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Fagner e Zeca Baleiro – Flor da Pele / Revelação

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chargeonline.com.br/Ique

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Poesia

 Aos Poetas Clássicos

 

Poetas niversitário,

Poetas de Cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia;

Se a gente canta o que pensa,

Eu quero pedir licença,

Pois mesmo sem português

Neste livrinho apresento

O prazê e o sofrimento

De um poeta camponês.

 

Eu nasci aqui no mato,

Vivi sempre a trabaiá,

Neste meu pobre recato,

Eu não pude estudá.

No verdô de minha idade,

Só tive a felicidade

De dá um pequeno insaio

In dois livro do iscritô,

O famoso professô

Filisberto de Carvaio.

 

No premêro livro havia

Belas figuras na capa,

E no começo se lia:

A pá — O dedo do Papa,

Papa, pia, dedo, dado,

Pua, o pote de melado,

Dá-me o dado, a fera é má

E tantas coisa bonita,

Qui o meu coração parpita

Quando eu pego a rescordá.

 

Foi os livro de valô

Mais maió que vi no mundo,

Apenas daquele autô

Li o premêro e o segundo;

Mas, porém, esta leitura,

Me tirô da treva escura,

Mostrando o caminho certo,

Bastante me protegeu;

Eu juro que Jesus deu

Sarvação a Filisberto.

 

Depois que os dois livro eu li,

Fiquei me sintindo bem,

E ôtras coisinha aprendi

Sem tê lição de ninguém.

Na minha pobre linguage,

A minha lira servage

Canto o que minha arma sente

E o meu coração incerra,

As coisa de minha terra

E a vida de minha gente.

 

Poeta niversitaro,

Poeta de cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia,

Tarvez este meu livrinho

Não vá recebê carinho,

Nem lugio e nem istima,

Mas garanto sê fié

E não istruí papé

Com poesia sem rima.

 

Cheio de rima e sintindo

Quero iscrevê meu volume,

Pra não ficá parecido

Com a fulô sem perfume;

A poesia sem rima,

Bastante me disanima

E alegria não me dá;

Não tem sabô a leitura,

Parece uma noite iscura

Sem istrela e sem luá.

 

Se um dotô me perguntá

Se o verso sem rima presta,

Calado eu não vou ficá,

A minha resposta é esta:

— Sem a rima, a poesia

Perde arguma simpatia

E uma parte do primô;

Não merece munta parma,

É como o corpo sem arma

E o coração sem amô.

 

Meu caro amigo poeta,

Qui faz poesia branca,

Não me chame de pateta

Por esta opinião franca.

Nasci entre a natureza,

Sempre adorando as beleza

Das obra do Criadô,

Uvindo o vento na serva

E vendo no campo a reva

Pintadinha de fulô.

 

Sou um caboco rocêro,

Sem letra e sem istrução;

O meu verso tem o chêro

Da poêra do sertão;

Vivo nesta solidade

Bem destante da cidade

Onde a ciença guverna.

Tudo meu é naturá,

Não sou capaz de gostá

Da poesia moderna.

 

Dêste jeito Deus me quis

E assim eu me sinto bem;

Me considero feliz

Sem nunca invejá quem tem

Profundo conhecimento.

Ou ligêro como o vento

Ou divagá como a lêsma,

Tudo sofre a mesma prova,

Vai batê na fria cova;

Esta vida é sempre a mesma.

 

 

Patativa do Assaré

 

 Patativa do Assaré

O Poeta

 

 

Antônio Gonçalves da Silva (Assaré CE, 1909 – idem 2002). Freqüentou a escola por apenas quatro meses, em 1921, mas desde então vem “lidando com as letras”, como ele mesmo afirmou. Agricultor, em 1922 já atuava como versejador em festas, e a partir de 1925, quando comprou uma viola, deu início à atividade de compositor, cantor e improvisador.

 

Em 1926 teve um poema publicado no Correio do Ceará, mas seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, seria lançado trinta anos depois, em 1956. Em 1978 publicou o livro Cante Lá que Eu Canto Cá, e em 1979 iniciou, com Poemas e Canções, a gravação de uma série de discos, entre os quais se destacam Canto Nordestino (1989) e 88 Anos de Poesia (1997).

 

Seu último livro, Cordéis-Patativa do Assaré, é de 1999. A poesia de Patativa, que verseja em redondilhas e decassílabos, traduz uma visão de mundo “cabocla”, muitas vezes nostálgica e desapontada com as mudanças trazidas pela modernidade e pela vida urbana. Sua obra aborda os valores e os ideais dos camponeses do interior do Ceará, em poemas que tematizam da reforma agrária ao cotidiano dos sertanejos cearenses.

Kodo – Irodori

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O grupo japonês Kodo, um dos maiores espetáculos de percussão do mundo. E que nome tem o que eles fazem? É um concerto? É um show? É dança? É música?

 

Seu trabalho envolve estes vários, belos, pequenos e imensos tambores, mas também há canto, dança, flautas e, não fosse eles japoneses, uma extensa filosofia de vida. E tudo isso eles transformam num espetáculo lindo, vertiginoso, apaixonante como não estamos acostumados.

 

Frase da vez_1/3

“Por unanimidade, o Tribunal de Justiça absolveu o promotor homicida e condenou a imprensa pelo crime de “cobertura facciosa”.

 

Augusto Nunes, jornalista

 

Cotidiano – Departamento de cobranças

 

Poesia

A perfeição

 

 

O que me tranqüiliza

é que tudo o que existe,

existe com uma precisão absoluta.

 

 

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete

não transborda nem uma fração de milímetro

além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

 

 

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.

Pena é que a maior parte do que existe

com essa exatidão

nos é tecnicamente invisível.

 

 

O bom é que a verdade chega a nós

como um sentido secreto das coisas.

 

 

Nós terminamos adivinhando, confusos,

a perfeição.

 

 

Clarice Lispector

Goya

Goya, o pintor das mil caras

O Pintor

 Nascido em Fuendetodos, aldeia da província de Saragoça, em 30 de março de 1746, capital de Aragão, Francisco de Goya aos treze anos já adentrava no atelier de José Martinez Luzán, para fazer da profissão de pintor o seu destino e consagração.

Ainda que rejeitado pela Real Academia de Bellas Artes de Madri, e após uma proveitosa viagem à Itália no ano de 1770, ele abandonou em definitivo a província. Graças ao empenho de Francisco Bayeu, seu cunhado e mestre, alcançou chegar-se à Corte, na capital.

O grande Velásquez, morto em 1660, tinha em fim um sucessor a sua altura.

Para saber mais Clique aqui

The Nude Maja - 1799-1800 - Museu do Prado, Madrid

The Nude Maja - 1799-1800 - Museu do Prado, Madrid

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João Gilberto, Maria Bethânia e Gal Costa cantam Cordeiro de Nanã, na reinauguração do Teatro Castro Alves em Salvador, 1993.

Poesia

Deixemo-nos
de palavras vãs.
Levanta-te e dá-me
um pouco de vinho.
Esta noite tua boca é a mais
bela rosa do mundo e basta
para todos os meus desejos.
Dá-me vinho.
Que ele seja corado como as
tuas faces, e o meu remorso
será leve como as tuas tranças.

 

Omar Khayyam (Tradução: Octávio Tarqüinio de Souza)

O Poeta

 

 

 

 

Omar Khayyam nasceu em Nishapur, Pérsia, a 18 de Maio de 1048. Poeta, matemático, geómatra e astrónomo, é conhecido como autor das Rubaiyat – pequenas composições em verso de cariz hedonista (eis acima uma das Rubaiyat).

 

O primeiro aparecimento das Rubaiyat na cultura ocidental deu-se através das versões do poeta inglês Edward Fitzgerald (1859). A vida de Omar Khayyam está envolta em várias lendas, desde a sua relação secreta com a seita dos Assassinos ao distanciamento da ortodoxia muçulmana.

 

Certo é ter sido discípulo de Avicena e ter sido autor de um novo calendário muçulmano. Terá morrido a 4 de Dezembro de 1131.