobrança de indulgências, uma espécie de ingresso dos pecadores para as delícias celestes….

Para chegar ao catolicismo romano a História ensina que antes de conquistar o poder em Roma, Aulo Cornélio Celso, médico e enciclopedista, um dos principais críticos do Cristianismo (25 a.C.-50 d.C.), referiu-se aos cristãos como “(Eles) só sabem ganhar os ingênuos, as almas vis e imbecis, dos escravos, dos pobres, dos falidos, das mulheres e das crianças….”

Mais tarde, quando o cristianismo primitivo se tornou maioria entre os romanos, foi absorvido pelo imperador Constantino, transformando-se em religião imperial e passou de perseguido a perseguidor. Com o apoio do Estado, os bispos incentivaram o assalto aos templos dos antigos deuses, mas, contraditoriamente, adotaram os símbolos e as festividades dos cultos “pagãos”, num sincretismo político e não doutrinário.

Dominando por dogmas (infalíveis!), a Igreja Romana continuou declarando-se monoteísta, embora adorando uma tríade, um deus constituído pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo, além de um sem número de santos verdadeiros ou falsos….

“Esqueceu” que os antigos cristãos viam o Cristo como o anti-César; que eram idólatras, e reagiam contra o fausto das classes dominantes. A doutrina seguida pelas mulheres, escravos, servos e soldados, adotava a crença de que “é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” ….

Porém, ao conquistar o poder, tempos depois, a Igreja Romana abandonou esses princípios originais, igualando-se, ao meu ver, às outras religiões formadas de acordo como descreveu o filósofo e escritor francês, Ernest Renan, dizendo que “basta uma dúzia de frases eloquentes e fogos de artifícios para se fundar uma religião no Oriente”.

Nos Estados Unidos, se dispensam os fogos; bastam as palavras e o carisma do doutrinador, e elas se multiplicam; e, no Brasil, é preciso apenas o apoio de um parlamentar e verbas públicas para abrirem-se as portas de um templo evangélico, doublé de comitê eleitoral.

É muito triste constatarmos tal coisa. Mas é verdade: confira-se o número de pastores evangélicos politiqueiros, alguns deles com mandato parlamentar pregando uma política de ódio pelas redes sociais.

Graças a isto, os intérpretes dos jogos de búzios, baralho e tarô; os falsos médiuns das fórmulas mágicas para conquista do amor, os leitores das linhas da mão e redatores de horóscopos, têm entre o povão tanta confiabilidade quanto os que fazem política em nome da religião.

Igualmente, por esta mesma razão, vemos o aumento demográfico dos que se identificam sem nenhuma religião, os ateus e os agnósticos. Escrevendo sobre a ciência e a religião, Albert Einstein disse que “A ciência sem religião é aleijada e religião sem ciência é cega”. Sem dúvida, quando se vê religiosos serem contra as vacinas, assiste-se vê-los jogar no lixo a espiritualização básica do amor ao próximo.

 

 

 

 

 

FANATISMO(2)

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo” (Denis Diderot)

Poucos entre pensadores célebres (a quem tive acesso pela leitura) não imaginaram que o século 21 trouxesse sob suas asas temporais o ceticismo, a farsa religiosa e a picaretagem corrupta dos líderes políticos.

O que veio foi o contrário. Enquanto projetaram otimistas a chegada de novas gramas de humanismo, vieram toneladas de desamor ao próximo. É isto, infelizmente, o que constatamos: orbita em torno desta época tudo o que é condenado nos livros sagrados de todas as religiões.

Neste quadro funesto temos a volta macabra do neonazismo! Com esta perversidade vem o racismo, o ódio a quem pensa diferente e a xenofobia. Triste é que a obsessão pelo totalitarismo e o culto da personalidade não é um fenômeno limitado aos tolos, filhos da ignorância; abrange todos fracassados sociais levando-os à carona do extremismo para conquistas políticas.

Vemos, assim, principal diferença entre os homens de consciência social e os individualistas fanáticos: os primeiros têm receios, dúvidas e fazem reflexões; os outros agarram-se às convicções irrefletidas. Para os inteligentes, o questionamento; para os fanáticos, o estado de graça da estupidez….

O fanático não consegue elevar-se acima da mediocridade. Como racista, não enxerga o gênio de Charlie Chaplin, vendo-o apenas como um judeu; seu ódio não respeita o sucesso mundial de Oscar Niemeyer por ser comunista; e não guarda admiração pela cultura nordestina com aversão xenófoba.

Ocorre que Chaplin tornou-se eterno pela ternura humana dos seus filmes; que Niemeyer é um patrimônio internacional da arquitetura; e que os nordestinos mostram agora a solidariedade, ajudando os catarinenses assolados pelas chuvas.

Pelo fanatismo estúpido, o prurido da covardia cria uma falsa superioridade sobre os outros. Por isto, os fanáticos moldam esquizofrenicamente à sua maneira, o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto. Convencionam serem os únicos filhos amados do deus que adotam com a sua imagem e semelhança.

Deste jeito, a História que reflete e enaltece os dominantes das épocas, obriga-nos a filosofar sobre o passado e revisando os capítulos fundamentais do tempo presente, para que no futuro seja diferente a História da Civilização que herdamos; porque esta é a história dos conquistadores e não a dos resistentes.

Nas Américas devemos por obrigação repassar a barbárie do massacre dos indígenas nos Estados Unidos e a rapina espanhola destruindo as antigas civilizações asteca e inca pela cobiça dos seus tesouros no México e na Mesoamerica.

No Brasil português não esconder a escravidão indígena e africana nem negar a herança maldita dos privilégios cortesãos e do “jeitinho” típico dos lusitanos, impostos pelas capitanias hereditárias distribuídas aos espertalhões favoritos da corte portuguesa.

O que ocorreu aqui, está resumido no romance Quincas Borba de Machado de Assis: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”; mas, revisando este conceito, os brasileiros devíamos mandar perdedores e vencedores ao lixo com as cascas de batatas.

Nós, que criticamos o artigo do mesmo título, o fanatismo da seita negacionista do bolsonarismo, devemos obrigatoriamente denunciar o fanatismo lulopetista, omitindo após as eleições as promessas de campanha do Pelegão. Agora, os cultuadores de Lula aceitam a aliança com os picaretas do Centrão; aplaudem a multiplicação dos ministérios para o repasse do butim; apoiam a imoralidade do “orçamento secreto” e a sua infecção gangrenosa, a PEC Fura Teto, o assalto ao bolso do trabalhador para pagar promessas concorrentes das esmolas sociais.

Vemos neste quadro a degenerescência política dos populistas de direita e de esquerda, que, sempre dispostos à corrupção, se defendem sob o guarda-sol de uma legislação de compadrio sobejamente usada pela magistratura ideologicamente comprometida pelo fanatismo partidário.

Nesta conjuntura, temos o dever patriótico de apontar como desastroso, à beira do crime, o culto à personalidade dos políticos, sem considerar suas ambições pessoais. Assim, devemos repetir a pergunta feita pelo escritor e pensador gaúcho Érico Veríssimo: “Porque essa corrida desenfreada atrás do dinheiro, sem consideração pelas pessoas humanas? ”

 

 

MODELOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Construa um modelo de vida onde consigamos ser muito melhores do que somos hoje” (Rita Padoin)

A modelo Juliana Nehme foi impedida de viajar pela Qatar Airways por, segundo a companhia, “é gorda demais”. Juliana, em protesto, relata o caso nas redes sociais, contando que esteve em conexão de voo no Líbano de onde embarcaria para Doha, no Catar e, depois, como brasileira, retornaria ao Brasil.

Modelos gordas e magras, como as brasileiras Juliana ou Gisele Bündchen, estão sempre expostas na mídia; mas, infelizmente deu-se um tratamento diferenciado no caso da obesidade. Gisele, supermodelo, ativista ambiental e empresária, receberia um tratamento “vip”, sem dúvida, ao contrário da outra.

No episódio envolvendo a Qatar Airlines, é preciso refletir, em nome da razão, se houve discriminação; na verdade houve um pedido para compra de duas poltronas. Na minha opinião, a discriminação é apenas aparente, porque tive experiências em viagens, de como se sofre sentado ao lado de um corpo que nos Sertões se chama “guarda-roupas de casal”….

Hoje, pela minha idade, com economias guardadas ao longo dos anos, reservo-me o direito de sentar-me em cadeiras confortáveis, mesmo pagando mais. Não dá para primeira classe, mas para a “premium”…. Rsrsrsrs.

A palavra Modelo não se resume a indicar profissionais da moda que desfilam em lançamentos de estação para um público consumidor; como verbete dicionarizado, “Modelo” é um substantivo masculino e feminino que significa “padrão para construção de coisas idênticas”. Usa-se, como exemplo, “fizeram o móvel conforme o modelo apresentado”.

Coloquialmente, usamos a palavra Modelo para designar uma coisa ou pessoa que sirva de maneira atender nosso desejo ou um comportamento regrado. Próprios para serem admirados e imitados.

Assim, a identidade modelar apresenta características próprias que reconhece um objeto ou uma pessoa. No caso da matemática, queimei muito o raciocínio para entender a igualdade na identidade algébrica sem levar em conta o valor das variáveis…. Fui buscar (e achei) o exemplo exposto no dr. Google, xM + xN = x(M + N) para uma igualdade na identidade algébrica.

É permanente (e utópica) a busca de um modelo exemplar na vida comum do dia-a-dia e, principalmente, no campo político, onde somos obrigados a observar desvios aos direitos da cidadania sempre violentados pelos seus agentes.

Os modelos vivos são comuns entre os pintores e inspiram os poetas…. Quando se trata de protagonistas sociais e políticos, estão mais para exemplos negativos do que aqueles ídolos da infância, avós, pais e tios; ou, na pré-adolescência, personagens de romances, do cinema e da televisão.

As diversas mitologias espalhadas pelo mundo afora trazem exemplos para o bem ou o mal com seus deuses, assim como as religiões modernas fazem com deuses criados à imagem dos homens. Não enganam, porém, as cabeças pensantes cheias de dúvidas e reflexões.

Antes de adotar modelos é preciso medir, pesar e raciocinar. Deveria ser uma convenção civilizatória. Lembrar que uma sociedade evoluída mantém culturalmente um sistema moral acima das legislações.

Será nosso caso ou paira insegurança para afirmar? A avaliação está nos formadores de opinião, intelectuais e professores quando se trata de costumes; e, para computar as leis em matéria de Justiça, os tribunais.

Conciliador, George Box prega que “todo modelo está errado, mas alguns são muito úteis”. Da minha parte, procuro o modelo de felicidade que traga alegria para nossas vidas, contribuindo para o equilíbrio sócio-ambiental e a paz mundial. Viver significa gozar habitualmente o amor ao próximo.

PURGATÓRIO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O purgatório moderno é feito de purgantes, injeções e intervenções cirúrgicas” (Luciano Bianciardi)

Quando eu era menino, o mês de novembro abria a minha curiosidade no campo religioso; todas as emissoras de rádio tocavam apenas músicas clássicas no dia 2, consagrado aos mortos; e as famílias faziam terços para rezar pelas “almas do purgatório”.

Amarrado e deitado numa cama de CTI em virtude da inquietante e penosa gastroenterite aguda que me atacou, vieram-me estas recordações e a lembrança do que seria o Purgatório; onde, se não me engano, o “fogo do purgatório” seria o mesmo “fogo do inferno” que tormenta os condenados….

A ideia do Purgatório veio depois do “cristianismo imperial” criado por Constantino. Não consta no Velho Testamento nem sequer dos Evangelhos. Segundo estudiosos, nasceu na Idade Média graças ás consequentes angústias, privações da época, e os pecados de sempre com os pecadores ansiando pelo reino do céu.

Entre os séculos 12 e 13, Santo Agostinho já preconizava um meio termo entre a salvação eterna dos castos e a condenação das pessoas inclinadas ao pecado, as orações para os falecidos, segundo o doutor da Igreja, suavizariam a condenação pela bondade divina….

Teólogos “oficiais” ou fanatizados, defendem a tese de que o Purgatório é um lugar à parte baseados numa interpretação forçada de texto no Livro do Apocalipse (21,27), prescrevendo que na “cidade santa”, na “nova Jerusalém (…) não entrará nada de impuro”.

Para mim, esse “lugar à parte” está nas UTIs dos hospitais referidos pelo grande orador e pensador paraibano Alcides Carneiro, discursando ao inaugurar um deles: “Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra”.

Por infelicidade, procurei tratar-me da grave enfermidade que sofri e por felicidade, passei por dois hospitais. O meu padecimento levou-me a lembrar-me dos meus tempos “subversivos” de militante da imprensa, quando “O Pasquim” criou o termo “Máfia de branco” em voga nas conversas de botequim.

A locução baseava-se a imagem negativa da categoria, fomentando greves na Previdência ou cometendo erros pontuais com cirurgiões esquecendo pinças na barriga do paciente ou clínicos receitando remédio trocado por engano.

Meus contatos com médicos diferem desses antigos conceitos. No caso em pauta, devo-lhes à volta da saúde, para não ir ao extremo alegando a manutenção da vida, que tanto amo.

Na minha opinião, a “Máfia de Branco” reúne, na verdade, os donos de hospitais e clínicas em geral, que comercializam – este é o termo – a doença. É a ganância que transforma as UTis num Purgatório, não os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e pessoal de serviços gerais.

Pairando sobre tudo normas e ostensiva burocracia. Para receber uma alta, normal, prescrita pelo médico plantonista é um pesadelo. Louco para sair e vê apreensivo o tempo se multiplicando. Sem qualquer explicação convincente. Sai da UTI para um quatro, medida já anunciada, graças à minha mulher, que rodou a baiana apoiada pelos filhos.

Neste cenário temos a genial visão de Dante Alighieri, para quem o meio termo entre o Céu e o Inferno, o dogmático Purgatório, fica lá para as bandas da Antártida, numa ilha que tem uma grande montanha no centro, que sobe até alcançar os céus: o Monte Purgatório.

É para lá que eu gostaria de mandar com passagem somente de ida, os comerciantes mafiosos da Saúde, como também a quem – em nome de mais de 700 mil mortos pela covid 19 -, incluo a recente aquisição da política necrófila, os negativistas.

 

POPULISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Fazer-se amar de modo aos que lhe devam benefício, cortesias ou por combater um inimigo invisível” (Maquiavel)

Como parece estarmos de volta à exaltação da Cultura, lembrei-me do presente que o Teatro nos dá, desde a antiga Grécia, quando Eurípedes escreveu “Hipólito” (Ιππόλυτος) com um tema que se tornou clássico com a obra da Racine “Fedra”.

Na versão dos dois, temos uma tragédia ambígua descrevendo a desventura de Fedra que era esposa de Teseu e se apaixonou por Hipólito, filho ilegítimo do marido, propondo-lhe a consumação desse amor. Hipólito recusou-lhe.

A ambiguidade da interpretação mitológica em que um aceita e outro nega, leva-nos a ver com tristeza como foi divulgado o relatório do Ministério da Defesa sobre as eleições – onde jamais deveria ter se metido -, acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo.

De um lado, assegura a legitimidade das urnas eletrônicas em nome da verdade que, segundo o Boletim do Exército, “é o símbolo da honra militar”; mas, do outro lado, serve à insanidade do Capitão-Presidente, levantando a hipótese sobre um tal “código secreto”.

De secreto já temos o mergulho na impunidade com os sigilos de cem anos e o orçamento camuflado dos picaretas do Congresso Nacional; agora, inventam outro para satisfazer as loucuras golpistas da seita bolsonarista….

A turma adoradora dos deuses das Rachadinhas deveria se preocupar em fazer oposição ao eleito, Lula da Silva, sem deixar que o próprio partido dele, o PT, se encarregue disto. Basta aproveitar-se da experiência que tivemos com Bolsonaro, que se derrotou a si mesmo, adotando os desvarios extremistas aconselhados pelos filhos.

Para combater Lula, que se comece a vê-lo como o Rei da Demagogia, começando a fazer malabarismos para driblar a Lei e arrancar dinheiro do contribuinte, na ânsia de pagar as promessas demagógicas da campanha eleitoral.

… E já que comecei surfando nas ondas dos mares Egeu e Jônico, que banham a Grécia, vou à figura de Midas, rei da Lídia, que entrou no disse-me-disse do folclore ocidental pela riqueza  imensa e distribuição para os intelectuais de sua época vultosas quantias.

Por uma concessão de Baco, em tudo que Midas tocava virava ouro; por isto, a sua querida filha Phoebe transformou-se em estátua de ouro ao encostar nele. Imitam-no os populistas fascistóides (não importa a ideologia que adotem, sejam de direita ou esquerda), que se apossam da riqueza nacional para se valorizar e manter o poder.

Tivemos um presidente derrotado na tentativa de reeleição, o capitão Bolsonaro, que se inflou na política praticando o sindicalismo fardado, investindo contra o Erário; e o presidente eleito, Lula, cuja política se limita a distribuir com o dinheiro público esmolas  para as camadas da população sem mobilidade no mundo do trabalho.

É assim que se dissemina a pandemia populista latina (cuja febre tem alcançado também na Europa francos, normandos e saxões). E o princípio desta demagogice é a dúbia e insegura escolha entre a responsabilidade fiscal e a responsabilidade social.

Assim termina-se na irresponsabilidade de conquistar adeptos e comprar votos para a futura eleição. Nisto são acompanhados de comparsas capazes de tudo, seja na sordidez da corrupção ou na prática neonazista do racismo e da xenofobia.

Na auto-assumida “esquerda” ouvimos declarações enfáticas de Lula de seguir na trilha pantanosa da irresponsabilidade fiscal, e a sua equipe sedenta de privilégios defendendo a insensata multiplicação de ministérios. Dá-se assim o toque de alerta para quem espera mudanças políticas; no campo da economia, já assusta e desgosta o Mercado.

Não é preciso pegar carona em caminhões nem os usar para bloquear estradas para enxergar esta realidade; basta-nos pegar metrô e ônibus, ir à feira, à farmácia ou ao supermercado, para ver “entre as orelhas” as reações humanas. Principalmente dos que usam camisetas partidárias….

De ambos os lados se vê hordas de apoiadores com levianos argumentos para justificar as cabulices dos seus líderes, e no “andar de cima” o que se assiste é a vergonhosa corrida para se “quentar” na fogueira do poder, chaleirando o presidente eleito e decepcionando o presidente que caiu.

 

 

 

SICÔMORO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Ao entregar Jesus, Judas entregou a si mesmo. Quem não segue o Caminho da Justiça, encontrará o caminho da morte sem retorno à vida: a forca, o suicídio” (Frei Jacir de Freitas Faria)

Numa leitura bíblica das Crônicas, encontrei no 1:15, a estranha palavra “Sicômoro” referendada na citação: “… E fez o rei que houvesse ouro e prata em Jerusalém como pedras; e cedros em tanta abundância como os sicômoros que há pelas campinas”. É bem possível que o erudito professor gaúcho José Carlos Bortoloti já o tenha incluído no seu brasilês….

Da minha parte, aprendi na rápida pesquisa feita que Sicômoro é uma árvore da família “Fícus” muito citada na Bíblia e vulgarmente conhecida na Europa como sicômoro, de origem hebraica “shikmah” através do grego “sukomorea“.  No Brasil encontramos a mesma grafia.

A Botânica classifica como Ficus sycomorus L. para esta espécie de figueira com raízes profundas, ramos fortes e frutos comestíveis; é nativa da África, onde no antigo Egito teve a sua madeira usada para fabricar estátuas e sarcófagos.

Originário das regiões tropicais e meridionais africanas, o sicômoro foi para o Oriente Médio e, embora seus figos sejam de qualidade inferior, teve seu cultivo na Península Ibérica na ocupação árabe, ficando conhecida como “figueira-doida” ou “figueira-do-faraó”.

Segundo os Evangelhos, o Sicômoro foi a árvore em que Zaqueu trepou para não pagar impostos; e Jesus Cristo que por ali passava viu-lhe, e ordenou que descesse porque queria ser seu hóspede. Zaqueu saltou e o cobrador de impostos acompanhou-o junto ao Messias até a casa.

Conscientes, os puros de espírito que creem na harmonia universal, sabem que renascemos todos os dias e incorporamos a necessidade espiritual de louvar a vida. Negá-la é uma aberração; violentá-la é enfermiço; torturá-la é um crime.

Assim, como pode um autêntico cristão ser contra o combate às endemias que provocam a morte, negando as defesas vacinais contra os vírus, e aceitando aplausos à tortura?

Nem mesmo aqueles que são acusados de ateus cometem este crime. Lembro de um antigo senador espírita de Goiás, Domingos Velasco, que após uma visita à China comunista, muitos anos atrás, disse que lá encontrou mais espiritualidade e respeito à existência, do que entre os auto-assumidos cristãos do Brasil.

Naquele tempo, Velasco se referiu aos católicos brasileiros que se metiam na política através da Liga Eleitoral Católica; hoje, sem medo de errar, podemos estender sua observação aos evangélicos politiqueiros.

Não há maior fraude do que usar o nome de Deus em vão. Fazem melhor os judeus que tratam o Arquiteto do Universo como “o inominável”, e os selvícolas que silenciam diante dos fenômenos da natureza como expressão divina.

É bom lembrar que por sua traição a Jesus, Judas Iscariotes, arrependido, se enforca num sicômoro tirando a própria vida. Deixou a sentença de que a traição é um peso na consciência que o traidor carrega pela vida inteira.

Não resta dúvida de que se dará com os traidores da Pátria que desrespeitam a Constituição, sem aceitar o resultado da eleição pelas urnas comprovadamente corretas e eficientes. São intolerantes, tatuados de insultos institucionais e obsessões paranoicas, desrespeitando o resultado adverso ao que esperavam.

Infelizmente não ficam sós à sombra do Sicômoro da Politicagem. Vemos ao lado da polarização inconsequente, a intransigência estúpida da presidente do PT, Gleise Hofmann, agredindo o bispo Edir Macedo, e a elegia do petismo à corrupção, com a presença de José Guimarães na equipe de transição de Lula.

Os defensores da Democracia e da Liberdade repudiam todos que promovem badernas e a intolerância assumindo-se “de direita” ou “de esquerda”. Os patriotas autênticos esperam uma demonstração cívica de respeito de ambos, pondo-se “dentro das quatro linhas da Constituição”.

 

 

INDIFERENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O pior pecado contra nosso semelhante não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles ” (Bernard Shaw)

No noticiário televisivo da Record, assistimos um casal sendo assaltado por bandidos e pessoas passando indiferentemente do outro lado da calçada; também não faz muito tempo que lemos uma matéria sobre automobilistas que corriam na pista sem se perturbar com um cadáver estirado no chão.

Parece vivermos nestes começos do século 21 um doentio desvio moral dos homens, em todos os níveis da vida cotidiana, principalmente nos círculos religiosos. Entre nós, os auto-assumidos cristãos, com bíblias de bolso condensadas, escapulários, cruzes, imagens e medalhinhas, trocam a crença em Deus pela adoração a políticos e o discurso de ódio contra os que não seguem a sua crença….

Esquecem da onisciência divina que Jesus Cristo pregou. Não distinguem que o Deus dos cristãos é a bondade personificada enquanto o Deus dos judeus é vingativo: basta lembrar das sete pragas do Egito, em que Jeová com suas pragas não poupou sequer as crianças, condenando-as à morte.

Mais odiento ainda é Zeus, deus supremo da mitologia grega, que mandou um abutre dilacerar o fígado de Prometeu para puni-lo por sua bondade com a humanidade dando-lhe o fogo roubado do Olimpo.

O amor e a bondade pregados pelo Cristo diferem das ações dos deuses mitológicos, e talvez por isto sofram o alheamento das seitas fraudulentas que lutam pelo poder político. Que coisa triste! Como pode uma pessoa que se diz seguidora dos Mandamentos, desconhecer o Sermão das Beatitudes?

Porque não gritam “Excelsior! ”, ou façam como Napoleão, que no exílio de Santa Helena releu o Sermão e comentou com seu ajudante-de-ordens: – “Acredite-me; eu conheço os homens e vejo que este discurso não pode ser de nenhum deles. São palavras de um Deus”.

O falso cristão, ambicioso e sedento de privilégios foi capaz de trocar a crença no Eterno por um transitório governante. Sua consciência conservará a memória do próprio fanatismo político desdenhando da pandemia que matou mais de 700 mil vidas. Jamais esquecerá que naquele momento doloroso, ajoelhou-se para personalidades e não para o seu deus.

Recordando este “crente”, não é difícil afirmar que o “cristão negacionista” não é uma pessoa de fé. Não segue o Cristo, que disse: – “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”, e que pelo Messias o caminho é o comportamento social que valoriza a humanidade; a verdade será a honra individual que repugna a falsidade; e a Vida é a generosidade divina, que deverá ser preservada em qualquer circunstância.

Diante das repetidas fraudes religiosas, achamos que as chamadas ciências ocultas valem mais do que uma bíblia impressa com a fotografia de um ministro e de pastores corruptos que muitos seguem por ignorância ou indiferença.

Na famosa Tábua da Esmeralda, Hermes Trismegisto – Três Vezes Grande -, definiu Deus dizendo que “é uma esfera, cujo centro se acha em toda parte e a circunferência em nenhum lugar”.

O Deus de Trismegisto não tem o rosto que muitos querem dar-Lhe, criando-O à imagem e semelhança do homem por elementar egoísmo…. Com a cara de um político, é o deus adotado pelos mercadores do templo, obscurantistas, negativistas e agora provando serem fascistas, desrespeitando o resultado da eleição e a Constituição.

Da minha parte não tenho o menor respeito por um deus modelado na imagem de homem; e combato, como os cristãos primitivos, a idolatria. Faço-o diante do Arquiteto da harmonia universal, que não me é indiferente. Receberá sempre a minha reverência e o meu agradecimento pela vida! …

 

 

 

O TEMPO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

”Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai elucidar tudo” (Chaplin)

A melhor vacina contra o stress está em nossas mãos sem que saibamos. É a espera do tempo passar e recuperar-se a cada hora que passa. Vai-se tranquilamente lubrificando o corpo e a mente para tudo ficar bem.

Sujeita ao autocontrole, a ansiedade passa, mas é preciso ter paciência porque, como escreveu Shakespeare, “o tempo é muito lento para os que esperam; muito rápido para os que tem medo; muito longo para os que lamentam; muito curto para os que festejam; mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

Ocorre, porém, que ao mesmo tempo em que o tempo traz benefícios, corrói a memória. Hoje trago o número do meu celular anotado, enquanto 70 anos atrás, da minha turma de 90 alunos no curso de Direito, eu tinha de cor o nome de quase todos os colegas, sua origem geográfica e o número de quem tinha telefone….

Assim, pela memória enfraquecer, já não me lembro se publiquei anteriormente a fantasiosa definição do tempo que o poeta persa Saadi Musarriff, descreveu-o para o filho adolescente; por via das dúvidas, faço-o de novo:

“Existe uma ilha montanhosa no meio do oceano. De mil em mil anos pousa-lhe um pássaro pela madrugada e bica o solo rochoso durante todo o dia, e volta à noite para onde veio com um grão de areia no bico. Mil anos depois, retorna cumprindo a mesma tarefa, e quando tiver assolado toda ilha, terá transcorrido o primeiro dia da eternidade”.

Citei o pensamento como a memória guardou como a Esperança no fundo da caixinha de Pandora depois de todos males do mundo se derramarem nos ares, mas sei que o recado está dado para os que desdenham do tempo num permanente feriado da mente.

Para estes, a visão do Eterno é um ouro de tolo que reluz sem nenhum valor. Embora muitos tenham decorado versículos inteiros da Bíblia, ignoram que o Deus que dizem adorar exige o cumprimento de Suas leis, o que não fazem por fanatismo partidário, fechando os olhos para a violência política e aplaudindo a tortura ditatorial.

Aos falsos cristãos (vendilhões do templo ou crentes de butique) nunca é demais lembrar que não se pode esconder a verdade, nem varrer para debaixo do tapete o que se faz, porque o tempo revelará tudo.

O arrependimento tardio pouco adiantará para o castigo que vem da consciência e fustiga o transgressor que não ouvirá a harmonia celestial. O Deus dos judeus e dos cristãos é um guardião feroz (está nos textos sagrados) de suas diretrizes e castiga quem os despreza.

Para cada um de nós, o tempo é uma fortuna que devemos amealhar do mesmo jeito como a plena atividade física e mental e o amor à vida. Gastar o tempo de graça é uma bobagem imperdoável. O tempo deve ser aproveitado ao máximo, como eu refleti nas 72 horas que passei numa UTI fazendo testes para ver como está funcionando o coração….

Nunca imaginei que ao sair – como um refém liberto do cativeiro – me deparasse com a insanidade golpista posta em prática pelo psicopata Bob Jeff. Nada me afasta a ideia de que tudo foi planejado e felizmente não deu certo.

O vanguardeiro desastrado do bolsotrumpismo golpista mantinha em casa um arsenal com metralhadoras e granadas; e convocou seus sabujos para apoiá-lo. Esses apoiadores não são cúmplices? De onde vieram as armas mortíferas e munições?

A investigação deve ser acurada. Não devemos desistir de apurar a verdade embutida na condenável resistência â uma medida judicial e no enfrentamento criminosos contra a Polícia Federal, cumpridora do mandato.

Charles Baudelaire

Embriagai-vos!

Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.

Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.

E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão:

– É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!