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Poesia

CEMITÉRIO ADALGISA


Moram em mim

Fundos de mares, estrelas-d’alva,

Ilhas, esqueletos de animais,

Nuvens que não couberam no céu,

Razões mortas, perdões, condenações,

Gestos de amparo incompleto,

O desejo do meu sexo

E a vontade de atingir a perfeição.

Adolescências cortadas, velhices demoradas,

Os braços de Abel e as pernas de Caim.

Sinto que não moro.

Sou morada pelas coisas como a terra das

                                        [ sepulturas

É habitada pelos corpos.

Moram em mim

Gerações, alegrias em embrião,

Vagos pensamentos de perdão.

Como na terra das sepulturas

Mora em mim o fruto podre,

Que a semente fecunda repetindo a vida

No sereno ritmo da Origem.

Vida e morte,

Terra e céu,

Podridão, germinação,

Destruição e criação.

 

Adalgisa Nery

                          De Poemas (1937)

 

A Poetisa

 

O nome da poeta Adalgisa Nery (1905-1980) deve soar, para a maioria dos leitores como desconhecido. Mais ainda: mesmo quem tem informação sobre o nome dela pouco sabe sobre seu trabalho.

 

Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, nome de batismo de Adalgisa Nery, foi poetisa, jornalista, prosadora e política. Nasceu no Rio de Janeiro, filha de um funcionário municipal. Órfã de mãe desde os 8 anos, estudou como interna num colégio de freiras. Aos 16 anos, casou-se com o pintor paraense Ismael Nery, um dos precursores do modernismo. O casamento durou até a morte de Ismael, em 1934. A relação foi conflituosa e até violenta. O casal teve sete filhos, dos quais sobreviveram apenas dois.

 

Viúva, e obrigada a trabalhar para sustentar os filhos, Adalgisa lançou seu primeiro livro, Poemas, em 1937. Três anos depois, casou-se com o diretor do temível Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, criado pelo ditador Getúlio Vargas em 1939 para difundir as idéias autoritárias do Estado Novo. O casamento durou treze anos. Nesse período, Adalgisa viajou pelo mundo em missão diplomática, acompanhando o marido,

 

Separada, abandonou a literatura e passou a dedicar-se ao jornalismo. Também adotou a política. Foi deputada três vezes pela legenda do Partido Socialista Brasileiro. Depois do golpe militar de 1964, passou ao MDB e foi cassada em 1969.

 

 

Jascha Heifetz interpreta Rondo – Mozart

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Jascha Heifetz foi um dos maiores virtuosos da história do violino, famoso por suas interpretações de melodias famosas de Paganini, Bach e Saint-Saëns. Considerado por muitos o melhor violinista do século 20.

Nesse vídeo toca Rondo de  Serenade No. 7 “Haffner”, K. 250 de Mozart

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Utilidade pública

Horário de verão

 

O horário de verão termina à meia-noite de hoje. Em 11 estados e no DF, os relógios devem ser atrasados em uma hora.

Opinião

O processo de construção institucional, aberto em 1988, começou a ruir com o avanço de reformas econômicas sobre a ordem do dia. Há uma década as contas dos presidentes e os vetos presidenciais não são votados. Ou seja, inexiste a função fiscalizadora do Legislativo. Sem sua vértebra institucional básica, a democracia está amputada. 

César Maia, economista 

Utilidade pública

Horário de verão

 

À meia-noite de hoje, brasilienses e demais habitantes do Centro-Oeste, Sul e Sudeste devem atrasar o relógio em uma hora.

Poesia

ENVOI

 

Vai, livro natimudo,

E diz a ela

Que um dia me cantou essa canção de Lawes:

Houvesse em nós

Mais canção, menos temas,

Então se acabariam minhas penas,

Meus defeitos sanados em poemas

Para fazê-la eterna em minha voz

 

Diz a ela que espalha

Tais tesouros no ar,

Sem querer nada mais além de dar

Vida ao momento,

Que eu lhes ordenaria: vivam,

Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,

Rubribordadas de ouro, só

Uma substância e cor

Desafiando o tempo.

 

Diz a ela que vai

Com a canção nos lábios

Mas não canta a canção e ignora

Quem a fez, que talvez uma outra boca

Tão bela quanto a dela

Em novas eras há de ter aos pés

Os que a adoram agora,

Quando os nossos dois pós

Com o de Waller se deponham, mudos,

No olvido que refina a todos nós,

Até que a mutação apague tudo

Salvo a Beleza, a sós.

 

Ezra Pound (1919)

 

(tradução de Augusto de Campos)

 

O Poeta

 

 

Se alguém merece encarnar a figura do poeta seminal do nosso século, como Poe no século passado este é sem dúvida Ezra Pound, com sua  obra de amplo espectro, sua permanente devoção à causa da poesia, sua generosa atividade  em prol de tantos escritores e artistas modernos, como James Joyce, T.S.Eliot, Yeats, Hemingway, Antheil, Gaudier-Brzeska.

 

Ele foi para a poesia deste século o que Einstein foi para a física“, disse E.E.Cummings, corroborado por Hemingway: “Um poeta deste século que afirme não ter sido influenciado por Ezra Pound merece mais a nossa piedade que a nossa reprovação“.

 

 

(trecho de um comentário de Haroldo de Campos

extraído do livro: Ezra Pound – Poesia)

Philarmônica de Vienna com Leonard Bernstein apresenta “Egmont Overture” de Beethoven

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Beethoven escreveu Abertura Egmont de outubro de 1809 a junho de 1810, para acompanhar Egmont, drama em cinco atos escrito por Goethe.

 

A peça de Goethe conta a luta dos Países Baixos, liderada pelo Conde Egmont contra a ocupação espanhola. É um tema que opõe tirania e liberdade, questão crucial para o espírito de Beethoven.

 

Fonte: Blocoteca

 

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Artigo

Homenagem a Darwin… E ao irmão Macaco

 

MIRANDA SÁ, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

BLOG: www.mirandasa.com

 

Para homenagear o grande Charles Darwin, libertador do pensamento científico, o mundo civilizado festeja com manifestações de todo tipo. Neste artigo, faço a minha reverência através do irmão Macaco, que fez a sociedade conservadora do século 19 revoltar-se contra a teoria de Darwin.

 

É que os reacionários da Igreja Anglicana espalharam o boato de que Darwin teria escrito que o Homem descende dos gorilas, quando na verdade a proposição darwinista é de que homens e gorilas descendem de ancestrais comuns. O que hoje é cientificamente comprovado.

 

O sábio ucraniano Teodosius Dobzhanky no seu livro O Homem em Evolução conta uma anedota corrente em Londres à época em que o livro de Darwin, A Origem das Espécies fazia sucesso nos círculos acadêmicos da Grã Bretanha e do Continente Europeu.

 

Conta Dobzhanky que uma lady da sociedade londrina, ao tomar conhecimento da teoria darwinista, e ser apresentado ao autor, exclamou: “Descendentes de gorilas!” E virando-se para o sábio, disse: “Meu caro, espero que não seja verdade. Mas se for, rezemos para que isso não se torne público!”.

 

Ocorre que vigorava na Era Vitoriana uma triste lembrança – entre outros tristes legados da Idade Média – um imenso preconceito contra os macacos. Os cristãos medievais não viam com simpatia os macacos, a quem os pregadores religiosos atribuíam à condição de um homem degradado por vícios e prática de pecados capitais.

 

E no mundo cristianizado persiste através dos anos essa visão do macaco, sua libertinagem e astúcia, malícia e manhas, que atravessou os mares sem manter esta discriminação. No Brasil, o mestre Câmara Cascudo fez com açúcar e afeto, a referência brasileira aos macacos, irmãos do Homem. Para ele, o Macaco “é a figura da agilidade e da astúcia, infalivelmente vitorioso pela rapidez nas soluções imprevistas”.

 

Na Guatemala, os indígenas contam que os macacos são homens antigos, irmãos de Deus, e na Índia, o macaco é um animal sagrado. Dizem que ele descobriu a manga, furtando-a do jardim secreto de um gigante chamado Ravana.

 

Os antigos egípcios mumificavam os macacos babuínos, que representavam o deus Hapi – um dos quatro deuses protetores dos mortos. Em Bali, são animais intocáveis e respeitados como heróis de uma lenda que os fazem amigos de Buda. No paraíso balizense existem danças com os dançarinos possuídos por espíritos de macacos.

 

Em Bornéo existe um povo que adora os orangotangos e no idioma malaio, “orangotango” significa ”homem do mato”. Esse povo afirma que o orangotango representa o espírito ancestral do homem.

 

A relação homens-macacos também existe nas altitudes tibetanas, onde existe a lenda do macaco Mani Bka’ Bum e sua mulher, Tara, que tiveram seis filhos, meio-homens, meio-macacos. Essa descendência perdeu o pelo pouco a pouco e deu origem à humanidade.

 

Na Mongólia se fala que o macaco representa a consciência do Homem em seu estado bruto. Isto se junta às inúmeras histórias folclóricas que convergem para o parentesco do homem e o macaco, ambos partícipes da Natureza mutante no caminho da perfeição…