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Poesia
As duas flores
São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
Castro Alves
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Carlos Kleiber rege Beethoven
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=KB_-zFcy-hM]
A Bayerische Staatsorchester toca Overture Op.62 de “Coriolano”
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Poesia
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=u6LcZfStlfc]
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido…
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.
Vinícius de Morais
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Na Batucada da Vida – Tom Jobim & Elis Regina
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=k_BiAqV9zCM]
Na Batucada da Vida
Composição: Ary Barroso / Luiz Peixoto
No dia em que eu apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo da orgia
De noite, teve samba e batucada
Que acabou de madrugada
Em grossa pancadaria
Depois do meu batismo de fumaça
Mamei um litro e meio de cachaça
Bem puxado
E fui adormecer como um despacho
Deitadinha no capacho na porta dos enjeitados
Cresci olhando a vida sem malícia
Quando um cabo de polícia
Despertou meu coração
E como eu fui pra ele muito boa
Me soltou na rua à toa
Desprezada como um cão
E hoje que eu sou mesmo da virada
E que eu não tenho nada, nada
E por Deus fui esquecida
Irei cada vez mais me esmulambando
Seguirei sempre cantando
Na batucada da vida…
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Poesia
Outono de 1961
Pra trás e prà frente, pra trás e prà frente,
vai o toc, toc, toc,
do rosto laranja, terno,
embaixadorial, da lua
no relógio de parede do avô.
Durante todo o Outono, o atrito e a discórdia
da guerra nuclear;
exaustivamente discutimos a nossa extinção.
Nado como um vairão
Atrás da janela do meu estúdio.
O nosso fim aproxima-se,
eleva-se a lua,
radiante de terror.
O estado
é um mergulhador sob um sino de vidro.
Um pai não é um escudo
para o seu filho.
Somos como aranhas
selvagens chorando juntas
mas sem verter lágrimas.
A Natureza ergue um espelho.
Uma andorinha faz um Verão.
É fácil marcar
os minutos
mas os ponteiros ficam presos.
Pra trás e prà frente!
Pra trás e prà frente, pra trás e prà frente, –
o meu único ponto de repouso
é o laranja e negro
oscilante ninho do oríolo!
Robert Lowell
(Tradução de Mário Avelar)
O Poeta

Robert Lowell nasceu no dia 1 de Março de 1917 em Boston. Aos 20 anos iniciou estudos superiores no sul. Em 1940 casou com a escritora Jean Stafford. Três anos mais tarde foi preso no Connecticut, em consequência de uma carta enviada ao Presidente Roosevelt onde se recusava a prestar serviço nas Forças Armadas.
Em 1944 publicou Land of Unlikeness. Sofre as primeiras crises psiquiátricas cinco anos depois, sendo-lhe diagnosticada uma personalidade maníaco-depressiva.
Entretanto iniciou uma relação com a escritora Elizabeth Hardwick com quem viria a casar. Viaja pela Europa, lê Freud, regressa a Boston como docente da Universidade dessa cidade.
Na década de 1960 manifestou-se contrário ao envolvimento americano no Vietnam, recusando um convite do Presidente Johnson para um encontro de escritores na Casa Branca. Traduz Baudelaire, Ésquilo e viaja para Inglaterra.
Aí iniciou uma nova relação com (Lady) Caroline Blackwood, de quem viria a ter um filho. Em 1975 sofreu um problema cardíaco.
No dia 12 de Setembro de 1978, ao chegar ao aeroporto JFK em Nova Iorque, apanhou um táxi no qual viria a falecer vítima de acidente vascular.
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João Carlos Martins – O Beijo
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=r7W3s8alE8E]
Apenas um conselho: Assistam, é emocionante demais!
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João Carlos Martins e Bateria da Vai-vai
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=oDQ0BBE-Ccc]
Assista a um Mix do Ensaio e Apresentação de Gala de um encontro inesquecível entre a Orquestra Bachiana Jovem regida pelo Maestro João Carlos Martins e a Bateria Nota 10 da Escola de Samba Paulistana Vai-Vai, durante a Virada Cultural 2007.
Fonte: TV Mercado Ético/Portal Terra.
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