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Poesia

OS CEGOS

 

Contemplai-os minha alma; eis que são pavorosos!

São como manequins, vagamente risíveis;

E sonâmbulos são, singulares, terríveis;

E quem sabe aonde vão seus globos tenebrosos?

 

Seus olhos, donde a chama eterna é partida,

Como se olhassem longe estão no firmamento;

E não se vê jamais, por sobre o pavimento,

Inclinar vagamente a fronte sucumbida.

 

Atravessam assim a infinda escuridade,

Esta irmã do silencio imutável, cidade!

Enquanto em torno a nós é um lamento o teu canto

 

Que é tão atroz que chega a perder-se no orgasmo,

Vê que eu erro também e mais do que eles pasmo,

Digo: “O que pelos céus eles procuram tanto?”

 

Baudelaire

O Poeta

 

Poeta francês. Famoso por suas Flores do mal, influenciou toda a poesia simbolista mundial e lançou as bases da poesia moderna.

 

Baudelaire marcou com sua presença as últimas décadas do século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolista. De sua maneira de ser originaram-se na França os poetas “malditos”.

 

 De sua obra derivaram os procedimentos anticonvencionais de Rimbaud e Lautréamont, a musicalidade de Verlaine, o intelectualismo de Mallarmé, a ironia coloquial de Corbière e Laforgue.

 

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Gustav Mahler

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Zubin Mehta conduz a Filarmônica de Israel  na Sinfonia n. 5 de Mahler, no Teatro Municipal de Santiago do Chile.

 

Gustav Mahler nasceu em Kalist (Boêmia) a 7 de junho de 1860. De modesta família judaica, freqüentou durante alguns anos a escola secundária e iniciou em 1875, no Conservatório de Viena, o estudo da música. Em 1880 escreveu a obra coral A canção triste, que tornou conhecido o seu nome.

Foi regente em teatros de pequenas cidades de província e, em 1887, em Leipzig, onde terminou a composição de sua primeira sinfonia. Em 1888 foi nomeado diretor da ópera de Budapeste e em 1891 regente da ópera de Hamburgo, onde suas encenações tiveram muito sucesso.

Em 1897, depois de ter se convertido ao catolicismo, foi nomeado diretor da Ópera Imperial em Viena e eleito regente dos concertos filarmônicos. Os anos seguintes foram um período de sucessos muito grandes, mas também de intrigas contra ele, inclusive da parte da orquestra, que não suportava os inúmeros ensaios a que o regente a submeteu.

Em 1907, Mahler foi forçado a demitir-se. Contratado pela Ópera Metropolitana em Nova Iorque, também foi muito aplaudido. Gravemente doente, do coração e dos nervos, voltou para Viena só para morrer, fato que ocorreu em 18 de maio de 1911.

Benny Goodman – Roll ‘Em (1942)

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Benny Goodman, nascido Benjamin David Goodman (30 de maio de 1909 – 13 de junho de 1986) foi um clarinetista e músico de jazz conhecido como “O Rei do Swing”, “Patriarca da Clarineta”, “O Professor” e “Mestre do Swing”.

 

Goodman, com estilo, precisão e inventividade, foi reconhecido como O Rei do Swing e o mais genial clarinetista de todos os tempos. Sua fama não demorou a correr o mundo, iniciando a Era do Swing, que se estenderia por dez anos.

 

Sua orquestra foi o primeiro grupo de jazz a se apresentar em público integrando músicos brancos e negros (Teddy Wilson, Lionel Hampton, Cootie Williams e Charlie Christian).

chargeonline.com.br/Sponholz

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Poesia

A ROSA DO MUNDO

 

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?

Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,

Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,

Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,

E morreram os filhos de Usna.

Nós passamos e passa o trabalho do mundo:

Entre humanas almas que se agitam e quebram

Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,

Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,

Vive este solitário rosto.

Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:

Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,

Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;

Ele fez do mundo um caminho de erva

Para os seus errantes pés.

 

O Poeta

 

Yeats   (tradução: José Agostinho Baptista)

 

William Butler Yeats nasceu em 13 de junho de 1865, em Dublin, Irlanda, onde se desenvolveu em um meio culto e criativo. Poeta e autor teatral, Prêmio Nobel (1923) de Literatura.

 

Foi o representante máximo do Renascimento irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX.”

Julian Bream – Villa-Lobos – Prelúdio 3 & 4

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Julian Bream nasceu num subúrbio de Londres em 1933; seu pai era um artista gráfico que tocava jazz nas horas vagas. Teve uma infância austera, marcada pelos bombardeios da blitz na 2a guerra e pela penúria geral da década seguinte.

Inicialmente ele também tocou jazz, com palheta, mas ao ouvir um disco de Segovia ele vislumbrou as possibilidades do violão clássico e nunca mais olhou para trás. Desde cedo ele percebeu que, para deixar sua marca com o violão, precisaria ampliar seu conhecimento musical, e estudou também piano e violoncelo, ao mesmo tempo em que tinha aulas de violão com o professor russo Boris Perrot.

Foi como cellista que ele conseguiu uma bolsa para estudar no Royal College of Music, que, na época, ainda não tinha o curso de violão (que só seria criado nos anos 60). [história com o diretor e o problema do cockney].

Sua estréia foi aos 14 anos em Cheltenham, num Programa que já mostrava um equilíbrio clássico e um entendimento musical que seriam constantes em toda sua carreira.

Raphael Rabello – Luiza

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Poesia

ELEGIA: INDO PARA O LEITO

 

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;

Até que eu lute, em luta o corpo jaz.

Como o inimigo diante do inimigo,

Canso-me de esperar se nunca brigo.

Solta esse cinto sideral que vela,

Céu cintilante, uma área ainda mais bela.

Desata esse corpete constelado,

Feito para deter o olhar ousado.

Entrega-te ao torpor que se derrama

De ti a mim, dizendo: hora da cama.

Tira o espartilho, quero descoberto

O que ele guarda, quieto, tão de perto.

O corpo que de tuas saias sai

É um campo em flor quando a sombra se esvai.

Arranca essa grinalda armada e deixa

Que cresça o diadema da madeixa.

Tira os sapatos e entra sem receio

Nesse templo de amor que é o nosso leito.

Os anjos mostram-se num branco véu

Aos homens. Tu, meu anjo, és como o céu

De Maomé. E se no branco têm contigo

Semelhança os espíritos, distingo:

O que o meu anjo branco põe não é

O cabelo mas sim a carne em pé.

    Deixa que a minha mão errante adentre

Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.

Minha América! Minha terra à vista,

Reino de paz, se um homem só a conquista,

Minha mina preciosa, meu Império,

Feliz de quem penetre o teu mistério!

Liberto-me ficando teu escravo;

Onde cai minha mão, meu selo gravo.

    Nudez total! Todo o prazer provém

De um corpo (como a alma sem corpo) sem

Vestes. As jóias que a mulher ostenta

São como as bolas de ouro de Atalanta:

O olho do tolo que uma gema inflama

Ilude-se com ela e perde a dama.

Como encadernação vistosa, feita

Para iletrados, a mulher se enfeita;

Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)

É dado lê-la. Eu sou um que sabe;

Como se diante da parteira, abre-

Te: atira, sim, o linho branco fora,

Nem penitência nem decência agora.

    Para ensinar-te eu me desnudo antes:

A coberta de um homem te é bastante.

 

                       Tradução: Augusto de Campos

 

John Donne

 

O Poeta

 

Nascido em Londres numa rica família católica e depois convertido ao anglicanismo, John Donne (1572-1631) é um dos expoentes da chamada “poesia metafísica” inglesa. De início, vale observar com cuidado essa denominação. O termo metafísico, nesse caso, não corresponde ao seu significado atual. No início do século XVII, metafísica queria dizer, mais ou menos, “filosofia”. Portanto, eram poetas “pensadores”.

 

Obviamente, não poderia ser metafísico, com o significado de hoje, um poema erótico como “Elegia: Indo Para o Leito”. É verdade que esse erotismo situa-se mais no campo da imaginação que da experiência.

 

Convertido ao anglicanismo, John Donne tornou-se também um clérigo da nova fé. Em 1624, foi nomeado deão da catedral de São Paulo, título que manteve até a morte. São famosos, mais que sua poesia, os sermões e outros textos de inspiração religiosa que ele escreveu.

 

Um deles é amplamente conhecido e citado, embora nem sempre quem o cita saiba associar o texto ao autor. É o texto que contém a célebre frase: “nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”Trata-se da “Meditação 17”, escrita por Donne em 1624. Nessa página, assim como em outras 22 meditações, ele  reflete profundamente sobre a morte, motivado por uma severa enfermidade, da qual se recuperou. Sair dessa doença, escreveu Donne, foi, como nascer de novo.

Badura-Skoda – Concerto para piano de Mozart K.595 3°mov.

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Paul Badura-Skoda é um dos pianistas mais importantes do nosso tempo. Tocando nas grandes salas do mundo todo, do Carnegie Hall, em Nova Iorque, ao Golden Hall of the Musikverein, de Viena ou atuando nos estúdios de gravação das principais gravadoras, faz prevalecer sua personalidade musical, caracterizada pela completa imersão na música em seu sentido mais amplo.

 

Nascido em Viena, em 1927, resolveu virar músico ouvindo, durante a Segunda Guerra, grandes nomes como Edwin Fischer e Hans Knappertsbusch. Entrou no Conservatório de Viena em 1945 e, apenas dois anos depois, ganhou o primeiro prêmio do Austrian Music Competition, ponto de partida de sua longa relação com Edwin Fischer. Fischer lhe deu como prêmio uma master class e o ajudou a ingressar no mundo artístico.

Em 1949, Wilhelm Furtwangeer e Herbert Von Karajan, atentos ao talento do jovem vienense, praticamente abriram as portas que transformaram Skoda em um dos mais famosos artistas do mundo. Ele fez seu début no Festival de Salzburg e em seu primeiro concerto em Nova Iorque, em 1953, não havia mais um só lugar à venda. O sucesso repetiu-se em Tóquio e as companhias de disco não o perderam de vista.

 

Por anos ele foi o pianista que por mais tempo teve discos no mercado. No total, são mais de 200 discos e dezenas de compactos, incluindo ciclos completos de piano para sonatas de Mozart, Beethoven e Schubert.

Obs: O ano de 1968 na vida musical de São Paulo foi marcado pela visita de vários pianistas europeus de renome internacional. Um deles foi Paul Badura-Skoda, já então conhecido como um especialista na interpretação de Bach, Mozart, Haydn e Schubert.

 

O recital, no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 30 de agosto de 1968, constou de obras de Mozart (Fantasia em ré menor K.V. 397), Schubert (Sonata em mi bemol maior op. 122), Beethoven (Sonata op. 53 em dó maior), Bartok (Suite op. 14) e Chopin (Três mazurkas, Barcarola op. 60 e Polonaise op. 53).

 

 

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