TRANSPLANTE DE CÉREBROS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A consciente e duradoura atração pela literatura nos leva a explorar o conteúdo das obras clássicas. Faço-o de vez em quando, com cuidado de citá-las e inflacionar o uso de aspas; e sabemos que não agradamos a muitos.
É difícil para certas pessoas satisfazerem-se com a cultura alheia, e se assumem com ceticismo e rebeldia refutando o modo de pensar do outro. Encantam-se, porém, com os políticos que industrializam uma falsa religião para enganar as massas ingênuas com a fantasia maniqueísta da luta do bem contra o mal, e se assumindo, lógico, como o espírito do bem….
O dualismo demagógico e radical patina na politicalha que enlameia o Brasil e impõe a polarização eleitoral entre a falsa direita bolsonarista e a falsa esquerda lulopetista. É um sistema que estimula o culto da personalidade e o fanatismo sem princípios. Está mais para a torcida na Festa dos Bois Garantido e Caprichoso de Parintins ou no azul e encarnado das lapinhas natalinas….
Divagando sobre esta situação dos descerebrados corro para a bagagem erudita acumulada ao longo dos anos para tirar uma curiosa historieta. Está num texto de Anatole France, transcrevendo uma milenar lenda chinesa.
Conta que um gênio feioso, de cabeça grande e grandes olhos habita cavernas escuras, vagueia pelas noites em busca do prazer que consiste em divertir-se às custas dos mortais; a sua diversão é penetrar nas moradias e abrir cirurgicamente o crâneo dos dorminhocos.
A operação se realiza com a extração do cérebro da pessoa, trocando-o pelo de outra; assim, percorre pelas cidades repetindo várias vezes a proeza. Ao amanhecer, volta para o subterrâneo e se alegra por saber que o militar acordará com o misticismo de um monge, a prostituta terá ideias de magistrado; o político despertará como um moralista e a adolescente virgem estremecerá com a fissura de um drogado.
Já imaginaram se este gênio gozador chegasse no Brasil e se materializasse numa sessão espírita e saísse praticando um troca-troca de mentalidades?
Certamente não seria uma mudança como ocorreu com o sueco Alfred Nobel que depois de fabricar o mais hediondo meio de destruição e mortes e enriquecer com isto, dedicou parte de sua fortuna cientistas, intelectuais e pacifistas.
Aqui, com o transplante de cérebros, veríamos os picaretas do Congresso Nacional atribuindo-se o papel dos juízes, policiais e promotores da Lava Jato! Os togados do STF arrancando a venda da Justiça, fazendo-a condenar os crimes dos amigos; os dirigentes partidários e sindicais dispensando dinheiro público pela independência das entidades; os empresários criando empregos e remuneração justa e os intelectuais pensando um futuro promissor para as novas gerações.
Seria o sonho de uma noite de Verão…. Já imaginaram se pastores evangélicos e padres católicos passassem a acreditar que Deus é a energia cósmica e não a criação do homem, à sua imagem e semelhança, masculino, de barba e bigode?
Enfim, como eu gostaria que o Cabeçudo conseguisse mexer cerebral e coletivamente com o povo brasileiro e o fizesse abandonar a matreirice do conquistador português, a resistência passiva do africano e a cultura de caça e colheita do índio!
Então se concretizaria o lema que inspirou a nossa bandeira: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim!”
PACIFISTA, SEMPRE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Notícia vinda de Moscou fala que as Forças Estratégicas de Mísseis da Rússia realizaram o teste de um míssil balístico intercontinental, o Burevestnik, carregado com explosivos nucleares.
É assustador tomarmos conhecimento disto, num momento em que ocorrem guerras na Europa e no Oriente Médio que confrontam, além das partes diretamente envolvidas, os Estados Unidos e a Rússia.
Na Europa, repercute as consequências do conflito entre Israel e Hamas, mostrando de forma visível a transferência dos interesses do Complexo Industrial-Militar dos EUA para a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
Além do recuo político da França e da Alemanha no seio da Otan, que dirige as ações militares ucranianas contra a ocupação russa, vê-se o arrefecimento das concessões de novas armas e apoio financeiro a Volodymyr Zelensky.
Nos primeiros momentos o fornecimento de equipamentos bélicos pelos parceiros europeus da Otan era rápido e fácil, mas agora decaem visivelmente, ao tempo em que corre o boato de que as autoridades dos EUA e da União Europeia pressionam Zelensky a negociar com Putin, um cessar fogo razoável.
O governo ucraniano, porém, descarta qualquer tipo de negociação para a paz, mesmo coagido a fazê-la, e tenta retomar o apelo de ajuda sugerindo que a ameaça russa se faça contra os “valores democráticos” do Ocidente, prometendo retomar o território ocupado pela Rússia, incluindo a Crimeia.
Do outro lado se desenrola um cenário trágico na Faixa de Gaza, com mais de 12 mil pessoas mortas, majoritariamente civis, em um mês de bombardeios aéreos intensivos que são movidos, segundo o governo de Israel, para destruir o Hamas, militar e politicamente.
Entretanto, o próprio comando militar israelense admite que a invasão terrestre será “longa e difícil”, enfrentando internamente um influente movimento que o constrange a se manter em sua fronteira, e tentar fazer um tratado de paz com a punição dos responsáveis do Hamas por atos terroristas.
Enquanto o cenário real mostra este desejo dos pacifistas em abaixar as armas nos campos de batalha, o apelo pelo entendimento se amplia internacionalmente e, sem dúvida, influi na opinião pública mundial.
Vemos assim que os fazedores de guerra e os arautos de um confronto ideológico do Ocidente e do Oriente estão coagidos, e que o trânsito em direção à Paz se fortalece a cada dia. Das palavras do papa Francisco à atuação da ONU neste sentido.
É preciso barrar o armamentismo e os “testes balísticos” dos dois lados, e tirar de nossos olhos a mortandade de crianças e dos nossos ouvidos os gemidos dos moribundos e os lamentos da viuvez.
A tristeza que nos traz as vítimas nos lembra duas sensíveis poesias. Do poeta turco Nazım Hikmet, o verso “Paz, novelo de lã em regaço de mulher solitária” e de autor cujo nome esqueci, “Pássaros metálicos/ Ensanguentaram os céus/ Desovaram bombas/ E se autodestruíram/ Restou um último homem/ Acalentando no peito uma pedra”.
Daí me assumo poeticamente como pacifista, e o serei sempre.
OS MALES DO MUNDO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Entre as desgraças contidas na Caixa de Pandora que a irresponsável soltou para o mundo por curiosidade, possivelmente estariam os crimes contra a honra contidos no direito positivo: calúnia, difamação e injúria.
Shakespeare nos legou a certeza disto, mostrando a cólera de Otelo pela calúnia lançada contra Desdêmona, reafirmando em Hamlet com a observação sobre a inevitabilidade desta desgraça.
Agora, na Era da Informática, é o computador que traz as adversidades contra a pessoa, multiplicando injúrias, difamações e calúnias com a vestimenta inglesa das fake news, as miseráveis notícias falsas produzidas por mentes perversas de terroristas e dementes.
Este desvario tem sido motivo de muitos estudos, pesquisa e produção de teses acadêmicas, pois encerra um tema cruel e impiedoso para o ser humano. Li, há muitos anos atrás uma parábola que lembra simplesmente a imposição acusatória contar o outro: É de Saadi de Xiraz, um dos três maiores escritores da literatura persa.
Fizeram a ele, autor do “Jardim das Rosas”, a pergunta: – “Se estivesses a sós com uma mulher deslumbrante em todos os sentidos, resistirias a tentação da amá-la?”.
– “Talvez suportasse” – respondeu – “mas ninguém acreditaria, pois é mais fácil resistir à tentação do que à calúnia”. Graças às fake news, a contaminação da opinião alheia foi ampliada. O contêiner das mentiras vem cheio calúnias, difamações e injúrias influenciando o entendimento e a análise dos fatos.
Na política brasileira estes males são uma mancha indelével, funcionam como metralhadora giratória mandando balas perdidas para todos lados; e, no cenário mundial, apresenta-se com uma insensibilidade gigantesca, através da mídia controlada pelo complexo Industrial Militar do Império Norte-Americano.
É o que vemos na Europa sobre situação russo-craniana e a seguir, também no Oriente Médio, na guerra injusta travada entre Israel e o Hamas.
Confesso-me blindado contra a artilharia dos enganos, fraudes e ludibrio que a mídia dispara. Por isto me abstenho de tomar partido por qualquer dos lados, exceto para condenar a influência imperialista e defender a paz.
Entristece-me é ver nomes conhecidos do jornalismo tornarem-se mercenários dos instigadores de guerras, deslizando no óleo derramado pelo Império em decadência entregue à comercialização da morte.
Quanto ao cenário brasileiro, as tramas malévolas, as alianças espúrias, os discursos de ódio e as repetidas fraudes, temos um quadro nefasto que faz as pessoas de bem desistirem de participar na política; por isto, apelo para não o façam, seguindo o conselho de Brecht: “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”.
Da minha parte, mantenho-me firme na luta contra a farsa da polarização entre a direita reacionária bolsonarista e os populistas da esquerda lulopetista. Tenho um amigo que estranhou a continuidade desta ação incansável e me mandou descansar.
A este velho camarada e também a quem interessar possa, respondo que se abandonasse este combate, prestaria um favor aos polarizadores corruptos e negacionistas, e não teria mais que estudar nem escrever. Entregar-me-ia de mão beijada aos inimigos da nossa Pátria.
SETENTÕES, SUA EXPERIÊNCIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Entre as inúmeras e esquisitas fantasias bíblicas, encontramos em Gênesis 5:21-32 que Matusalém, filho de Enoque e avô de Noé, viveu 969 anos. Vá lá que a antiga inflação nos permita cortar os zeros e deixar a idade dele em 10%, 96 anos e 9 meses. Mesmo assim teria sido uma vida muito longa naquela época.
Insistentemente, porém, os barbudos do Sinédrio “terrivelmente ortodoxos” (ainda existe isto lá para as bandas de Israel?) creem ou fingem crer piamente nisto; é correto que se preservem os textos milenários, mas querer impô-los a alguém é insensatez.
Recuso-me acreditar nas oito centenas de anos de Matusalém, mas louvo os dez por cento estimados como a média da vida humana atualmente. Isto alegra e lembra a entrevista de antigo violinista do Teatro alla Scala a Milano, que participou em 1955, aos 23 anos, da apresentação de Toscanini em louvor aos 88 anos do maestro.
Descreveu o musicista que encerrada a execução da orquestra, à meia noite, Toscanini juntou-se aos jovens musicistas e confidenciou em voz baixa: – “Os velhos já estão indo para casa, então vamos nos divertir!”.
É o exemplo que temos encontrado nas redes sociais. Com a base em suas experiências os “setentões” e “oitentões” vibram e lutam pelas suas convicções. Antigamente expunham a vida do gênero humano em três fases, mocidade, maturidade e velhice. O desenho atual da margem de vida traz esquemas mais extensos.
O quadro que nos apresentam hoje é assim: Infância, até os 10 anos; Adolescência, dos 10 aos 20; Primeira mocidade, de 20 aos 30; Segunda Mocidade, dos 30 aos 40; Primeira Maturidade, dos 40 aos 55; Segunda Maturidade, de 55 aos 70; Primeira Velhice. dos 70 aos 85; Segunda Velhice, dos 85 até quando Deus quiser…
É claro que não vemos nisto uma exposição genérica; depende do DNA individual e, como disse Goethe, “uma alma forte, capaz de estabelecer uma renovação psicológica que dê ao corpo, mesmo frágil, assume a idade que quiser”.
Crendo nisto, constatamos a presença de setentões com vivacidade juvenil, assim como vemos jovens, de tenra idade, envelhecem prematuramente. Não sei se é por isto que maldigo os tempos que atravessamos.
Enquanto experientes de sessenta, setenta, oitenta anos, não conseguem emprego, abrem vagas para pessoas despreparadas ,sem noção da realidade e pensando apenas no “aqui e agora”; sem passado e sem futuro.
Daí, somos levados a pensar que é a experiência vivida e consolidada pela cultura é desprezada nos dias atuais; é no reinado da ignorância e da desinformação que leva o eleitorado a ver os fogos de artifício da demagogia populista. E na presença de brilho e cores, se divide entre os populismos corruptos “da direita bolsonarista” e “da esquerda lulista” numa polarização que estimula a injustiça social.
Em texto anterior sobre os oitentões – que me foi agraciado com a notificação e divulgação de 154 tuiteiros – ataquei essa partilha eleitoral lembrando a covardia “do mito” Bolsonaro sempre terceirando a sua delinquência, antes e depois de presidente; e seu sucessor, o pelego Lula, divertindo-se em viagens internacionais com a companheira das visitas intimas, sem se preocupar com a governança infestada de corruptos que reuniu à sua volta.
A experiência dos setentões sugere que ambos perdem popularidade a cada dia. Nas cabeças pensantes floresce a reação semeada pela conscientização das evidências. Uma pesquisa mostrou que a carga propagandista dos dois populistas aumentou consideravelmente; com as verbas públicas do lado dos pelegos que patinam na corrupção; e no extremismo de direita, através da fraude religiosa e a cegueira do fanatismo.
Não adianta. Quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir sabe que a Nação está farta da polarização fajuta entre ambos. Dos “socialistas” que cacarejam para a esquerda e desovam na direita; e da direita com hipocrisia evangélica e falso conservadorismo.
AMOR IMPLÍCITO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Quando eu alisava os bancos ginasianos levava a sério as lições de respeito aos símbolos nacionais, a Bandeira, o Hino, as Armas e o Selo. E o Dia da Bandeira, 19 de novembro, era feriado.
Mais tarde, cursando o 2º ano da Faculdade Nacional de Direito, participei de uma confraternização entre acadêmicos brasileiros e paraguaios em Assunção. Coincidiu com o Sete de Setembro e convidados pelo nosso embaixador no Paraguai fomos às comemorações na Embaixada. Acercando-nos o prédio, vi de longe nosso pavilhão tremulando: me arrepiei todo, nunca esperei tanta emoção.
A nossa Bandeira foi instituída logo após a Proclamação da República pelo Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1889; criada pelo filósofo e matemático brasileiro, Teixeira Mendes, que sob a influência positivista, dominante à época nos círculos militares, apôs nela o célebre princípio de Auguste Comte “O amor por princípio a ordem por base e o progresso por fim”.
Não sei o porquê do Amor ser suprimido do dístico no círculo central azul entre as estrelas que representam os estados da federação, restou apenas “Ordem e Progresso”.
O Amor, entretanto, ficou implícito na nossa vã filosofia…. E é instintivo para os humanistas o relacionamento patriótico do altruísmo com a ordem e o progresso. Na minha educação doméstica recebi sugestões da doutrina positivista cooperativa, solidária, e totalmente antagônica dos instintos naturais do egoísmo.
Diferentemente desta visão humanista, o subconsciente humano traz restos animalescos; foram atenuados na vida em sociedade e deveria ser disciplinado pela educação doméstica e escolar. Não sendo aprimorado assim, preocupa, externando muitas vezes um comportamento selvagem.
Esta estupidez está exemplificada na agressão infame do canalha Erick D´Ávila, empurrando brutalmente uma senhora idosa de 86 anos. Este criminoso era professor de canto no Clube Paulistano e foi demitido; mas a punição deve ser ampliada penalmente.
Não sei se pessoas deste tipo professam alguma religião. É provável que o faça como demonstração hipócrita; mas milita certamente em movimento político, adotando alguma ideologia extremista. E daí nascem os terroristas, cruéis inimigos da humanidade.
É o que se vê deste lado do Planeta, onde o pensamento dominante é a doutrina-judaica-cristã e sua vertente islâmica que prega um Deus Único, onipotente, onisciente e onipresente. Entretanto, a divindade é vilipendiada por frações incompatíveis com o Amor pregado pelo Cristo e inserido nos chamados “livros sagrados”.
Curiosamente, uma religião sem deus, o Budismo, nos adverte para o amor ao próximo, abnegado, desinteressado e filantrópico. Os monges do Tibet dão provas desta devoção. Quando a neve e os temporais provocam desabamento nas encostas e tornam impraticáveis as trilhas, eles se juntam recortando figurinhas de cavalos de papel jogando-as do alto dos mosteiros para que o vento as leve.
Piedosos, eles creem que Buda vai inspirar os perdidos nas montanhas a seguirem os cavalinhos coloridos e encontrarem o caminho que os livrará da intempérie.
O papa Francisco, guia espiritual da Igreja Católica, reza e pede orações pela paz na Europa e Oriente Médio, seguindo a lição do Cristo e manda os católicos amarem o próximo como a si mesmos. Na prece sincera, o amor está implícito.
O VALOR DA VIDA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A liberdade de opinião tem dessas coisas: há no Twitter quem aprecie e aplauda, e outros que estranham e consideram dispensável o meu refrão “Viva a Vida!” nos bons dias que dou diariamente na rede social.
Ao exaltar a vida, penso que não o faço sozinho; todo ser humano possui no seu íntimo a consciência do valor da vida no correr da existência. É a mais bela louvação espiritual da civilização.
Enaltecer a vida é renascer; o culto da morte, pelo contrário, é fruto de uma doutrina antiga, mumificada no tempo e enterrada dentro do sarcófago de crendices medievais, do catolicismo ultramontano e do evangelismo comercializado.
É claro que a morte faz parte da vida; fazê-la presente no dia-a-dia, porém é negação; e o pessimismo é um suicídio prolongado e torturante. O que é real, é a evolução da humanidade a cada geração e presentear-nos com as maravilhas que a Natureza oferece e as descobertas da Ciência.
Lembro que nos meus tempos colegiais ouvíamos dos professores que os sentidos humanos eram cinco, visão, audição, paladar, olfato e tato; hoje sabemos que estão em estudo cerca de 19 outros, da premonição à telepatia.
Também parados no tempo, os professores de química nos ensinavam que o ouro não podia ser fabricado, era apenas uma fantasia dos antigos alquimistas; hoje sabemos que pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, Estados Unidos, criaram ouro de 24 quilates em laboratório, com uma pureza superior a 99,99%. Sai muito caro, não vale a pena, mas que se fabrica, se fabrica….
É ou não é um motivo para nos alegrarmos? Acho que sim, e me entusiasma ainda mais a velocidade com que a ciência médica avança, como vimos na criação da vacina para a covid-19, que salvou milhões de vidas na pandemia.
Assistindo a marcha da humanidade para o futuro incerto, favorável ou adverso, uso o presumível sentido da premonição para delinear o advir e as suas contradições, como desprezo ao Meio Ambiente.
Esta análise vai do ambiente poético dos peixinhos de aquário às organizações mundiais que defendem animais e plantas ameaçados de extinção; mas o problema não é de órgãos privados; cabe aos governos atuar obrigatoriamente neste sentido. Sem demagogia nem plebiscitos; com disposição de enfrentar as adversidades.
É revoltante constatarmos que ocorre o contrário. Os governos são o próprio “sistema de exterminação”. A preocupação dos políticos se limita aos discursos eleitorais, não adota princípios nem ideologia; a sua única disposição é se manter no poder quando o alcançam.
Infelizmente é o que ocorre no Governo Lula-Centrão, da mesma forma como ocorreu no governo antecedente. Bolsonaro deixou as populações indígenas à míngua e agora Lula quer explorar petróleo na foz do Amazonas.
Isto calou e cala os “liberais da direita bolsonarista” e os “ambientalistas da esquerda lulista”, fanáticos atraídos pelo imã do culto da personalidade dos seus líderes. Antes
exaltavam a morte pelo negativismo da Ciência, pregado “religiosamente”; atualmente escondem a incapacidade de enfrentar o crime organizado.
As limalhas de ferro enferrujado da falsa direita e da falsa esquerda, se imantam junto aos laboratórios que fabricam ouro e vacinas; é a avidez dos pelegos lulopetistas por dinheiro, e, lado-a-lado a estupidez anticientífica do bolsonarismo.
QUESTONÁRIOS & CONCLUSÕES
MIRANDA SÁ (Email: @mirandasa.uol.com.br)
A turma que veio do Tweet deve ter notado o surgimento e a multiplicação de questionários no “X” propondo-se a avaliar conhecimentos específicos e gerais. São os Quizzes antigos que haviam desaparecido e ressurgem com postagens diferentes.
O “Quiz” vem de longe como arguição ou enquete usando uma antiga palavra inglesa significando “enigma, pergunta”, dicionarizada pelo Oxford English Dictionary em 1843, e o interessante é tem uma origem anterior, datada de 1781, querendo dizer “pessoa estranha”, e mais tarde foi usado como “brincar com” ou “sacanear” ….
No nosso idioma, o verbete Quiz aparece como um substantivo masculino indicando exame, prova e verificação para testar o conhecimento de alguém com perguntas sobre Esportes, Cinema, Geografia, História, Literatura, Matemática e Personalidades.
Trocando em miúdos, trata-se de um jogo mental para definir o saber e a proficiência do pesquisado. Parece-me que sempre foi usado, e lembro uma passagem com Pedro 1º de Castela, que deixou o seu nome gravado na Espanha como – O Justiceiro.
Conta a lenda espanhola que o Rei para indicar um juiz prudente e sensato (coisa que tem faltado no Brasil, infelizmente), fez os candidatos ao cargo passarem diante de uma mesa sobre a qual colocara uma laranja; e apontando para a fruta fez uma pergunta genérica: – “O que é isto?”.
– “Uma laranja”, respondeu o primeiro, observação seguida por mais meia dúzia de conseguintes; e houve ainda outros mais afirmando ser uma laranja; quase no final da fila, um deles pediu licença para examinar mais de perto. Concedida a petição, aproximou-se e após uma volta pela mesa, declarou: – “Meia Laranja”. Pedro 1º havia partido a fruta na encenação, e nomeou o arguto pretendente para a Corte.
A História não se estende deixando-nos sem saber se o nomeado vestindo a toga julgou conforme a Lei; mas “mutatis mutandis. (com as devidas mudanças), uma coisa é certa: rareiam no Brasil os magistrados capazes de enxergar a meia laranja….
Por isso, em nome da verdade, o que existe entre nós como Justiça é consequência das prescrições constitucionais contidas na “democrática” Carta de 88, ampla, concedente, frouxa e leniente.
Nossa Constituição é um palavreado exuberante grito preso na garganta nos anos do silêncio ditatorial. Institui prodigamente os poderes republicanos; traz o Judiciário com liberdade de fazer Justiça, tal como vem funcionando. Daí temos assistido os absurdos das sentenças controversas, mesmo suspeitosas, em todas as instâncias judiciais e nos tribunais superiores.
Também reconhecemos com tristeza e revolta que este estorvo da Lei Magna não é uma exclusividade do Judiciário, pois se estende ao Legislativo e ao Executivo de onde se emite igualmente a falta de respeito com a Nação.
O Legislativo está sob o domínio “dos 300 picaretas do Congresso” assim referidos como tais por Lula da Silva, que depois como presidente terminou por se entregar e se misturar com eles, assumindo desse modo a qualificação criada por si próprio.
O seu oponente na desgraçada polarização, capitão Bolsonaro, foi um dos 300 picaretas na Câmara Federal, logicamente classificando-se assim também, com a mesma insanidade moral e desenvoltura. Sopesando estas duas figuras é inegável que se igualam pelo avesso, um se assumindo “de esquerda” e o outro, “de direita”.
De ambos, como se comportam, concluímos: Será que passariam num Quiz que lhes indagasse: “se três gatos, em três minutos, matam três ratos, em quanto tempo cem gatos matariam cem ratos?”.
Possivelmente não responderiam, mas certamente lamentariam, por compulsão, a morte dos ratos.
ESTRATÉGIA & TÁTICA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como a memória dos meus primeiros estudos não esmaeceu, recordo o princípio filosófico de que a improvisação não tem lugar num estado de guerra; o conflito armado entre dois países é tão importante que não admite improvisos… É por isto que produziu (ao que sei) três livros com o mesmo título: “A Arte da Guerra”.
O mais antigo, de Sun Tzu, traz as famosas “Quatro Lições” baixadas sob o preceito de “Conheces teu inimigo como conhece-te a ti mesmo; e não perderás a batalha”; outro trabalho com o mesmo tema, é de Maquiavel, que descortinou no Ocidente uma nova ideia de organização do exército, da hierarquia de comando e até então desprezada, a formação de soldados.
A terceira obra, que se fez presente até a 2ª Guerra Mundial é de Carl von Clausewitz, militar e pensador alemão que estabeleceu a doutrina de que a guerra é a extensão da política, conceito que o levou a admitir civis no Estado Maior do Exército.
Esta teoria – que passou à prática – é também do estadista francês, Georges Clemenceau, de quem citei num dos meus artigos por ser um grande admirador dele. Clemenceau escreveu: “A guerra é um negócio muito importante para ser deixada para os soldados”.
Na Era Atômica e o acelerado avanço da tecnologia dos foguetes, satélites, drones e a presença humana na Lua através de robôs, os conceitos do passado se modificam, sem abandonar, porém, dois princípios básicos da arte da guerra e dos estados maiores: a Estratégia e a Tática.
Em tese, atualmente, Estratégia e Tática estão intimamente relacionadas; aplicando as ferramentas da inteligência artificial faz-se pesquisa e se observa a distância, tempo e poder. Não mais para batalhas terrestres, mas para a conquista do espaço aéreo e as profundezas dos mares.
Hoje, o planejamento e a condução que antecedem uma guerra dependerão de uma tática que consiste em valorizar o papel da informação, fundamental para determinar a estratégia de movimento: seja para incursão inesperada pelo inimigo ou na ação retardadora como prevenção da própria defesa.
Para ver que nada há de extraordinário nisto, constatamos tais ações no dia-a-dia das nossas vidas em sociedade, e pela observação que fazemos, na sistemática política; vem dar razão à Clausewitz atestando a preeminência dos objetivos políticos em relação às guerras.
Fui cobrado semana passada por um colega tuiteiro sobre a defesa que faço para o diálogo e a paz afim de encerrar o trágico capítulo da guerra na Faixa de Gaza. Respondendo-o, declarei-me “um inveterado pacifista”. E sou.
As estratégias e táticas que conduzem a guerra são insensíveis e inclementes. Temos na História o exemplo de Winston Churchill – o herói inglês da 2ª Guerra – dizendo num discurso aos compatriotas que “na guerra os meios empregados não têm importância, já que é preciso causar o maior mal ao inimigo”.
Churchill não inventou nada. Aprendeu a lição dos antigos gregos e a estratégia de usar o cavalo oco para surpreender e derrotar os troianos e ocupar a sua cidade.
Enquanto isto, os exemplos da estratégia e da tática pelos polarizadores eleitorais no Brasil atual são tragicômicas: o capitão Bolsonaro usou generais de pijama para tramar um golpe; sem apoio da tropa, incentivou uma pá de babacas fanáticos irem para as portas do quarteis e fracassou. Seu rival, o pelego Lula, foi mais malandro; infiltrou agentes ideologizados no STF para anular suas condenações por corrupção em três instâncias jurídicas, e conseguiu, mas desmoralizou a Justiça. Para sempre.
TATUAGEM DO POPULISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
O frontispício do Templo de Delfos, na Grécia antiga, ostentava um convite: “CONHECE-TE A TI MESMO”. Segundo Platão, foi este aforismo que inspirou Sócrates a desenvolver a sua filosofia.
Como se sabe, não há nada escrito por Sócrates; suas ideias e postulados chegaram até nós graças aos seus discípulos, entre eles Platão, que identificou o sistema socratiano como divisor de águas na Filosofia Antiga, ao adotar o postulado da busca da verdade em todas proposições.
O empenho em encontrar a verdade é o caminho da ascese, o controle do corpo e do espírito, seguindo a lição de Sócrates e o convite para nos conhecer a nós mesmos; a busca da verdade é a negação da mentira gerada pelo improviso, a tatuagem que identifica a maioria dos políticos brasileiros.
Tempos atrás, conheci um deputado que “decorava” improvisos…. Jogava-os em série de frases feitas, com lembranças passadas e projeções para o futuro do agrado da massa. Ensaiava gestos diante do espelho e como tirar o lenço do bolso e passa-lo na testa; e – por incrível que pareça –, mantinha um parceiro que o aparteava, com uma resposta pronta para o aplauso!
Esses truques não eram exclusividade dele e vigoram até hoje nas assembleias, nos comícios e nos plenários legislativos e judiciários. Os menos preparados e pouco inteligentes macaqueiam as performances dos outros.
Nos governos populistas, o improviso é uma máquina de fabricar dificuldades aparentes para fingir que as resolverão; chegam a difundir males inexistentes para se aproveitar da Ciência ou até mesmo para negá-la.
O cenário internacional das guerras que assistimos, focaliza o repugnante uso do improviso pelo império norte-americano em decadência. Mostra a expansão dos mercados de armas atuando em todos continentes; seja pela provocação da Otan para chegar à fronteira russa, ou pelo terrorismo incendiário do Hamas servindo como argumento de Israel para ocupar a Faixa de Gaza.
Circunscritos às nossas fronteiras, considero emblemática a pergunta formulada outro dia por um tuiteiro, querendo saber se a vida das crianças israelenses e palestinas valem mais do que as crianças ianomâmis. Desenvolvendo-a, indagamos se os incêndios destruidores que as guerras produzem causam mais prejuízos do que está ocorrendo no Amazonas.
Tais preocupações deveriam chamar a atenção como foguetões de estouro e não como fogos de artifício, brilhantes e coloridos para iludir as massas. Se alcançássemos a maioria do eleitorado, afastaríamos da cena política a estupidez que a polarização entre os populistas “de direita” e “de esquerda” imprime desgraçadamente.
Talvez com isto traríamos de volta ao exercício da política pessoas dignas e honestas, mas não de messias e heróis. Esteve certo Brecht ao dizer que são miseráveis os povos que precisam de heróis. Por não os termos vamos a uma passagem histórica de Georges Clemenceau, jornalista francês responsável pelo L’Aurore, jornal que publicou o “J’accuse” de Émile Zola sobre o “Caso Dreyfus”.
Quem conhece História avalia a grandeza de Clemenceau tornado estadista na França; e, nesta investidura, visitou uma escola onde por gracejo perguntou a uma garota – “quanto são dois e dois?”.
A estudante surpreendeu a professora e o visitante pedindo que ele se explicasse melhor, e acrescentou: – “Se os dois algarismos estiverem um embaixo do outro, são quatro; se postos lado a lado, são vinte e dois”. Com integridade e honradez, Clemenceau curvou-se diante de uma classe do ensino básico: – “Tens razão”, disse, – “Eu deveria ter evitado o improviso e dito, ‘dois mais dois’; nunca esquecerei esta lição”.
Clemenceau não era tatuado com a marca do populismo esnobe dos polarizadores Lula e Bolsonaro.
OS MALES DO MUNDO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Entre as desgraças contidas na Caixa de Pandora que a irresponsável soltou para o mundo por curiosidade, possivelmente estariam os crimes contra a honra contidos no direito positivo: calúnia, difamação e injúria.
Shakespeare nos legou as certezas para isto, mostrando a cólera de Otelo pela calúnia lançada contra Desdêmona e a observação sobre a inevitabilidade desta desgraça em Hamlet.
Agora, na Era da Informática, é o computador que traz as adversidades contra a pessoa, multiplicando injúrias, difamações e calúnias com a vestimenta inglesa das fake news, as miseráveis notícias falsas produzidas por mentes perversas de terroristas e dementes.
Este desvario tem sido motivo de muitos estudos, pesquisa e produção de teses acadêmicas, pois encerra um tema cruel e impiedoso para o ser humano. Li, há muitos anos atrás uma parábola que lembra simplesmente a imposição acusatória contar o outro: É de Saadi de Xiraz, um dos três maiores escritores da poesia bucólica persa.
Fizeram ao poeta do “Jardim das Rosas” a pergunta: – “Se estivesses a sós com uma mulher deslumbrante em todos os sentidos, resistirias a tentação da amá-la?”.
– “Talvez suportasse” – respondeu – “mas ninguém acreditaria, pois é mais fácil resistir à tentação do que à calúnia”. Graças às fake news, a opinião alheia é contaminada. O contêiner das mentiras vem cheio calúnias, difamações e injúrias influenciam o entendimento e a análise dos fatos.
Na política brasileira estes males são uma mancha indelével e funcionam como metralhadora giratória, mandando balas perdidas para todo lado; e, no cenário mundial apresenta-se com uma insensibilidade gigantesca, através da mídia controlada pelo complexo Industrial Militar do Império Norte-Americano. É o que vemos na Europa sobre situação russo-craniana e a seguir no Oriente Médio, na guerra injusta travada entre Israel e o Hamas.
Confesso-me blindado contra a artilharia dos enganos, fraudes e ludibrio que a mídia dispara. Por isto me abstenho de tomar partido por qualquer dos lados, exceto para condenar a influência imperialista e defender a paz.
Entristece-me ver nomes conhecidos do jornalismo tornarem-se mercenários dos instigadores de guerras, deslizando no óleo derramado pelo Império em decadência, entregue à comercialização da morte.
Quanto ao cenário brasileiro, suas tramas malévolas, suas alianças espúrias, os discursos de ódio e as mentiras repetidas, apresenta um quadro que leva muitas pessoas a desistirem de participar da política; apelo para não o façam, seguindo o conselho de Brecht: “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”.
Da minha parte, mantendo-me firme na luta contra a farsa da polarização a direita reacionária bolsonarista e os populistas da esquerda lulopetista. Tenho um amigo que estranhou a continuidade desta ação incansável.
Ao curioso e a quem interessar possa, respondo que se abandonasse este combate, prestaria um favor aos polarizadores corruptos e negacionistas e não teria mais que estudar e escrever. Entregar-me-ia de mão beijada aos inimigos da Pátria.
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