Artigo publicado n’ O METROPOLITANO. Nas bancas

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Volta da inflação amedronta brasileiros

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O Brasil não é somente o paraíso das multinacionais e dos banqueiros, é também das pesquisas de opinião pública. A última amostragem divulgada foi realizada pelo Ibope, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e trouxe números assustadores.

De um lado, conferimos que 53% mantêm a popularidade de Lula da Silva, exemplo de irresponsabilidade e associação com bandidos; do outro, contraditoriamente, os mesmos 53% dos entrevistados não aprovam a conduta do governo no combate à inflação.

Esta incoerência – que nos faz desconfiar de que há alguma coisa errada – descortina uma paisagem bastante curiosa: o povo, como os analistas financeiros, acredita que a inflação já se consolidou.

E a inflação que no passado tanto atormentou o Brasil, apavora literalmente os brasileiros e o PT-governo além de tomar apenas medidas paliativas ainda vem camuflando os números oficiais, interferindo indebitamente no Ipea – que foi durante anos uma fonte confiável.

O povo vê de longe, sem nenhuma participação, a dança dos números que animam as metas de inflação, a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a intervenção do Banco Central na base de juros.

Mas todos sentem, sejam pobres, remediados ou ricos, o punguista inflacionário meter a mão nos seus bolsos: em seis meses, a cesta básica dos alimentos encareceu 29%, o que não é pouco mesmo numa economia descontrolada.

Esta forte subida dos preços, de acordo com um levantamento feito pelo Dieese, atingiu 14 das 16 capitais monitoradas. Na Grande Natal a projeção é assustadora: a carestia atingiu 51,81% . João Pessoa e Recife acompanham este aumento de preços.

Ainda bem que o Dieese voltou – depois de largo período entorpecido pelas afinidades com o PT-governo. Com o Ipea garroteado, o Dieese nos ajudará a ver a realidade, principalmente constatando que a alta nos últimos 12 meses supera em muito o reajuste de 9,21% dado ao salário mínimo.

Fica então iluminada para quem tem olhos de ver, e ruidosa para quem tem ouvidos de ouvir a situação de perda do poder aquisitivo que os trabalhadores atravessam. Quem vive do trabalho experimenta que os reajustes de salário perdem para o preço do feijão, do arroz, das massas, dos lacticínios e da carne.

Como mensagem aos letrados e até para os que se limitam a ler e escrever, assinalamos que o móvel que nos leva ao desastre não é o recuo do salário médio, mas principalmente a tendência que a deterioração do poder aquisitivo sinaliza.

Não é demagogia palanqueira a afirmação de que a carestia vai piorar, fotografando uma economia corrompida (nos dois sentidos). Dessa maneira assistiremos Lula da Silva e seus parceiros estragarem o Plano Real de Itamar Franco e os esforços de Fernando Henrique para controlar a inflação.

O Presidente e o PT-governo só contribuem para o pior. A gastança irresponsável, o aparelhamento da administração pública, a roubalheira generalizada e as bolsas pão-e-circo, são os ingredientes de grande “sustança” para o banquete do Dragão.

Que tristeza a gente sente ao ver que as massas ignorantes não tenham noção desta realidade!

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