Arquivo do mês: maio 2008

Transparência???

Há alguns meses, depois de muita pressão, o Senado decidiu adotar a “transparência” na prestação de contas da ajuda de custo, aquela verba que os parlamentares têm para gastar em seus estados. Transparentes, mas não muito. A exemplo do que faz a Câmara, os senadores contam como gastam, mas não no que gastam.

Dão um resumo, dizendo que gastaram tanto em transporte, tanto em aluguel, tanto em assessoria, etc… Mas não entregam de jeito nenhum as notas fiscais, que permitiriam fiscalizar as despesas.

Fonte: Blog do Krieger/Leandro Colon

Novos ventos

Tudo parecia pronto para a indicação de Luiz Paulo Horta para a vaga de Zélia Gattai na Academia Brasileira de Letras. Mas na última sexta-feira, duas novas inscrições foram apresentadas: a de Isabel Lustosa e a de Antonio Torres. O cartunista Ziraldo avisou que vai mandar sua carta no começo dessa semana. A conferir.

Na última quarta-feira, a ABL realizou a “Sessão da Saudade”, a homenagem que a academia faz a acadêmico falecido. Isso marca também a data para a eleição do novo ocupante daquela cadeira, que deve acontecer 60 dias depois. A eleição do novo imortal será, portanto, dia 21 de agosto.

Há outros candidatos, como Bárbara Heliodora e Fábio Lulcas, que até agora não registraram suas candidaturas, mas, aqui e acolá, já se fala em “novos ventos” na Casa. E esses ventos poderiam soprar para o lado do tropicalismo, o importante movimento musical brasileiro. Haveria grande simpatia de alguns acadêmicos, dizem que até da maioria da Casa, pelo nome do ministro Gilberto Gil.

Não se sabe do interesse dele em figurar na galeria dos imortais. Gil esteve na ABL recentemente para a inauguração do teatro e encantou muitos.

*** Apenas como lembrança, vale contar que há alguns anos, Chico Buarque foi sondado por um dos imortais sobre a possibilidade de ele se inscrever para uma vaga na Academia. Chico recusou e contou a razão. Seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, firmara compromisso com Carlos Drumond e Érico Veríssimo de que nenhum dos três nunca iria disputar uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Eles reagiam à eleição de Getúlio Vargas, em 1941, para uma cadeira na Casa de Machado de Assis. A presença de Getúlio na ABL se resumiu à eleição e posse. Logo no discurso de posse, ele reconheceu que tinha pouca afinidade com as letras. E que a atividade intelectural, para ele, era uma imposição da vida política.

Fonte: Cristiana Lôbo

OPINIÃO

Nada vai mudar

Que pode mudar no meio ambiente? (23/5, A2). A resposta é nada, porque não interessa ao presidente. Washington Novaes mesmo cita os aliados eleitorais que o presidente corteja. O sr. Carlos Minc pode-se demitir também. Pelo menos a verdade ficaria escancarada diante de sociedade nacional e internacional.

Harald Hellmuth (hhellmuth@uol.com.br)

AMBIENTALISMO

Canetada atômica

Escolhido para chefiar o Ibama na gestão de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente, o geógrafo Roberto Messias Franco, quadro do PT mineiro, assume o cargo com uma recomendação: conceder nas próximas semanas o licenciamento prévio da usina nuclear de Angra 3, um investimento de R$ 7,2 bi.

A Eletronuclear e o pool de empreiteiras que tocarão as obras pressionam. O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) tem pressa. Mas, além do exército de ambientalistas, Messias tem pelo caminho a Procuradoria da República em Angra dos Reis (RJ), que aponta irregularidades no processo: falta de estudos de impacto ambiental, de um plano de emergência e de um depósito permanente para os resíduos.

Renata Lo Prete, jornalista (painel@uol.com.br)

FRASE DA VEZ_1/26

“Não há nem nunca houve um projeto sólido com ênfase na cultura, na política deste país. Os governantes simplesmente não sabem o que fazer com ela”.

Miguel Falabella, intelectual versátil

FRAUDE/BNDES

Lula da Silva entrega o “companheiro Paulinho”

Na abertura no 20º Fórum Nacional, promovido pelo Inae (Instituto Nacional de Altos Estudos), no Rio de Janeiro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que, quem cometeu irregularidades no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve ser punido. O evento acontece na sede do banco.

“Queria começar registrando minha solidariedade ao corpo de funcionários do BNDES. É bem possível que numa instituição do tamanho do BNDES possa ter uma ou outra pessoa que cometa desvios e, portanto, tem que pagar esse preço do desvio cometido”, afirmou. No mês passado, a Polícia Federal revelou um esquema de desvio de verbas do BNDES para empresas e prefeituras implantarem projetos financiados pelo banco.

(UolNews)

Charge do Sponholz

Fonte: chargeonline.com.br/Sponholz

História – há 40 anos…

26/05/1968 – O futuro do Corpo Humano

Havia qualquer coisa de estranho na madrugada do Hospital das Clínicas em São Paulo. Grupos de médicos e enfermeiras encontravam-se para trocar idéias ao longo dos intermináveis corredores. No hall, na entrada da sala cirúrgica o clima de agitação era particularmente acentuado: não havia médico ou enfermeira que não colocasse o nariz contra o vidro da janelinha da porta de acesso.

O primeiro transplante de coração foi feito pelo médico Dr. Euríclides de Jesus Zerbini, que logo após sair da mesa de operação, ainda afrouxando os cordões da máscara e recompondo os cabelos espremidos sob a touca branca, responde com o polegar levantado e um sorriso aberto.No isolamento, ao lado da cirurgia, o coração de um doador anônimo, morto naquela mesma madrugada por atropelamento, palpita no peito de um boiadeiro mato-grossense, portador de uma incurável moléstia de Chagas.

O Presidente Costa e Silva transmitiu através do Gabinete Civil as “mais calorosas felicitações do Governo e do povo brasileiro”. Em sua mensagem, Costa e Silva ressaltou que o sucesso da intervenção cirúrgica enchia de orgulho a Nação e elevava a medicina brasileira. Em Paris, Bruxelas e Lisboa o êxito da cirurgia brasileira foi noticiada.

Uma trajetória salvando vidas

Euclydes de Jesus Zerbini nasceu em Guaratinguetá – São Paulo em 1912, tornando-se um importante cirurgião. Pioneiro da cirurgia cardíaca, o Dr. Zerbini já era um conceituado cirurgião mesmo antes do transplante. Em 1942 havia salvo a vida de um menino de 7 anos ao abrir seu coração e religar a artéria coronária. Além do pioneirismo nesse tipo de cirurgia, Zerbini foi responsável por tornar o Brasil um dos mais avançados centros de cirurgia cardiológica do mundo, com a criação do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.

Dr. Zerbini morreu em 1993 aos 81 anos.

Fonte: CPDOC/JB

Tubarão Martelo - Richard Merrit

Tubarão Martelo

Foto: Richard Merrit

Artigo publicado n’ O METROPOLITANO. Nas bancas

O Mistério do Meio Ambiente

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O Ministério do Meio Ambiente está na ordem-do-dia das casas parlamentares, na pauta dos jornais e na cabeça das pessoas que se interessam por política neste país; eu, porém sinto-me mais atraído pelo “mistério do meio ambiente”.

Para mim não são poucos os segredos e enigmas que o meio-ambiente encerra. Em primeiro lugar, sinto-me o mais comum dos homens fundindo num só cadinho a ecologia social no conjunto das condições naturais e suas influências sobre a humanidade; e este amálgama no Brasil tem um nome: Amazônia.

Os literatos são geniais. Os poetas cantaram a Amazônia Misteriosa e os ficcionistas, como Ferreira de Castro, enveredaram n’ A Selva. Seus opostos, quase contrários, são os políticos; estes precisam de lentes para enxergar o óbvio.

Muitos poucos deles decodificaram a mensagem de Marina Silva, que evitou os embustes que o poder evidenciou em Lula da Silva. Quando decidiu sair de cena na pantomima teatralizada no Palácio do Planalto, mandou seu chefe de gabinete levar a carta de demissão ao secretário pessoal do Presidente.

Marina foi simples como a Marina genialmente criada por Dorival Caymi, e também se pintou, com a pintura de guerra dos bororos, caetés e dos tamoios. Religiosa, a senadora acreana não tirou um mistério do seu rosário, mas da esperteza do caboclo amazônico sobre um pau-de-arara aculturado no ABC paulista. E ganhou dele com toda experiência de pelego que tem.

Também tiramos o imponderável amazônico da palestra cristalina do General Augusto Heleno no Clube Militar. Ele não expôs mitos nascidos no claro-escuro da floresta: apontou a cobiça internacional sobre as nossas riquezas, a fraude das ONGs estrangeiras e a caótica política indigenista do PT-governo.

Agora, sem cultos secretos ou cerimônias para iniciados, temos a designação do ambientalista Carlos Minc. Ambientalista pragmático, que fundador do Partido Verde, trocou essa legenda pela do PT para se eleger deputado estadual no Rio. Um editorial do Estadão olhando o lado de Lula da Silva, fala do ministro-convidado:

“Fossem outros os tempos e as pessoas, a passagem de Carlos Minc pelo governo federal teria terminado na ante-sala do presidente da República. Lá, um funcionário de terceiro escalão o teria informado de que o presidente Lula havia se equivocado ao convidá-lo para assumir o Ministério do Meio Ambiente e ficava o dito pelo não dito”.

Esta ótica do jornalão paulista, intérprete da oligarquia financeira, mostra o que está oculto à vista do grande público. Nas entrelinhas o Estadão diz que Lula engoliu um sapo colorido de Ipanema, não aquele anfíbio da ordem Anura, participante ribeirinho das pajelanças e catimbós.

Resta saber como Minc vai se comportar. Até agora achamos que o convite para o ministério deveria ter sido recusado, porque ele levou ao Planalto dez pedidos e saiu de lá sem nada, sem autonomia, sem poder e sem dinheiro.