Singela homenagem a Cesare Battisti
A pátria de César Batista (Cesare Battisti)
Miguezim de Princesa
I
Instalou-se no Brasil
Um tal de César Batista.
As más línguas de Itália
Dizem que é terrorista,
Que já matou mais de cinco
Em um só lance de vista.
II
Diz ele que lutou muito
Para ver transformação,
Não viu: furtou e roubou
E até fez extorsão;
O povo que sofreu isto
É descendente de Cristo,
Deve-lhe dar o perdão.
III
Nos autos da inquisição,
Resta o que foi apurado:
Pela revolução,
Fim de sistema atolado,
Máfia da corrupção,
Era uma honra ser ladrão,
Marcar para ser honrado.
IV
Mas isso é outra cultura;
O Brasil é uma zorra:
Não cabe revolução,
Yakuza nem Camorra,
E os nossos governantes,
Tão bestinhas, leniantes,
Encaminhemos pra porra!
V
A Itália, importante,
Já importou pobretão,
Que veio roçar marmeleiro,
Serviço que o negrão,
Já poeta e libertado,
Preferia ver cifrado
Nas notas de uma canção.
VI
Que venha César Batista:
Meu chão é maravilhoso:
Nossos braços são abertos,
Nosso peito é orgulhoso
E quem vem de fora manda
No pedaço mais gostoso.
VII
Ronald Biggs ficou,
Como exemplo de ladrão,
Nos tiraram um presidente
Com base em inflamação;
Sem fazer guerra de espadas,
Mais de 50 embaixadas
Promovem degustação.
VIII
Que venham César Batista,
Padre Olivério Medina,
Representante das Farc,
Que na conversa fascina,
Para ouvir resultados
E corrigir deputados
Envolvidos com meninas.
IX
Não soltem bomba jamais!
Nós já temos solução:
Lula é mais que meu pai,
Ele é a mãe da Nação,
Ele não é mais aquele
E parece foi por ele
Que eu quis revolução
X
Meu caro César Batista,
Fique aqui meio transparente,
Que eu vou precisar de ti
Para explodir o presente
E fazer do pesadelo
Encarnar-se presidente.
XI
E se ninguém te quiser
Numa cidade acovardada,
Bata no Plano Piloto
Na alcova de uma deputada,
No peito de uma senadora
Ou numa cama protetora
No Palácio da Alvorada.
Miguezim de Princesa
Poeta popular paraibano radicado em Brasília.
Fonte: claudiohumberto.com.br
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