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Joao Gilberto – Carinhoso

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Poesia

Nihil novum

 

 

Na penumbra do pórtico encantado
De Bruges, noutras eras, já vivi;
Vi os templos do Egito com Loti;
Lancei flores, na Índia, ao rio sagrado.

No horizonte de bruma opalizado,
Frente ao Bósforo errei, pensando em ti!
O silêncio dos claustros conheci
Pelos poentes de nácar e brocado…

Mordi as rosas brancas de Ispaã
E o gosto a cinza em todas era igual!
Sempre a charneca bárbara e deserta,

Triste, a florir, numa ansiedade vã!
Sempre da vida ? o mesmo estranho mal,
E o coração ? a mesma chaga aberta!

 

Florbela Espanca  

 

A Poetisa

Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose.

 

Registrada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registrado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.

 

Saiba mais sobre Florbela  Clique aqui para ler

Cartola e Leci Brandão – Alvorada – Programa Ensaio

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Poesia

QUE PAÍS É ESTE? (1980)

(fragmento)

para Raymundo Faoro

 

              Puedo decir que nos han traicionado? No. Que

               todos fueron buenos? Tampoco. Pero allí está

               una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

                                                                 CÉSAR VALLEJO

 

1

       Uma coisa é um país,

           outra um ajuntamento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um regimento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra o confinamento.

 

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno “Avante”

                                     – e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”

e éramos maior em tudo

                                        – discursando rios e pretensão.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um fingimento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra um monumento.

 

           Uma coisa é um país,

           outra o aviltamento.

 

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

                                 e ler anais

como anal

                   animal

                               hiena patética

                                                       na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

                                                            procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

 

             Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

              nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar

              no mofo dos papiros, no bolor

              das pias batismais, no bodum das vestes reais

              a ver o que se salvou com o tempo

              e ao mesmo tempo

                                               – nos trai.

 

Affonso Romano de Sant´anna

Luiza – Edu Lobo & Tom Jobim

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Poesia

Máscara Mortuária de Graciliano Ramos

 

Feito só, sua máscara paterna

Sua máscara tosca de acridoce

Feição, sua máscara austerizou-se

Numa preclara decisão eterna.

 

Feito só, feito pó, desencantou-se

Nele o intimo arcanjo, a chama interna

Da paixão em que sempre se queimou

Seu duro corpo que ora longe inverna.

 

Feito pó, feito pólen, feito fibra

Feito pedra, feito o que é morto e vibra

Sua máscara enxuta de homem forte

 

Isto revela em seu silêncio à escuta:

Numa severa afirmação da luta

Uma impassível negação da morte.

 

Vinicius de Moraes (1913-1980)

 

 

Obs.: Graciliano Ramos nasceu em 27/10/1892 e faleceu em 20/03/1953