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John Williams toca Villa Lobos – Prelude No.5

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Luxemburgo canta: nem luxo, nem lixo

 

Poesia

A Pantera

 

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

 

Rilke

 

 Rainer Maria Rilke

 

O Poeta

 

Nascido em Praga, que então fazia parte do império austro-húngaro, Rainer Maria Rilke (04/12/1875-29/12/1926) teve uma infância difícil e traumática, marcada pela separação dos pais e pelo suicídio de um irmão.

 

Estudou Literatura e História da Arte nas Universidades de Praga, Munique e Berlim. Em 1894, aos 19 anos, publicou poemas de amor intitulados “Vida e Canções”.

 

Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, escritora russa que depois se tornaria psicanalista. Com Lou Salomé, conhecida como uma mulher sedutora e bem relacionada, em 1899, viajou pela Rússia, impressionando-se com suas paisagens. No ano seguinte, escreveu “Histórias do Bom Deus”.

 

No começo do século 20, Rilke afastou-se do simbolismo francês e passou a escrever em um estilo mais realista. Publicou “O livro das Imagens” (1902) e a série de versos “O livro das Horas” (1905).

 

Em Paris, em 1901, Rilke se casou com Clara Westhaff, uma discípula do famoso escultor francês Rodin, com quem teve uma filha. O casamento durou apenas um ano. Entre 1905 e 1906 o escritor trabalhou como secretário de Rodin, que exerceu grande influência sobre os seus poemas.

 

“Os Cadernos de Malte Laurids Brigge” foram escritos em 1910 e são considerados pela crítica como sua obra em prosa mais importante.

 

De 1910 a 1912, Rilke viveu no castelo de Duíno, na região de Trieste, como convidado da princesa Maria Von Thurn und Taxis. Lá escreveu os poemas que formam “A Vida de Maria” (1913). Lá também começou a escrever “Elegias de Duíno”, que foram publicadas em 1923.

 

Durante a Primeira Guerra Mundial, Rilke permaneceu em Munique. Depois de realizar uma viagem pelos países mediterrâneos, estabeleceu-se na Suíça, onde faleceu em 1926.

chargeonline.com.br/Duke

chargeonline.com.br/Duke

Jamelão e Chico – Piano na Mangueira

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Poesia

 Define a Sua Cidade

De dois ff se compõe

 

esta cidade a meu ver:

 

um furtar, outro foder.

 

Recopilou-se o direito,

 

e quem o recopilou

 

com dous ff o explicou

 

por estar feito, e bem feito:

 

por bem digesto, e colheito

 

só com dous ff o expõe,

 

e assim quem os olhos põe

 

no trato, que aqui se encerra,

 

há de dizer que esta terra

de dous ff se compõe.

 

Se de dous ff composta

 

está a nossa Bahia,

 

errada a ortografia,

 

a grande dano está posta:

 

eu quero fazer aposta

 

e quero um tostão perder,

 

que isso a há de perverter,

 

se o furtar e o foder bem

 

não são os ff que tem

 

esta cidade ao meu ver.

 

Provo a conjetura já,

 

prontamente como um brinco:

 

Bahia tem letras cinc0

que são B-A-H-I-A:

 

logo ninguém me dirá

 

que dous ff chega a ter,

 

pois nenhum contém sequer,

 

salvo se em boa verdade

 

são os ff da cidade

 

um furtar, outro foder.

 

Gregório de Matos

 

O Poeta

Gregório de Matos e Guerra nasceu, de família abastada, em Salvador, provavelmente em 1636. Em 1651 foi para Portugal, onde ingressou, no ano seguinte, na Universidade de Coimbra. Formando-se em 1661, casa-se com Micaela de Andrade e ocupa vários cargos na magistratura portuguesa.

Enviúva em 1678 e retorna para o Brasil, abatido e desiludido, em 1681. Em Salvador, leva uma vida desregrada, improvisando poemas acompanhados de viola e satirizando os poderosos. Casa-se com Maria dos Povos e é banido, provavelmente em 1694 para Angola.

Um ano depois, volta ao Brasil, mas, impedido de regressar a Salvador, vai para Recife, onde morre no ano seguinte. Há muitas dúvidas tanto sobre sua vida quanto sobre a autoria real de muitos dos poemas a ele atribuídos. Podemos mesmo dizer, como o fez James Amado, que o Gregório de Matos que chegou aos nossos dias não é um só homem, mas “a poesia da época chamada Gregório de Matos”.

Concerto Cello Haydn – Rostropovich 1981

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Mstislav Leopoldovitch Rostropovich foi um violoncelista e maestro russo (tendo-se mais tarde naturalizado americano), unanimemente apontado como o maior violoncelista do século XX. Estudou no conservatório da capital (do qual mais tarde seria docente) tendo como professores, entre outros, Dmitri Shostakovitch e Serguei Prokofiev.

 

Rostropovich lutou por uma arte sem fronteiras, pela liberdade de expressão e pelos valores democráticos, resultando em reprimendas por parte do regime soviético comunista. Em 1974, Rostropovich fugiu da então URSS devido à sua defesa intransigente dos direitos humanos e ao seu apoio a figuras dissidentes.

 

Em 1978 acabaria por ver a sua cidadania na União Soviética revogada devido à sua oposição ao regime. Conseguiu regressar ao país apenas 16 anos depois, quando Mikhail Gorbatchov era o líder da União.

chargeonline.com.br/Jorge Braga

chargeonline.com.br/Jorge Braga

Poesia

 

A valsa

 

 

Tu, ontem,

Na dança

Que cansa,

Voavas

Co’as faces

Em rosas

Formosas

De vivo,

Lascivo

Carmim;

Na valsa

Tão falsa,

Corrias,

Fugias,

Ardente,

Contente,

Tranqüila,

Serena,

Sem pena

De mim!

 

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!…

— Não negues,

Não mintas…

— Eu vi!…

 

 

Valsavas:

— Teus belos

Cabelos,

Já soltos,

Revoltos,

Saltavam,

Voavam,

Brincavam

No colo

Que é meu;

E os olhos

Escuros

Tão puros,

Os olhos

Perjuros

Volvias,

Tremias,

Sorrias,

P’ra outro

Não eu!

 

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!…

— Não negues,

Não mintas…

— Eu vi!…

 

 

Meu Deus!

Eras bela

Donzela,

Valsando,

Sorrindo,

Fugindo,

Qual silfo

Risonho

Que em sonho

Nos vem!

Mas esse

Sorriso

Tão liso

Que tinhas

Nos lábios

De rosa,

Formosa,

Tu davas,

Mandavas

A quem ?!

 

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De arnores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!…

— Não negues,

Não mintas,..

— Eu vi!…

 

 

Calado,

Sózinho,

Mesquinho,

Em zelos

Ardendo,

Eu vi-te

Correndo

Tão falsa

Na valsa

Veloz!

Eu triste

Vi tudo!

 

 

Mas mudo

Não tive

Nas galas

Das salas,

Nem falas,

Nem cantos,

Nem prantos,

Nem voz!

 

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

 

 

Quem dera

Que sintas!…

— Não negues

Não mintas…

— Eu vi!

 

 

Na valsa

Cansaste;

Ficaste

Prostrada,

Turbada!

Pensavas,

Cismavas,

E estavas

Tão pálida

Então;

Qual pálida

Rosa

Mimosa

No vale

Do vento

Cruento

Batida,

Caída

Sem vida.

No chão!

 

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!…

— Não negues,

Não mintas…

Eu vi!

 

Casimiro de Abreu

 

O Poeta

 

 

 Nascido na fazenda Indaiaçu, em Barra de São João (RJ), José Marques Casimiro de Abreu cedo abandona os estudos secundários, dedicando-se, por influência paterna, ao comércio.

 

Entre 1853 e 1857, vive em Portugal. Retornando ao Rio de Janeiro, o jovem comerciante leva vida boêmia e pública, com sucesso, seu livro As Primaveras (1859). No ano seguinte, morre tuberculoso.

 

Sua poesia, bastante popular, pouco apresenta de inovador. Conhecido como “o poeta da infância”, desdobra-se em lamentos exacerbados sobre a pureza perdida. No poema “Amor e Medo”, sintetiza a insegurança adolescente frente ao sexo, o que levou Mário de Andrade a agrupa-los  os poetas do período sob a denominação de “geração do Amor e Medo”.

Gabriel´s Oboe – Ennio Morricone

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O maior compositor de trilhas sonoras com participações em mais de 300 filmes. Gabriel’s Oboé é umas das suas maiores obras-primas. Ennio Morricone que acaba de receber o oscar honorário na 79ª edição dos prêmios da Academia, num momento contagiante, recebendo o maestro o prêmio das mãos de Clint Eastwood, que provou ser um grande interprete de italiano.