Um mês
Quebra do Lehman: mundo não é mais o mesmo
O mundo não é mais o mesmo desde o dia 15 de setembro de 2008. Há exatamente um mês, quebrava o banco de investimentos americano Lehman Brothers. Era uma segunda-feira, e após um final de semana de intensas negociações, o Fed optou por cruzar os braços e deixar o banco falir.
Pode-se dizer que foi a maior barbeiragem das autoridades monetárias do capitalismo moderno. Naquele dia, o presidente do Fed, Ben Bernake, e o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, decidiram que não salvariam mais nenhuma empresa com problemas relacionados à crise das hipotecas subprime.
Mas a postura não durou nem dois dias. Logo em seguida, eles foram obrigados a injetar dinheiro na seguradora AIG. E desde então, o mundo não pára de gastar para tentar conter a crise. O montante colocado à disposição passa de US$ 2 trilhões.
O impacto na credibilidade de Bernanke e Paulson sobre os investidores foi devastador: o mercado percebeu que eles erraram, e os dois perderam confiança, que ainda hoje não foi recuperada.
O resultado da ação se viu imediatamente nas bolsas: naquela segunda-feira o Dow Jones teve a maior queda (até então) desde o 11 de setembro, assim como o Ibovespa, que caiu 7,59%. Começava a crise sistêmica que hoje, 30 dias depois, ainda abala os mercados.
Bush foi às TVs para tentar conter o pânico que se encava. Fez um discurso muito parecido com todos que estamos vendo nos últimos dias. Disse que confiava na economia americana, e que o mercado financeiro iria se adaptar. Não foi o que se viu.
Os fantasmas do Lehman ainda continuam rondando o mercado até hoje. Muitos investidores que compraram papéis do banco tinham comprados também seguros sobre esses papéis. Quem vendeu os seguros ainda tem que pagar por eles. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados.
Provavelmente teria ficado mais barato se o governo tivesse seguido um plano parecido com o que fez para salvar o Bear Stears, facilitando sua compra por outro banco.
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