História – há 18 anos…

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07/07/1990 – Vida louca, vida breve

Cazuza

O compositor e cantor Cazuza morreu aos 32 anos, em conseqüência de edema pulmonar progressivo e da AIDS contra a qual lutou por três anos e meio. Os remédios foram seus maiores companheiros na inquietação desta luta que o deixou com 38 quilos.Carioca de Ipanema, Agenor de Miranda Araújo neto, Cazuza que nas gírias nordestinas quer dizer moleque, sempre foi moleque no melhor sentido do termo: gostosamente irresponsável, audaciosamente desbocado, docemente agressivo, demolidor.

Adolescente rebelde, descobriu sua paixão pelo palco depois de encarar a arena improvisada do Circo Voador, nas turmas do Perfeito Fortuna. O roqueiro Léo Jaime o apresentou a uma banda de rock que estava a procura de um cantor. Era o Barão Vermelho. Suas músicas acertaram em cheio o gosto do parceiro, Roberto Frejat. Estava formada uma das grandes parcerias da trilha sonora dos anos 80.

O estouro veio em 1984, com Bete Balanço, trilha sonora do filme de Lael Rodrigues, e com Menor abandonado. Um ano depois Cazuza abandonava o Barão e partia para uma carreira solo com o disco Exagerado. No final de 1989, lançou mais dois LPs reunidos no álbum Burguesia.Falava com sinceridade gritante sobre sua debilidade física: “A pior sensação da doença, para mim, foi a de estar vivo mas sem nenhuma energia.

Tudo cansa, tudo é chato, tudo dói. Eu precisei então criar Deus em mim”, declarou em meados de 1988, em entrevista ao JB.Nos últimos anos, o poeta abandonaria o personagem exagerado por letras políticas como Brasil, mostra sua cara, que se tornaria o hino de uma geração. Locutor impune da indignação no país, deixou um legado de mais de 300 músicas.

Ideologia, eu quero uma para viver

O ambiente do velório misturava dor e festa. Entre risos e soluços, amigos lembravam as excentricidades do poeta. Tudo embalado a copos de cerveja e ao alívio de saber que na aléia 12 Cazuza estará muito bem acompanhado: a cinco passos de seu túmulo estão enterrados Clara Nunes, Carmem Miranda, Ary Barroso, Vicente Celestino, Francisco Alves.

Quase mil fãs foram se despedir. O amigo Ezequiel Neves puxou o refrão “vamos pedir piedade”, da música Blues da Piedade. Ao lado da sepultura, o povo jogou pétalas de rosa, mostrou exemplares de disco e cantou.

Fonte: CPDOC/JB

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