Artigo

ESTUPIDEZ

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Somente duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto à primeira” (Albert Einstein)

Todas as exceções confirmam a regra antiga de que toda regra tem exceção…. Não sei se vale para as conversas de bar, principalmente quando termina a última sessão do cinema e os cinéfilos discutem os “filmes de arte” reconhecidos como tais por uma meia dúzia de três ou quatro críticos.

Bem. Estou falando de um tempo antigo, o “meu” tempo. Mais tarde se macaqueou dos gringos a “happy hour”, desculpa de bêbado para deixar o trânsito amainar. Então se começa com o Chopp apreciado devagarinho e do Whisky ralo diluído em água com gás. Inicia-se um papo ameno.

Depois a coisa esquenta. E quando se fala de política, o tom de voz alteia e a conversa de bar vira conversa de bêbedo. Fico imaginando como protagonizam atualmente os extremistas fanáticos de “direita” e de “esquerda” (entre aspas, pois me refiro a bolsonaristas e lulistas). Estes assumem o que Stanislaw Ponte Preta considerou: – “Conversa de bêbedo não tem dono”.

Neste trágico momento que atravessamos assistindo a crise bélica no Leste Europeu vem comprovar uma curiosa situação. Afirma-se nas conversas de bar a hipótese matemática de que as paralelas se tocam no infinito. A estupidez levou os extremistas a se encontrar. O bolsopetismo assumiu este truísmo na política nacional.

Juntos, os dois lados defendem de uma maneira ou outra a invasão russa na Ucrânia. Os argumentos são diferentes, mas sustentam que a guerra é justa. Os bolsonaristas reconhecem as boas relações do Capitão com Putin no campo político aplaudindo a Rússia no Caso Amazônico e defendendo os fertilizantes.

Os petistas remoem a superada visão anti-imperialista que os põe sempre contrários aos norte-americanos, condenam a tentativa de cerco à Rússia caso a Ucrânia participe da Otan.

Há, sem dúvida, vestígios de verdade nestas alegações. Mas nada que justifique uma guerra. De formação pacifista eu seria preso na Rússia condenando a guerra e por igual motivo torno-me alvo das críticas (algumas mal-educadas e virulentas) de bolsonaristas e petistas….

É a estupidez humana fazendo “strip-tease”. Esta obscena nudez está exposta em todos os países do mundo. Uma encenação que se vê nas ruas, nos shoppings, nos supermercados e principalmente nos coletivos, avião, ônibus e metrô.

Lembro o aforismo de Marck Twain afirmando que quatro quintos da humanidade é formada de desorientados. Fico imaginando este percentual de estúpidos pelo mundo afora…. No Brasil, pelas preferências eleitorais que as pesquisas divulgam, são milhões.

Além de imantados pela estúpida polarização eleitoral, juntam-se aos que desmatam as florestas para a boiada passar, os que envenenam os rios garimpando ilegalmente, àqueles que massacram indígenas para explorar reservas, os que desvalorizam a Educação, que negam a imunização pela vacina contra a covid-19 e agora, aos defensores de guerras.

É bastante conhecida a estupidez que se hospeda na Política, e com eles colunistas e comentaristas midiáticos criticam a maior conquista da civilização, a Declaração dos Direitos do Homem.

Na Magistratura surgiu um tal “garantismo” para defender políticos corruptos e os fardados, militares das três armas se metendo na política rasteira dos comissionamentos e das propinas.

Evidencia-se também, vergonhosamente, alguns médicos que por ideologia distorcida ou falta dos estudos necessários ao exercício da profissão assumem o estúpido negativismo bolsonarista.

A estupidez humana é revoltante. Espero que o cientista Einstein que epigrafamos, tenha se enganado; e que o sábio Aristófanes se precipitou ao enunciar que “a juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, porém, a estupidez é eterna. ”

“A CEGA”

MIRANDA SÁ (Email: miranadasa@uol.com.br)

“O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”. (Platão)

Escrevi anteriormente o artigo “CROCHÊ” em que reportei os tratos da confecção deste belo artesanato e a sua diferenciação com o “TRICÔ”. Hoje, para falar da Justiça e sua cegueira, vou à Revolução Francesa para relembrar as tricoteiras (tricoteuses) da Praça da Concórdia. Mulheres que ficavam tricotando ao pé da guilhotina, vendo-a funcionar.

A História registra que usando o “barrete da liberdade” tricotado por elas, o jovem revolucionário Maximilien de Robespierre, ex-juiz criminal atuante na Assembleia Nacional da Revolução, morreu guilhotinado.

Robespierre foi um idealista fora de época. Defendia ideias que ainda coxeiam em muitos países, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo segundo a renda.

Pagou com a morte por isto. Em ascensão e influência do conservadorismo saudosista da monarquia nas decisões da Assembleia, tramaram contra a continuidade do processo revolucionário, e condenaram-no à morte junto com outros companheiros jacobinos.

O estopim foi o discurso “Contra a Guerra” em que Robespierre relembrou o governo despótico e corrupto de Luiz XVI, denunciando que ainda persistiam agentes do antigo regime “corrompendo o espírito humano e tornando a liberdade suspeita e terrível”.

Ocorre que a sua sentença de morte não foi uma decisão judicial, mas política. A França vivia a Era do Terror e, para extremistas não basta que a Justiça seja cega, isolaram-na numa masmorra….

Foi melhor assim do que vermos um julgamento presidido por magistrados despreparados ou politiqueiros. Existem tais entre nós, capazes de soltar o corrupto Lula da Silva e engavetar por anos, até a prescrição, processos contra conhecidos políticos delinquentes.

Coitada da Justiça no Brasil. Não é cega como a deusa Themis, que representa, mas usa uma venda nos olhos e fica alheiamente sentada diante do STF em Brasília com uma espada na mão, simbolismo que pode ser traduzido que a venda é para não enxergar certos crimes e a arma branca para se mostrar ameaçadora….

A História da Humanidade registra fatos incríveis sobre magistrados e a crítica dos pensadores lhes é contundente. Um destes censores foi François Rabelais, escritor renascentista francês, cuja visão filosófica distinguimos em “Pantagruel” e “Gargântua”.

Na sua obra, Rabelais criou o juiz Bridoye que jogava dados para julgar os litigantes do processo e o sorteio orientava a sua decisão; e igualmente realista, Tolstoi pôs em “Ana Karenina” outro magistrado que abria a Bíblia por acaso e, dependendo do número da página, absolvia ou condenava o réu.

O anedotário paraibano traz o enredo de um juiz de Campina Grande que levava para os julgamentos um saquinho com feijões pretos e brancos na mesma quantidade e para sentenciar alguns casos tirava um dos grãos a fim de definir a culpabilidade ou a inocência do réu….

Não sei quais artifícios usam os ministros que atuam na 2ª Turma do STF; tenho a curiosidade de sabê-lo. Acho que as decisões de criminalizar a Operação Lava Jato e libertar o ex-presidente prevaricador Lula da Silva, não foram oriundos da Ciência Jurídica ou da Filosofia do Direito.

Do outro lado, há juízes e desembargadores que procrastinam o julgamento das rachadinhas da Família Bolsonaro; são bastante conhecidos por outras decisões baseadas em ideologias distorcidas ou subserviência política. Incapazes de tomar uma decisão que não exige coragem, apenas honestidade.

Se depender de certos magistrados, a Justiça continuará sem enxergar; deveria dispensar esses togas pretas como guias de cego que não a conduzem no caminho certo. Lembro aos juízes trapaceiros o grande Rui Barbosa: – “Eu não substituo a fé pela superstição, nem a realidade pelo ídolo”.

 

CROCHÊ

MIRANDA SÁ (Email: mirandasas@uol.com.br)

“Nossa vida é crochetada com um emaranhado de linhas que define uma personalidade”  (Autor desconhecido)

Quando eu era menino estranhava que a maioria das mulheres que se sentavam nos bancos da praça praticando o traçado de fios falavam “Croché”, com acento agudo no E; a minha mãe, que estudara francês, falava “Crochê” com acento circunflexo…

Ocorre que a palavra chegou ao Brasil com etimologia francesa, (crochet), vinda do tunisiano (kʁɔʃɛ), que, ao que me parece sem pesquisar, foi criado na Tunísia este processo artesanal na famosa tapeçaria deles.

Tanto faz Croché como Crochê. O verbete dicionarizado em português é um substantivo masculino, designando o processo de criação de tecidos com entrelaçamento de fios de seda ou algodão, uma espécie de renda feita com uma agulha de bico terminado em gancho.

Na minha época, tirando as moças prendadas, o vulgo confundia crochê com tricô, este também um tecido de malhas feito com lã. A palavra tem também origem francesa (tricot) que veio dar em tricô.

A diferença entre os dois na sua confecção é que o tricotar exige duas agulhas sem gancho; e divergem também no seu uso; o crochê tem uma serventia variada para cama, mesa e vestuário (apareceu até num biquíni do Gabeira); e o tricô é mais usado para agasalhos de lã.

Quando rapazola, ganhei muitos suéteres feitos por minhas tias para me proteger no Inverno; e da minha madrinha Nazinha, que era rica e viajada, tive um deles com losangos coloridos trazido da Alemanha.

Escreveu alguém, não me lembro quem, mas acho que foi um daqueles escritores clássicos russos, que “a nossa vida é uma malha de crochê de fios, de pontos e de nós coloridos, traçando com dedos invisíveis e poderosos o nosso destino”.

A malha da nossa vida é especialmente vista ao envelhecer, porque a agitada visão mental dos jovens não consegue alcança-la. A idade provecta traz a vantagem de poder analisá-la e julgá-la, o que é negado aos portadores da síndrome de Peter Pan….

É traiçoeira a deficiência que não permite ver a emaranhada rede da própria vida permitindo a repetição dos erros cometidos e impedindo a confissão unipessoal dos pecados.

Encontramos cotidianamente, infelizmente, tais incapacitados nas redes sociais e principalmente na política. Será um absurdo afirmar que o capitão Bolsonaro é inabilitado para distinguir o traçado da sua vida?

Vê-se que tanto como militar, tanto como político,  a sua dormência intelectual vem de longe e resultou na infeliz posição que assume no cenário da guerra russo-ucraniana.

Para o político profissional o crochê pregresso da sua carreira mostra um jogo de ideias oportunistas e provisórias que, às vezes vencedoras, leva à megalomania. No caso do imoderado Capitão que ocupa a presidência da República pela enganação nas promessas de campanha, vê-se uma exagerada ambição pessoal.

Foi por isto que crochetou a volta do criminoso Lula da Silva, como único adversário capaz de mantê-lo na disputa pela reeleição. Começou combatendo a Lava Jato para salvar os filhos delinquentes, e viu que podia libertar o Pelegão aliando-se aos juízes inclinados a defender o condenado de Justiça em duas instâncias.

Assim, ficou interlaçada na malha da eleição presidencial resultando na imunda polarização entre o ruim e o pior. Que triste destino terá o Brasil se um dos dois, Bolsonaro ou Lula, voltar a sentar-se na cadeira presidencial!

O pior de tudo é que há quem aceite bovinamente a polarização eleitoral, tornando-se bolsopetistas. São incapazes de ver cada linha, cada ponto e cada nó do chochê da sua vida; e pior do que isto, parecem desconhecer o autor desta teia….

SEI LÁ, NÃO SEI…

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A vida não é só isso que se vê/  É um pouco mais/  Sei lá não sei…/ Sei lá não sei…”                (Paulinho da Viola)

Conta-se no anedotário político a história do parlamentar mineiro que em declaração de voto disse que não era a favor, nem contra, muito pelo contrário…. E também das Alterosas o registro histórico autêntico, da antológica frase de Magalhães Pinto, quando perguntado sobre uma mudança de posição: – “A política é como uma nuvem, você olha, ela está de um jeito; olha de novo, ela já mudou…”

Magalhães Pinto, velha raposa política, viveu na Câmara Federal a crise nascida com a renúncia de Jânio Quadros e a tentativa golpista de impedir a posse de João Goulart, legitimamente eleito vice-presidente da República e que estava fora do Brasil em missão oficial na China.

Foi de Magalhães Pinto a ideia do Congresso promulgar a Emenda Constitucional do Parlamentarismo permitindo a posse de Jango no dia 7 de setembro de 1961. Daí em diante, como presidente da UDN, assumiu a liderança de uma ferrenha oposição ao governo trabalhista que culminou com o golpe militar de 1964.

As inconstâncias observadas no comportamento dos políticos são incompatíveis nos meios científicos; nestes, os estudos e pesquisas exigem uma materialidade tangível para atingir resultados positivos.

Lembro, embora esqueça a fonte, um pensamento de Claude Bernard recomendando aos cientistas que “ao entrar no laboratório, devem guardar no armário, além dos pertences, a sua imaginação…”

É isto, na minha opinião. Os devaneios e presunções não têm lugar aonde se pretende apurar, inquirir e investigar prospectando dados para cumprir um objetivo e solucionar problemas. Foi o que se viu na corrida louca para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, no afã de descobrir remédios para combater o vírus e criar vacinas.

Enquanto isto ocorria nos laboratórios do mundo inteiro, as nuvens mutáveis que correm nos céus da política deram forma à ideologia retorcida do negativismo da Ciência.

Foi o que se viu nos Estados Unidos da América com Donald Trump na presidência e no Brasil, por espirito de imitação, com o capitão Bolsonaro. A partir daí, grassou o fundamentalismo no mundo deles, aonde há quem acredite que a Terra é plana, apesar das fotografias tiradas do espaço.

Um materialista do século 18 escreveu que ao expulsar Adão do Jardim do Éden, Deus enxertou-lhe no cérebro a alienação e a razão…. Creio que pensou dotar o renegado do Paraíso com fundamentos de reflexão, crítica e criação, mas, ao mesmo tempo ficar indiferente com quem se sentir prejudicado pelo seu poder.

Se esta idílica concepção é verdadeira ou não, vale a pena garimpar exemplos na bateia da Ciência. A busca esbarra, porém, nos que negam Darwin, Pasteur e Einstein; e esta insanidade obscurantista atinge PHDs de todos os doutorados, os que se excitam vendo Jesus em galhos de árvore, devotos de Nostradamus e os abduzidos por discos voadores.

Assim, não é por acaso que saem dos tubos de ensaio e provetas do laboratório do negativismo as drogas que enuviam o processo mental dos que se prendem ao culto da personalidade de políticos e ao fanatismo religioso. É pela alucinação que funcionam as algemas da ignorância.

Biruta ao sabor dos ventos da improvisação, o capitão Bolsonaro orienta a sua tropa (ou seria trupe?) de alienados do cercadinho acendendo uma vela a Deus e outra ao Diabo. Na Rússia, homenageia os soldados soviéticos do Exército Vermelho caídos na guerra contra o nazismo que ele tanto admira; e na Hungria fascistóide, se assume citando Mussolini com o slogan hipócrita, “Deus, Pátria e Família”.

O que fazer diante desta ensandecida situação que o Brasil atravessa? “Ouvir e obedecer” como fazem os bonzos do gabinete do ódio ou resistir à insensatez que nos envergonha e revolta. A vida não é só isto que se vê; da minha parte vejo muito mais e sei:  não tenho dúvidas….

 

GAZPACHO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Essa história de confusão mental é típica dos reacionários, que acham necessário ter ideias claras sobre tudo, interpretar tudo de modo racional, sem precisar duvidar de nada” (Frederico Fellini)

Marjorie Taylor Greene, deputada norte-americana que coleciona polêmicas na política dos Estados Unidos pelo extremismo negacionista, virou piada nas redes sociais ao confundir o nome da polícia secreta da Alemanha Nazista, a Gestapo, com o nome de um prato tipicamente espanhol, o Gazpacho.

Essa troca de nomes ocorreu num programa One America News onde Greene era entrevistada defendendo a invasão ao Capitólio; e, ao fazer uma crítica à presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que ela “que mantém uma ‘Polícia de Gazpacho’, embaraçando os nomes.

Um capítulo negro da História Universal registra que a Gestapo foi a polícia secreta oficial da Alemanha Nazista, criada em 1933 por Hermann Göring que reuniu várias agências de polícia. A tenebrosa “Geheime Staatspolizei” passou a ser chefiada em 1936 pelo assassino e torturador Heinrich Himmler, do círculo íntimo de Hitler.

A Gestapo realizou a maioria dos assassinatos dos opositores ao regime nazista e, controlando os campos de concentração, foi responsável pelo genocídio de eslavos, judeus, ciganos, testemunhas de Jeová e homossexuais.

Somente uma mente doentia poderá confundir essa figura horrenda mantida pelo nazismo com o Gazpacho, iguaria espanhola apreciada pelos gastrônomos do mundo inteiro. Trata-se de uma sopa de tomate (pode ser servida fria ou quente) temperada com alho, cebola, vinagre e, principalmente, azeite; é acompanhada com croutons de frigideira…

Reclama-se por se levar para zombaria e rebaixamento intelectual os radicais da extrema direita, esses que encontramos nas redes sociais divulgando falsos profetas para envenenar as fracas mentes aptas ao misticismo.

Investidos pela vaidade de amealhar cultura livresca, esses abstrusos e confusos divulgadores de Nostradamus e de infinitas mensagens diversionistas pessoais, julgando que convencem ter “independência política”; imprimem, na verdade, a marca das simpatias pelo totalitarismo, como um gato escondido com o rabo de fora….

Infelizmente eles aparecem como “especialistas” em mistificação. Estão sempre presentes nas redes sociais, mas são desmascarados por não verem disparidade no culto à personalidade do capitão Bolsonaro a disparidade entre os dedos e os anéis.

“Especialista é alguém que lhe diz uma coisa simples de maneira confusa, de tal forma a fazer você pensar que a confusão é culpa sua”, disse alguém de quem esqueci o nome e me desculpo repetindo o seu pensamento, completando-o com Dorothy Parker:  – “… não são as tragédias que nos matam, são as confusões”.

A confusão é plantada pelos pastores evangélicos politiqueiros que não distinguem a diferença entre a religião e os falsos profetas, nem entre a crença e os fiéis, e, muito menos, entre o Gazpacho e a Gestapo. Quem os desmascara é o autêntico Martin Luther King, que num dos seus brilhantes sermões disse que “a religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”.

Quanto aos outros, direitistas de oportunidade, surfam desengonçados nas ondas do populismo. É fácil encontrá-los no pântano da fraude e da mentira vigentes na Era Bolsonaro, onde há muitos a comandar e distorcer os conceitos de conservadorismo e honestidade.

O conservador não é insuficiente nas ideias de Justiça, Ordem e Progresso, nem se alia a trapaceiros; é por isso que não entendo que pessoas educadas não repudiem aqueles que criam estas confusões. Se honestos, penso, por exemplo, ser-lhes impossível apoiar o Governo Bolsonaro na política anti-vacina, aliada do vírus letal.

Da minha parte, sigo combatendo a necrofilia bolsonarista; e sinto-me compensado porque não estou só. Somos milhões os que nos sobrepomos ao redemoinho dos distúrbios do negativismo, colocando-nos acima da ignorância obscurantista.

 

 

BRIOCHES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. (Karl Marx)

É um privilégio ser casado com uma mulher conhecedora dos mistérios da padaria. É o meu caso; em casa, no cafezinho da tarde temos sempre novidades, principalmente receitas francesas…. Apreciamos Brioche, Croissant e Madeleine…. O primeiro é famoso; o Brioche entrou na História Universal como uma das causas da Revolução Francesa….

Trata-se de um pão de origem muito antiga; e, segundo o receituário, é feito com massa leve, fermentada, com alto teor de manteiga e ovos; a sua apresentação é atraente pela crosta dourada escura e escamosa, com o brilho acentuado pela aplicação de claras após a correção.

Como o Brioche entrou para a História? Segundo muitos historiadores franceses, presos ao anedotário popular, o gostoso pãozinho envolveu a rainha Maria Antonieta, de notória ingenuidade. Diz-se que assustada com a multidão que se aglomerava nos portões de Versalhes, perguntou a razão do povo parisiense estar revoltado.

– “É por que não têm pão para comer… ”, informou um dos cortesãos; ao que a princesa austríaca retrucou: –  “Se as pessoas têm fome e não tem pão, que comam brioche”.

Talvez essa historieta confirme o alheamento simbólico dos ocupantes do poder com relação às revoltas populares. Pode até ser falsa, criada por um marqueteiro revolucionário à época, mas se materializou.

Futuramente, no Brasil, quem sabe, entre para História a narrativa picaresca do capitão Bolsonaro, que abstraído na sua obsessão negacionista procure saber o motivo das críticas que recebe dos cientistas e médicos pela falta de vacinas e insumos contra a pandemia do novo coronavírus.

E o com a amoralidade que nem o Exército aguentou, o Capitão achegue-se ao “cercadinho” e exclame – “Se não tem vacinas, deem Cloroquina, Hidroxicloroquina e Invermectina…”

Esta continuada ausência de princípios morais ofende a opinião pública e causa revoltas. E tornou-se tão ruim que somente os autoproclamados “direitistas” – na verdade apenas fanáticos bolsonaristas –  aplaudem.

O resultado dessa “melódia” – a proclamada farsa presidencial – repete-se agora comp farsa a volta da corrupção lulopetista à cena política, com suspeitas pesquisas mostrando a liderança do corrupto Lula, condenado em três instâncias judiciais e livre pelo duvidoso garantismo judicial.

Invertendo para a tragédia vê-se que o retorno do corrupto lulopetismo é fruto das rachadinhas e dos não explicados cheques de Fabrício Queiroz, que levaram Bolsonaro a sabotar a Lava Jato e favorecer medidas jurídicas para garantir a polarização eleitoral….

Temos também a volta das propinas, conhecidas como “comissionamentos”, nas transações do Ministério da Saúde bolsonarista como comprovou a CPI da Covid, apontando a frustrada transação da vacina Covaxin, abortada pela denúncia do deputado Luiz Miranda.

O paralelismo dos populistas de direita e esquerda convergiu para o “bolsopetismo”, a fusão de ambos para o irrefreável mergulho no pântano da polarização. Mesmo enlameados, mantém o controle de 40 % do eleitorado oportunista e cúmplice. Daí a imoral e criminosa disputa midiática.

Nestas artimanhas, lembremos o pensamento de Michel de Montaigne – “Quantas coisas, que ontem eram artigos de fé, são hoje meras fábulas”…. Em 2018, muitos acreditaram na honestidade de Bolsonaro, desconhecendo os cambalachos das ligações familiares com milicianos e a prática de “rachadinhas”; viu-se apenas a luta da Lava Jato combatendo a roubalheira lulopetista na Petrobras e as propinas auferidas por Lula & Família.

Quem decide praticar o mal, encontra sempre um pretexto. E como todos sabem – até mesmo os fanáticos cultuadores de personalidades -, não se deve ignorar a verdade factual; é impossível ser ignorada e, por isto, quem a conhece e diz que é mentira, é criminoso.

 

EDUCAÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” (Immanuel Kant)

Já é a terceira ou quarta vez que abordo este tema desde que iniciei a publicação de artigos pelo Blog. Faço-o agora pela necessidade de reciclá-lo em virtude de um fato que ocorreu semana passada quando acompanhei a minha mulher no hospital aonde se submeteu a um procedimento médico.

Enquanto esperávamos a autorização do Plano de Saúde (cuja burocracia é revoltante no nosso caso, pela Unimed) os assentos na sala de espera estavam ocupados; o porteiro amavelmente me ofereceu a sua cadeira defronte da entrada.

Dali passei a observar as idas e vindas de funcionários, pacientes e visitantes. O jovem atendente abria a porta para todos, que o agradeciam com palavras, meneios de cabeça ou gesticulação simpática.

Então chegou um cidadão de jaleco com identificação “dr. fulano-de-tal”; homem de meia idade, corado e bem fornido como aqueles personal trainer da propaganda televisiva. O porteiro abriu a porta e ele adentrou sem sequer olhar para o atendente e voltou alguns minutos depois com o mesmo comportamento deplorável.

Esse “doutor” é o tipo que não recebeu educação nem aprendeu com os pais e professores que “bom dia”, “obrigado” e “por favor”, não custam nada, pode-se gastar à vontade…. Aquele indivíduo a quem minha mãe chamava “filho de chocadeira”….

É quando entra o entendimento do que é Educação. Muito mais do que a simples ministração cultural acumulada por gerações; é a práxis da polidez, que a sabedoria popular ensina que se deve tratar os outros como gostaria de ser tratado…

Indo aos dicionários, encontramos o substantivo feminino Educação de etimologia latina (educatio, -onis) derivada do verbo (educare), que contém a ideia de conduzir às normas do trato social.

O verbo educar significa instruir sobre a importância da capacidade intelectual, moral e física da pessoa humana, um aprendizado que é necessário ao desenvolvimento da personalidade.

A transmissão do saber é relativamente ampla em todos os níveis escolares presenciais, além do acesso aos conteúdos educacionais disponíveis na rede mundial de computadores, o chamado “on-line learning”.

O estudo exige disciplina, método e reflexão. Quatro mil anos se passaram da época em que Confúcio ensinava que “aprender sem refletir é desperdiçar a energia”; o que nos leva a ver a didática requerendo dos educadores atenção, experiência e principalmente boa formação intelectual.

Trata-se de um investimento para o futuro como alertou Pitágoras ao ensinar que “eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”.  E não são poucos homens e mulheres que merecem castigo pelo despreparo, incompetência e ignorância.

Sofremos no Brasil com isto ao assistir a falta de educação cívica dos governantes no enfrentamento da epidemia do novo coronavírus. Restam poucos e realçam mais os mercenários do que os iludidos, entre os que apoiam a diabólica procrastinação e até a estúpida desconfiança sobre a vacinação infantil.

No meio desses acompanhantes do negativismo, há alguns auto-assumidos “monarquistas”, grosseiros seguidores do capitão Bolsonaro – o presidente necrófilo, que deu “boas vindas” à variante “ômicron”.

São “monarquistas” que desconhecem a brilhante figura do imperador Pedro II, cuja cultura humanista nos deixou a bela alocução: “Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

MILHÕES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)  

“A Matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo” (Galileu Galilei)

Na dramática Era da Mediocridade que a humanidade atravessa, principalmente no Brasil, havendo pessoas afirmando que a “Terra é Plana”, nunca é demais exaltar a vida de Galileu Galilei, pela corajosa teoria do heliocentrismo, contra a cegueira dogmática do Vaticano no século 17.

Desde aquela época, a Igreja Católica mantém como dogmas ideias retrógradas, perseguindo as pessoas que agasalham a verdade científica, como Galileu condenado pela Inquisição em 1643 por  suas pesquisas astronômicas. Este fato ficou para traz com uma tímida autocrítica do papa Francisco.

A trapaça atualmente nasceu no ventre do conservadorismo protestante pela multiplicação de denominações evangélicas caça-níqueis, que vendem remédios ineficazes e adotam teses não científicas, como a negação da vacina no combate ao novo coronavírus.

Mas, como disse alguém que infelizmente não lembro quem, “contra a estupidez, não há nada que se possa fazer; e, na sua sapiência, Einstein registrou: “A diferença entre a estupidez e a genialidade é que a genialidade tem limites”….

Sem medo de tornar-me alvo do cego fanatismo, afirmo que todos aqueles, sem exceção, que negam a verdade científica são doentes mentais; porque com isto negam os telescópios de alta tecnologia, satélites observadores do cosmos e os avanços da Medicina.

Arrisco-me também a olhar para trás, repetindo um fato que contei em artigo anterior, e que para mim retrata o obscurantismo anticientífico no século 19:  visitando o Vaticano, o cientista alemão Alexandre von Humboldt ouviu do papa Pio VII que os meteoritos eram pedras que caíam de uma fenda na abóboda celeste…. Imaginem!

Temos agora na tela dos cinemas e à disposição pelo Netflix a espetacular película anti-negacionista “Não Olhe Para Cima”, que deve ser assistida por todos aqueles que têm a consciência liberta de dogmas e do obscurantismo mercantil religioso. O “não olhe para cima” é a proibição de buscar a verdade.

São incríveis as semelhanças entre as cenas do filme e a colossal ignorância do capitão Bolsonaro e da sua claque de sabotadores, contra as medidas de proteção na pandemia, condenando o uso de máscaras, promovendo aglomerações e pondo em dúvida a eficácia das vacinas.

Com este bando criminoso, assistimos a condução política dos destinos nacionais expressa num falso conservadorismo aliado a trapaceiros. Os governantes federais sequer se preocupam em justificar a estupidez negativista como se vê, sabotando criminosamente a vacinação infantil.

Essa política necrófila mantida pelo governo do capitão Bolsonaro, cria uma realidade paralela, esquizofrênica, de volta à eugenia hitlerista, com o Ministério da Saúde prescrevendo “tratamento de choque” para crianças autistas!

Registra-se assim o atraso do Brasil no concerto das nações civilizadas. A novela do negacionismo estúpido entra no seu quarto ano, assumindo clichês fraudulentos, reprimindo as críticas e investindo contra os órgãos de Estado, como o ataque odiento feito contra a Anvisa, entidade científica respeitada mundialmente.

De Cultura e Educação nem é preciso falar. Não seria a mentalidade presidencial formada num curso de 28 anos de Centrão, que trabalharia para um povo escapar do analfabetismo, da desinformação e da incultura. De onde viriam os votos para eleger os seus companheiros picaretas?

Foi entre aqueles picaretas que o Presidente aprendeu a terceirizar os próprios erros, trapaceando a opinião pública. Eis o balanço sucinto dos males cometidos pelo capitão Bolsonaro, Prêmio Nobel da Mentira…. E com a Matemática com que Deus construiu o Universo, registramos com alegria, a debandada de milhões dos que, iludidos, elegeram esta farsa….

HISTÓRIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“No misterioso livro do teu ser/ A mesma história, tantas vezes lida! (Fagner)

Não é de hoje; vem de muito longe o conhecimento geral de que quando um político quer conquistar o poder, mistifica as suas intenções, esconde os seus propósitos e tenta apagar o que a História registra. O exemplo está nas escrituras…. Vem com Saul, o primeiro rei de Israel, no Velho Testamento.

Sobrestando os juízes que lideravam os israelitas, Saul se impôs nas guerras contra os povos vizinhos e ganhou admiração popular derrotando os amalequitas, amonitas, edomitas e filisteus. Prestigiado, instalou um sistema monárquico e assumiu o posto supremo religioso da Nação.

Uma das suas primeiras medidas como grande rabino foi expulsar para além-fronteiras os magos e os adivinhos. Entretanto, diante de um novo e ameaçador ataque filisteu, foi a Endor, antes da batalha, interpelar uma pitonisa sobre a forma de conduzir o combate.

É sequencial no correr da História atitudes como esta entre os ocupantes do poder. Eles sofrem a síndrome da ilusão e consultam oráculos, buscam a interpretação do Tarot e a observação em bolas de cristal; creem na leitura de cartas e no jogo de búzios.

Comentava-se em Brasília que Fernando Collor, quando presidente, mantinha perto de si uma feiticeira alagoana; e todo mundo sabe que o capitão Bolsonaro e seus filhos tinham como guru o astrólogo Olavo de Carvalho, recém falecido.

Diante de constatações, o pai do ceticismo, Voltaire, nos deixou um pensamento sobre os falsos profetas dizendo que “a arte de adivinhar foi inventada pelo primeiro malandro que encontrou um pateta”. E do seu tempo até hoje os patetas proliferaram no comando de muitos países.

Durante o trágico e repulsivo regime nazista na Alemanha, os fanáticos seguidores de Hitler adoraram a cruz suástica, símbolo ocultista dos hindus e budistas, e os colaboradores íntimos, como Himler, criaram, em contraponto ao que chamavam “ciência dos judeus”, a tresloucada “Teoria do Gelo Cósmico”, a ideia estapafúrdia de uma Lua oca e a cretinice do “terraplanismo”.

Há ainda quem creia nestas idiotices nos círculos extremistas do bolsonarismo. Os dizimicidas “mercadores do Templo” que cercam Bolsonaro, negam a eficácia da imunização vacinal, e um deles – sentado no Panteão dos heróis do negativismo, o pastor Silas Malafaia – escreveu que o uso da vacina para crianças é “infanticídio”.

A mistificação pseudo religiosa ganhou muita força recentemente no Brasil. A chegada da funesta pandemia do novo coronavírus trouxe infaustas acepções sobre a saúde pública, nascidas do obsessivo achismo do capitão Bolsonaro, cujo ódio pela Cultura e pela Ciência é doentio.

… E faz pior expandindo a sua insanidade; receita remédio para malária (de uso corrente na Amazônia) para prevenir a covid-19; e aplaude o “feijão milagroso” de um pastor evangélico ligado à sua família.

Não satisfeito em desviar as atenções para o perigo do novo coronavírus, o capitão Bolsonaro zombou do sofrimento respiratório dos contaminados, imitando-os; e acrescentou à política necrófila do seu governo a repulsa pela imunização vacinal das crianças.

Nem os mais apopléticos fanáticos dele – que comprovavam falsamente nas redes sociais os benefícios da cloroquina, hidroxicloroquina e Invermectina – têm a coragem de afirmar o contrário para defender essas loucuras do Presidente.

… E está comprovado que o povo brasileiro, em sua imensa maioria, reage contra as revoltantes posições públicas de horror à Ciência. Mesmo sob a pressão propagandista nas redes sociais, nas lives presidenciais e dos mercenários e robôs no Whatsapp e no Twitter, mais de 30% dos seus eleitores de 2018 o abandonaram.

É por isto que dedico aos brasileiros a História tantas vezes lida por mim no misterioso livro do ser humano, amante da vida, que enfrenta os desígnios genocidas dos terraplanistas do bolsonarismo.

LOMBROSO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“ …. Os fatos mais grosseiramente óbvios podem ser ignorados quando não são bem-vindos. ”   (Orwell)

Fui atraído na mocidade pelas crônicas do escritor ítalo-argentino Pittigrilli pelo estilo sintético e colorido, muitos com curiosas alusões históricas e proverbiais despertando a atenção e enriquecendo o saber do leitor.

Já citei algumas passagens dele nos meus artigos; e recordei um dos seus interessantes comentários sobre o ritmo do tempo e a implacável mudança de costumes. Pittigrilli registrou que antes era permitido escrever longas cartas; e que na “atualidade” do seu escrito (década de 1940), “a estenografia e o ditafone mudaram o estilo epistolar….

Agora, os jovens nunca ouviram falar em “estenografia” e “ditafone” que viraram peças de museu. O cronista continuou carimbando o passado, lembrando também que “nos desculpávamos de escrever à máquina e que depois as desculpas foram por escrever à mão”.

Estas lembranças de um passado não muito distante chegam-nos com o computador à mão, cujo salto tecnológico deixou igualmente para trás as reflexões filosóficas e as inspirações poéticas.  Graças à internet e ao telefone celular, as transformações sociais adquiriram uma velocidade espantosa!

Assim, as grandes polêmicas no campo do Direito, da Medicina e da História da Civilização restringiram-se às universidades: sumiram das conversas do dia a dia e só aparecem nas redes sociais de vez em quando. Não se pensa nem discute as teses de Lombroso que assustavam os jovens estudantes de Direito na matéria de Direito Penal.

Nascido no século 19, o psiquiatra italiano Cesare Lombroso fundou a Escola Positiva do Direito apoiado por Enrico Ferri e Raffaele Garofalo, expoentes figuras de sua época; e com os três, inaugurou-se a etapa científica da criminologia.

A Antropologia Criminal passou a estudar o crime e o criminoso. Ainda em evolução, o estudo provoca o embate entre duas correntes em torno das teorias lombrosianas; de um lado, alinham-se os que aceitam a tese defendida por Lombroso do “criminoso nato” e do outro lado, brilhantes penalistas do século passado.

Embora em minoria, os defensores do pensamento de Lombroso repetem que o delinquente é um enfermo. Sem uma prova científica, apenas ajudam os advogados mal caracteres que defendem a absolvição por perturbação mental dos clientes ricos, assassinos de luxo, corruptos milionários e criminosos políticos….

Atesta-se, porém, nos meios jurídicos, que a aceitação do argumento de que criminoso é um enfermo vem sendo desprezadas, e mais desprezível a teses de que o criminoso nasce criminoso. Apoiar tais absurdos seria o mesmo que aceitar a tresloucada temática terraplanista, ou crer nas fantásticas profecias de Nostradamus, ou cair na conversa fiada de que os deuses da antiguidade eram astronautas….

Estas ideias estapafúrdias tão divulgadas nas redes sociais por diversionismo da realidade; e obviamente são rejeitadas pela Ciência do Direito, como as hipóteses do criminoso nato e do delinquente enfermo.

Poderiam, entretanto, ser motivo para piadas no cenário político brasileiro, onde dois exemplos de doentia delinquência se expõem na corrida presidencial deste ano: o capitão Bolsonaro e o pelego Lula da Silva.

Os brasileiros bem-informados e conscientes do seu papel na cidadania, sabem que os escorregos criminosos de ambos são frutos do carreirismo e da desvairada ambição pessoal; e por isto Lula foi condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro; e que Bolsonaro vem driblando a Justiça no caso das “rachadinhas”, dos cheques e do negativismo genocida.

Ainda assim, ambos creem e apostam na idiotia eleitoral, disputando a eleição para Presidência da República. Seus possíveis eleitores serão motivados pela propaganda enganosa e ficarão alienados da realidade. E dessa maneira se enquadrarão como paradigmas de Lombroso….