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Poesia
A flor do maracujá
Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá !
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.
Pelas tranças da mãe-d’água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.
Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá !
Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá !
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová !
Pela lança ensangüentado
Da flor do maracujá !
Por tudo que o céu revela !
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh’alma
De tua alma escrava está !!..
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá !
Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em – a –
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!
Fagundes Varela
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Antonio Carlos Martins – Bach
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=hL0KRGb-9Ac]
Ária da 4ª corda, de J.S. Bach, interpretada pelo grande pianista João Carlos Martins, um dos maiores intérpretes de Bach ao piano, e pela Orquestra HSBC, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro, na noite de 03.10.2007, em Brasília.
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TIM MAIA CANTANDO O HINO DO MENGÃO
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=50UQeAt53Tw]
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Poesia
Vintém de Cobre
Eu vestia um antigo mandrião
de uma saia velha de minha bisavó.
Eu vestia um timão feio
de pedaços, de restos de baeta.
Vintém de cobre:
ainda o vejo
ainda o sinto
ainda o tenho
na mão fechada.
Vintém de cobre:
dinheiro antigo.
Moeda escura,
recolhida, desusada.
Feia, triste, pesada.
Corenta. Vintém. Derréis.
Dinheiro curto, escasso.
Parco. Parcimonioso
de gente pobre,
da minha terra,
da minha casa,
da minha infância.
Vintém de cobre:
Economia. Poupança.
A casa pobre.
Mandrião de saias velhas.
Timão de restos de baeta.
Colchas de retalhos desbotados.
Panos grosseiros, encardidos, remendados.
Vida sedentária.
Velhos preconceitos.
Orgulho e grandeza do passado.
Pé-de-meia sempre vazio.
E o sonho de ajuntar.
Melhorar de vida, prosperar,
num esforço inútil e tardio.
Corenta, vintém, derréis…
Eu ajuntando.
Mudando de caixinha, mudando de lugar,
Diziam, caçoando, as meninas da escola:
“- Muda de lugar que ele aumenta…”
Eu acreditava.
Guardava cinquinho a cinquinho
na esperança irrealizada
de inteirar quinhentos réis.
Fui criança do tempo do cinquinho,
do tempo do vintém.
Do antigo mandrião
de saias velhas da vovó.
De cobertas de retalho,
de panos grosseiros encardidos,
remendados.
De velhos preconceitos
– orgulho e grandeza do passado.
Opulência. Posição social.
Sesmarias. Escravatura.
Caixas de lavrado.
Parentes emproados.
Brigadeiros. Comendadores,
visitando a Corte,
recebidos no Paço.
Decadência…
Tempos anacrônicos, superados.
Fui menina do tempo do vintém.
Do timão de restos de baeta.
Fiquei sempre no tempo do cinquinho.
No tempo dos adágios que os velhos
sentenciavam
enfáticos e solenes:
“- Quem nasce pra derréis não chega a vintém.”
Pessimismo recalcando
aquele que pensava evoluir.
“Vintém poupado, vintém ganhado.”
Estatuto econômico. Mote gravado
no corpo de algumas emissões.
“Na pataca da miséria o diabo tem sempre um vintém.”
Isto se dizia, quando moça pobre se perdia.
“Quem compra o extraordinário
vê-se obrigado a vender o necessário.”
Doía… impressionava.
Era a Sabedoria que falava.
E a gente sentia até uma lagrimazinha de remorso
no canto do olho.
E se via mesmo de trouxinha na cabeça,
andando de déu em déu,
perseguida dos credores.
A casinha penhorada.
Os trenzinhos dados á praça.
Tudo irrecuperado, perdido,
porque tinha comprado o extraordinário:
um vestido de chita cor-de-rosa
pintadinho de azul.
O tempo foi passando, foi levando:
minha bisavó, meu avô, minha mãe, minhas irmãs.
A velha casa.
Os velhos preconceitos
de cor, de classe, de família.
O tempo, velho tempo que passou,
nivelou muros e monturos.
Remarcou dentro de mim
a menina magricela, amarela,
inassimilada,
do tempo do cinquinho.
Eu tinha um timão de restos de baeta.
Eu tinha um mandrião de uma sai velha
de minha bisavó.
Vintém de cobre:
ainda o vejo
ainda o sinto
ainda o tenho
na mão fechada.
Moeda triste,
escura, pesada,
da minha infância,
da casa pobre.
Cora Coralina
A Poetisa
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nascida em 20/08/1889, na cidade de Goiás, iniciou sua carreira literária aos 14 anos, com a publicação do conto “Tragédia na roça”.
Saiu de Goiás em 1911, retornando em 1954, quando exerceu a atividade de doceira. Durante sua vida participou de diversas entidades culturais. Publicou quatro livros: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Meu Livro de Cordel, Vintém de Cobre-Meias Confissões de Aninha e um infantil: Os Meninos Verdes.
Sintam a admiração do poeta Carlos Drummond de Andrade, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:
“Minha querida amiga Cora Coralina: Seu “Vintém de Cobre” é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (…).”.
Faleceu em 10/04/1985.
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Emil Gilels – Prelude Op. 23 No. 5 – Rachmaninoff
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=VXU7I_Yyi2Y]
Emil Grigoryevich Gilels (Odessa, 19 de outubro de 1916 – Moscou, 14 de outubro de 1985) Gilels nasceu em Odessa, filho de uma família de músicos judeus. Ele começou a estudar piano aos seis anos de idade com o professor Yakov Tkach, e fez sua primeira apresentação em público em 1929. Em 1930, Gilels ingressou no Conservatório de Odessa, onde foi aluno de Berta Reingbald, a quem Gilels atribui como a sua primeira influência de formação.
Em 1933, Gilels vence o inédito “Concurso de piano da União Soviética”, aos 16 anos. Após a graduação no Conservatório de Odessa em 1935, Gilels ingressou no Conservatório de Moscou, onde ele foi aluno do famoso professor Heinrich Neuhaus e fora companheiro do pianista Sviatoslav Richter. Em seu último ano no Conservatório, aos 21 anos, ele venceu o Festival Internacional Ysaÿe em Brussels, derrotando, por exemplo, os pianistas Arturo Benedetti Michelangeli (que recebeu nota zero dos juízes italianos) and Moura Lympany.
Gilels foi o primeiro artista soviético a ter permissão de viajar extensivamente para o Ocidente. Após a Segunda Guerra Mundial, em 1947, Gilels começou uma turnê pela Europa e fez a sua primeira apresentação na América em 1955, interpretando o Concerto para piano No. 1 de Tchaikovsky, na Filadélfia. Sua turnê nos EUA incluía Nova York e Chicago, onde ele foi regido por Fritz Reiner, pela Chicago Symphony Orchestra.
Gilels era considerado como um herói na União Soviética, e ganhou o Prêmio Stalin em 1946, o prêmio Ordem de Lenin em 1961 e 1966, e o Prêmio Lenin em 1962.
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Geraldo Azevedo – Dia Branco
CLIQUE AQUI PARA OUVIR "DIA BRANCO"
Começou a aprender violão por conta própria em Petrolina (PE), onde nasceu. Na juventude mudou-se para Recife, onde integrou o grupo Construção, de que faziam parte Naná Vasconcelos, Teca Calazans e membros do Quinteto Violado, Marcelo Melo e Toinho Alves.
Aos 22 anos foi para o Rio de Janeiro e tocou no Quarteto Livre, que acompanhava Geraldo Vandré. Gravou o primeiro disco em 1972 junto com Alceu Valença, resultado da performance da dupla no Festival Internacional da Canção daquele mesmo ano.
Sua música se caracteriza pela mistura de frevo, música negra, bossa nova e letras elaboradas, algumas em parceria com outros poetas como Capinam e Geraldo Amaral.
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Poesia
As penas do amor
Sobre os telhados a algazarra dos pardais,
Redonda e cheia a lua – e céu de mil estrelas,
E as folhas sempre a murmurar seus recitais,
Haviam esquecido o mundo e suas mazelas.
Então chegaram teus soturnos lábios rosa,
E junto a eles todas lágrimas da terra,
E o drama dos navios em águas tempestuosas
E o drama dos milhares de anos que ela encerra.
E agora, no telhado a guerra dos pardais,
A lua pálida, e no céu brancas estrelas,
De inquietas folhas, cantilenas sempre iguais,
Estão tremendo – sob o mundo e suas mazelas
W.B.Yeats
O Poeta
W.B.Yeats (como costuma ser designado) foi um dos grandes nomes da literatura de língua inglesa. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1923, afirmando o comitê que “sua poesia sempre inspirada, que através de uma forma de alto nível artístico dá expressão ao espírito de toda uma nação.”
Em 1889 fundou, juntamente com a escritora Isabella Augusta Gregorym, uma das incentivadoras do grupo teatral irlandês Renascimento Celta, o Irish Literary Theater de Dublin, transformado em 1903 na Irish National Theatre Society. Esta companhia, grande impulsionadora do teatro nacional irlandês, encenou especialmente peças de Yeats e de John Millington Synge.
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