Texto de Dora Kramer
Vamos abrir aspas para Dora Kramer; ela merece:
Cada um por si
A administração do “day after” da utilitária rebelião do PMDB no Senado, derrubando medida provisória de criação de cargos, entre os quais um ministério, será um tanto mais complicada do que à primeira vista pareceu. O presidente Luiz Inácio da Silva, como ocorre nessas ocasiões de desarranjo político, resolveu tomar a si as funções de articulador, avocadas logo após a eleição e em seguida deixadas ao encargo do ministro Walfrido Mares Guias e das lideranças no Congresso.
Veio o caso Renan Calheiros, se impôs a premência da aprovação da CMPF, instalou-se a impaciência com a demora na distribuição dos favores decorrentes da paga à coalizão de 11 partidos e deu-se a desarticulação. Presidentes da República assumirem a linha de frente da articulação sem um devido anteparo protetor representa sempre um risco. Ainda mais com base tão heterogênea e desprovida de cerimônia na cobrança de suas faturas.
Mas Lula deve saber o que faz, embora nem sempre tenha controle sobre o que diz. Por exemplo, agora discursa contra a barganha e, ato contínuo, abre a temporada de negociações com vistas a retomar as rédeas para evitar maiores prejuízos de arrecadação com eventual atraso na aprovação do imposto do cheque.
Dora Kramer, jornalista
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