SONHOS BONS E PESADÊLOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Escrevi outro dia sobre sonhos, lembrando Sócrates e Martin Luther King; o Filósofo prevendo o encontro com Platão, e o Pastor trazendo a esperança de um mundo melhor para o ser humano livre de qualquer tipo de fobia.
Gosto de refletir sobre até onde devemos nos preocupar com os sonhos. Psiquiatras e Psicólogos vêm se encarregando disto há muito tempo e em sua maioria concluem que o sonho é a coordenação simbólica das coisas vistas e ideias elaborada na vigília.
Nas suas obras, Freud dá um destaque aos sonhos. Dois dos seus livros “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicologia dos Sonhos” estão permanentemente na pauta dos estudos e discussão. Para o pioneiro da Psicanálise o sonho nem sempre é o que parece, e interpretá-lo não é uma tarefa simplória.
A interpretação só é simples para os autocratas. A História da Antiguidade fala da cidade-estado de Siracusa, reino localizado na Sicília, ilha ao sul da Itália. Relata que a linda cidade foi governada durante 38 anos por um tirano, Dionísio (430 a.C. 367 a.C.).
Talvez Lula diga que o Governo de Dionísio era uma “democracia relativa”, mas mentiria mais uma vez. Tratava-se de uma ditadura cruel que legou uma história muito curiosa. Um jovem siracusano contou numa roda de amigos que sonhara ter estrangulado Dionísio; e, mesmo entre amigos, tem sempre um dedo-duro que levou a história aos ouvidos do governante. Este condenou o sonhador à morte, sentenciando: “Ninguém pode sonhar à noite o que não tivesse pensando durante o dia”.
Foi freudiana a decisão, pois está entre os estudos do Mestre que o sonho constitui “uma realização (disfarçada) de um desejo (reprimido)”.
Tenho certeza que muitos sonhos premonitórios são sonhados no Brasil simbolizando o fim da execrável presença dos extremismos de direita e de esquerda. Não é uma faca em Bolsonaro, nem volta à prisão de Lula, mas afasta-los da política levando-os ao exílio, Bolsonaro nos EUA ou na Hungria e Lula em Cuba ou Nicarágua….
As ondas de sufista que varrem o nosso cérebro perturbam o sonho dos fanáticos cultuadores das personalidades dos dois polarizadores, assemelham a morfinômanos que se agitam uma ilusória lucidez, um estado passageiro que só ocorre quando a morfina circula no sangue e gera a apomorfina um antídoto que abate a euforia.
Assim, o fanático vai do sonho ao pesadelo porque para combater a apomorfina somente nova(s) dose(s) de morfina. Esta vem nos discursos de ódio, nas ameaças recíprocas, nas mentiras deslavadas que ingerem novamente a droga da demagogia.
O genial dramaturgo alemão Bertolt Brecht legou-nos um pensamento que nos faz refletir: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis”. Penso convictamente que é impossível considerar o Capitão e o Pelego como heróis, somente os morfinômanos do fanatismo podem nomeá-los tais.
Tivemos heróis no passado que muito nos orgulham; no presente um zero à esquerda que nos traz a inveja do pastor batista negro Martin Luther King, Registro que completa 50 anos a “Marcha de Washington”, a ocupação da capital estadunidense em defesa dos direitos civis contra o criminoso apartheid.
Lembro que a manifestação marcou o momento histórico em que Luther King pronunciou seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”; e esta frase, repetida várias vezes, provocou um coro de milhões de vozes mundo afora.
É assim que eu gostaria ver a corrente do bem repetir o alerta de Ulysses Guimarães, contra o pesadelo da polarização que revolta os autênticos patriotas: “A Pátria não pode se tornar capanga de idiossincrasias pessoais”.
Manuel Bandeira
O Último Poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
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PREMIAÇÃO POR MÉRITO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Ouvi dizer que com ávida gulodice política e vaidade pessoal, Lula está ambicionando o Prêmio Nobel da Paz… Este respeitável prêmio leva o nome do seu criador, o arquiteto e industrial sueco Alfred Nobel, que patenteou a dinamite e enriqueceu desmesuradamente.
A dinamite mudou o curso das guerras e provocou grande mortandade no século 19, o que aguçou o sentimento pacifista de Nobel levando-o a doar grande parte da sua fortuna para custear os prêmios. Dentre os contemplados estão representantes das áreas da Ciência, Economia, Literatura e Medicina; tendo, em especial, o Prêmio Nobel da Paz.
Aceitem como sarcasmo, mas registro que Alfred Nobel foi o inventor da balistite, um explosivo militar sem fumaça e também da dinamite com base na nitroglicerina; mas não do canhoneio cujas cápsulas levam projéteis que são arremessados pela explosão da pólvora.
Assim, bazucas, canhões, metralhadores e revólveres nada devem a Nobel, como se diz a boca pequena…. É fake-news; e, pela embromação, justificaria a criação de um Prêmio Nobel da Mentira; este sim, que muito me agradaria para ver Bolsonaro e Lula disputando suas indicações em Estocolmo para conquista-lo.
Seria para os dois malandros um grande prêmio, não as xibocas sugeridas à surdina pela plebe rude, insatisfeita com a politicagem reinante no Brasil. Ouvi da choldra a proposta do “Prêmio Picareta do Ouro” para os parlamentares que legislam em causa própria criando fundos partidários e eleitorais.
Com o propósito de agraciar ministros do STF que julgam monocraticamente com sentenças que os acumpliciam com a corrupção, propõem o “Prêmio Toga de Platina”; e também apresentaram no Twitter o “Prêmio Capacete Viking” para militares golpistas que investiram contra a disciplina e a tradição legalista das Forças Armadas.
Com a ousadia típica da mulher brasileira, algumas senhoras indignadas pela representação feminina negativa, nos andares de cima da política, estão pensando em lançar o “Prêmio Ascenção pelo Amor”, para conquistadoras de influência por sedução pessoal.
Nenhuma destas homenagens se nivelaria com o Nobel da Mentira se por ventura fosse instituído. Além da quantia em euros da fortuna Nobel, traria um troféu de cristal translúcido representando a Mitomania, figura que, segundo Byron, “é o traje à rigor no baile da política”.
Assim, vestidos de smoking e black-tie, os mitômanos atropelam a verdade nas pistas de corrida da sociedade. Não respeitam os princípios da convivência e persistem em ignorar a inteligência do povo.
Bolsonaro e Lula, bufões de pastiche político, nos alertam com o tinir dos guizos nas bordas dos braços e das pernas, usam a máscara da ilicitude populista e o chapéu colorido da demagogia.
Em cena, Lula aparece saracoteando no agitar frenético que justificou as dores de quadril, dando-lhe a desculpa para fazer cirurgia plástica de rejuvenescimento; e, também, com desenvoltura esperta, o Capitão Minto, graceja escamoteando o vício de embolsar dinheiro alheio, das rachadinhas às joias árabes….
Os dois mentirosos alimentam com a astúcia uma rede de intrigas formada por fanáticos seguidores que se manifestam cada vez em menor número, despertando aos poucos da letargia ilusória.
Por isto, defendemos uma terceira posição, o Centro Democrático, contra a arlequinada carnavalesca do populismo demagógico que não comporta mentirinhas insignificantes, mas grandes o suficiente para almejar um Prêmio Nobel da Mentira.
Carlos Drummond de Andrade
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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Ferreira Gullar
Cantiga para não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
(Dentro da noite veloz, 1975)
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DA MILITÂNCIA IGNORANTE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Não custo de louvar um tuiteiro que me segue e mesmo adotando uma posição ideológica extremista que combato, faz críticas respeitosas aos meus textos, elogiando até as citações de filósofos antigos e modernos de tendência social-democrata. Escrevi outro dia sobre as contradições dialéticas citando Hegel e Marx, e este colega das redes sociais retuitou.
Este tratamento democrático não ocorreu com um tio bolsonarista da mulher do meu filho mais velho que se fez presente casa dele para o almoço que preparou para assistir a final do Flamengo e São Paulo, rubro-negros que somos.
O auto convidado é militar da reserva remunerada, e vinha sendo aproveitado em cargo civil pelo capitão Bolsonaro, acumulando salários. Para defender a “boquinha” exagera com um comportamento fascistóide que o colocaria entre os que queimaram livros na Alemanha Nazista, marchando com tochas diante de Hitler.
Falo de livros, porque vi-o passando a vista na estante da casa e examinando os dorsos, encontrou entre eles Darwin, Spencer, Voltaire (e até Platão, imaginem!); e disse em voz alta: – “Pare que ler estes comunistas, meu sobrinho!”.
Imagino-lhe vendo a literatura que tenho como referência!…. Tenho Marx, Engel, Lenin e Trotsky e Rosa de Luxemburgo numa estante e, n’outra, “Escriti i dicorsi” de Mussolini, o Mein Kampf de Hitler e obras completas de Plínio Salgado. Sobre religião vou do Bhagavad Gita ao Talmud, dos evangelhos cristãos ao Alcorão.
Numa das visitas em minha casa – eu morava em Campina Grande na época -, agentes da ditadura de 1964 me surrupiaram 294 livros, entre os quais, mostrando a ignorância cívico-militar, levaram o “Nosso Homem em Havana” de Graham Greene, a história engraçada de um vendedor de aspiradores de pó….
Aprendi desde a infância a respeitar os conservadores, cuja seriedade no trato da coisa pública compensava uma ideologia parada no tempo. Foi o que ensinava o meu pai que adotava a doutrina positivista, defensora do progresso para alcançar a evolução da sociedade humana.
O Bolsonarismo, porém, nada tem de Conservador. Seu líder finge sê-lo e também fingidamente diz-se “de Direita”. Para se afirmar como condutor de massas, defende um ridículo anticomunismo herdeiro da “guerra fria”, mais de trinta anos após a queda do muro de Berlim; e ter agora o putinismo mandando na antiga URSS!
Para não faltar na contradição dialética dos extremismos, temos do outro lado os adoradores de Stálin lulopetistas, analfabetos que não leram o Relatório Kruschev mostrando-o como ditador sanguinário; e seus revolucionários “de botequim” na Câmara Federal põem o boné do MST, apoiando a invasão da Embrapa e o quebra-quebra de laboratórios de pesquisa.
Neste cenário da política brasileira, infelizmente, estas duas tendências se polarizam eleitoralmente; vemos de um lado as tropas de assalto fascistas servindo a Bolsonaro e, do outro, os seguidores da pelegagem populista de Lula….
Não sei se estes figurantes do enredo ideológico da falsa direita e falsa esquerda, que veem a cultura apenas politicamente, fazem jus à Lei Rouanet; mas são atores protagonizando um duelo no palco da política sob as lâmpadas do neon colorido da polarização.
No final, porém, igualam-se na corrupção e contra as liberdades democráticas. Pensam assim, pela exposição na mídia mercenária, impedir a formação de uma consciência livre, disposta a lutar contra esta odiosa alternativa entre Bolsonaro e Lula!
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A DIALÉTICA DA CONFUSÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Segundo Goethe, os homens de idade avançada possuem uma alma forte com poder de compensar o enfraquecimento físico, dotando-lhe uma mente juvenil. Certamente é uma visão poética, mas vou aproveitar-me dela.
Sinto uma necessidade imensa de combater a ignorância política que grassa no Brasil e nos leva a admitir que vivemos no cenário revoltante da “Dialética da Confusão”. Certo: entreabrindo uma polêmica, acuso o extremismo de responsável por esta mistificação ideológica.
A Dialética, como se sabe. tem uma definição antiga; os filósofos gregos consideravam-na a “arte” de alcançar a verdade pela discussão, destacando as contradições do tema, para derrubar os argumentos irreais.
Ficou por conta do filósofo materialista Heráclito sua principal referência, no princípio que elaborou: – “Ninguém entra duas vezes num rio; acontece na segunda vez que a pessoa já não é a mesma, as águas passaram, e o rio não é o mesmo também”.
Este conceito vem sendo desenvolvidos pelas cabeças pensantes como Descartes, Diderot e Spinoza, cada qual aplicando a dialética às suas especialidades. Entretanto foi Hegel que a definiu como método de análise aplicando-o à lógica diante de dois pontos de vista diferentes, determinando neste embate de ideias uma terceira e nova ideia.
O sistema hegeliano foi absorvido e desenvolvido por Marx, passando a ser visto como uma ciência. Para o filósofo alemão, os exemplos mutáveis da Natureza e o pensamento humano escapam à visão idealista de Hegel exigindo uma comparação materialista.
A dialética como método científico nos ajuda a analisar a realidade. Assim, sua aplicação é simplificada pela equação: “Tese x Antítese = Síntese”, sendo que a Tese é uma proposta; a Antítese, o pensamento discordante; e a Síntese é a resultante da justaposição das expressões divergentes. É curioso ver que na Era Tecnológica que atravessamos, a dialética tornou-se uma ferramenta da Inteligência Artificial.
Para descomplicar ainda mais a Dialética, os orientalistas a resumem como a oscilação dos contrários, o Yin e o Yang, princípios antagônicos que interagem ao mesmo tempo e estão presentes na Natureza como a energia universal.
O uso do método dialético de análise deveria ser fundamental no exercício da política, mas é uma coisa estranha para os capiaus que a exercem aspirando apenas conquistas pessoais; e, pior ainda, pelos autos assumidos “quadros ideológicos” de direita ou de esquerda. E entre estes últimos, os ditos lulo-esquerdistas são incultos e os bolso-direitistas ignorantes.
Daí surge a dialética da confusão. No principal entre os partidos comunistas, o PCB, o populismo demagógico de Lula se confunde no seu discurso socialista; e a insciência da direita bolsonarista chega ao obscurantismo religioso….
Estes dois opostos têm, porém, interesses semelhantes, e vão do culto à personalidade dos líderes à fartura das benesses ofertadas pelos governos. Enfrentam-se numa polarização alimentada pela mídia mercenária para se manter no poder, mas se juntam quando se trata de avançar nos cofres públicos.
Não há exemplo melhor do que a tal anistia das multas por crimes eleitorais cometidos pelos partidos que tramita no Congresso com e a defesa enfática de Gleise Hoffman, presidente do PT sócio do Partido Comunista Chinês e deveria ler os clássicos marxistas para não fazer asneiras….
Assim, se o exercício da política é uma Tese, e o desprezo pela conveniência nacional é uma antítese, e o resultado sintético não poderia ser outro: a Dialética da Confusão.
João Cabral de Melo Neto
O Engenheiro
A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro e o papel:
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
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O NEGATIVISMO DA CIÊNCIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Neste tempo em que a Índia envia uma sonda ao lado escuro da Lula e revela a importante presença de oxigênio lá, há cretinos no Brasil que creem ser a Terra plana e outros estúpidos combatem as vacinas por convicções religiosas.
Desta maneira, vemos que enquanto a humanidade caminha científica e tecnologicamente para o futuro, a inconveniente e nociva burrice de falsos conservadores brasileiros se mantém; e, pior, fazem a cabeça das pessoas ignorantes, aptas a aceitar absurdos.
Soube, enquanto estive em Buenos Aires, e não testei, que falta professor de Astronomia na USP a muito tempo. Isto mostra um cenário dúplice: sendo verdade, revela a idiotice dos pelegos que pululam politicamente nas entidades acadêmicas; registra o desprezo pela Ciência daqueles que não são cientistas, mas trapaceiros que persistem em ocupar o poder.
História registra, por exemplo, que no Instituto de Ciência francês – fundado em 1816 – ocorreu um fato que hoje lhe envergonha por ocorrência antiga: para comemorar os 50 anos da sua fundação, o Instituto recebeu dos Estados Unidos um fonógrafo, réplica da invenção de Thomas Edson. Na apresentação pública, o acadêmico Bouillard agarrou o operador pela gola gritando: – “Esse fraudulento ventríloquo quer no impingir as mentiras de um tal de senhor Edson!”
Vê-se com isto como as Academias enxameiam de fingidores oportunistas. Contra eles, porém, a Ciência se impõe silenciosamente. Assim, ao contrário do negativismo exposto no Instituto Francês, também na França tivemos o caso da invenção do vidro inquebrável, que tem salvo milhares de vidas. Ocorreu por coincidência no início do século passado: O cientista Edouard Benedictus inventou-o por acaso: tomado pelo sono, interrompeu uma pesquisa e apressado, deixou cair uma garrafa no laboratório.
No dia seguinte encontrou o vidro quebrado, mas o seu conteúdo manteve a sua forma; então reconheceu que o solvente se evaporara deixando uma película de nitrato de celulose unida à parede interna do vaso.
Semanas depois, Benedictus leu no jornal a notícia de um grave ferimento por cacos de vidro, sofrido por um motorista após um desastre. O Cientista lembrou-se da garrafa com solução de colódio; e inventou o vidro inquebrável….
Assim caminha a Humanidade. Na Idade Média o intelectual o médico suíço Philippus Aureolus Theophrastus, conhecido como Paracelso, notabilizou-se pela defesa do uso de plantas medicinais para a cura de doenças e foi acusado de ser defensor do xamanismo.
Vê-se hoje que – a despeito do que impõe a poderosa indústria farmacêutica –, que Paracelso como pesquisador, tinha razão; e legou para o futuro a polêmica teoria de que as doenças mentais se agravam no período escuro da Lua.
Estou doido para ver os indianos descreverem o hemisfério da Lua que a gente não vê daqui da Terra. Será que é ali que se produz ou se acumula a energia negativa que influi nos cérebros humanos?
Tomara que a Ciência triunfe na pesquisa da psicopatia que grassa epidemicamente na política brasileira. Podíamos até levar para a política internacional, porque nunca, em tempo algum, viu-se uma baixaria tão grande entre os líderes mundiais. Aqui, porém, os estoques da estupidez humana batem recordes entre nós.
Como exemplo, o presidente Lula não governa, só atua polarizando -se eleitoralmente com Bolsonaro, que, por sua vez, mesmo inelegível, está em plena campanha eleitoral. Por falta de um ensino científico e o negativismo das vacinas, vivemos uma situação psicótica tão grave que não tem fase da Lua que dê jeito no Brasil dividido entre estes dois….
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A CAMADA DE PRATA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Para se fazer um espelho, o fabricante usa duas camadas sob o vidro: uma de metal, que para valorizar a qualidade e melhor refletir a imagem, é preferencialmente de prata; e, para finalizar, entra uma camada fosca chamada de base.
Toda vez que assisto a dupla e frontal acusação feita sobre a ganância de Bolsonaro e de Lula, eu me lembro do espelho. Primeiro, porque não acredito que em frente a ele não sintam remorsos por serem corruptos; e segundo, porque me vem a memória uma fábula judaica, que os pastores evangélicos deveriam aprender.
Conta que um acumulador de dinheiro, mesmo depois de ser bilionário, foi se queixar com o rabino porque a comunidade o estava criticando como avarento psicótico; então o sacerdote respeitadíssimo pela cultura geral além da Torah levou-o até a janela da Sinagoga e perguntou-lhe o via através da vidraça.
– “Vejo o pessoal passando pela calçada defronte”, disse o ricaço. O rabino pegou-o pelo braço e levou-o para frente de um espelho: – “O que vês agora?”, perguntou. E o reclamante respondeu que via a si mesmo.
Sentando-se e mandando o crente também se sentar, e falou: Você comprovou, meu irmão, a diferença entre o vidro e o espelho, pelo vidro a gente vê os outros, mas quando este é revestido de prata só vemos a nós mesmos.
Eis uma lição sobre o egocentrismo dos dois líderes que se polarizam eleitoralmente graças à alienação, ao desleixo ou à ignorância da massa, submetida a uma pesadíssima carga de propaganda.
O “deixa passar” por preguiça mental e à ignorância por falta de estudo e informação correta, pesam muito numa eleição. O analfabeto político, condenado por Brecht por não ouvir, não falar e não participar dos eventos políticos, é execrável: Não sabe para onde vão os impostos que paga, nem se informa sobre o custo de vida.
Este alienado é o responsável pela desgraça que se abateu sobre o Brasil, com a disputa permanente e ininterrupta dos extremistas auto assumidos “de Direita” e “de Esquerda”, seguindo líderes que sequer sabem o que significa historicamente os dois termos.
Bolsonaro e Lula são dois oportunistas, isto sim. Ávidos pelo poder, não para trazer a justiça social à Nação, nem para desenvolver econômica do País; pensam apenas em tirar proveito do cargo, acumulando propinas como se fossem “presentes”, e confundindo presentes de outros chefes de Estado ao cargo como se fossem seus; não os entregam ao patrimônio público.
A polarização que vemos está colocada entre os onze contêineres que Lula levou do Palácio e as joias que Bolsonaro se apossou indevida e criminosamente. Envolvidos por uma camada de prata só enxergam a si mesmos e nos induzem a lutar contra eles defendendo o Centro Democrático contra os extremismos.
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