Publicado n’ O Metropolitano
Petróleo: As Sete Irmãs e a Petrobras
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
Foi o heróico Enrico Mattei, fundador da ENI – a Petrobras italiana – quem criou o termo “as sete irmãs” para designar o consórcio internacional monopolista do petróleo, formado por empresas anglo-saxônicas e norte-americanas no após-guerra 1939-1945.
Mattei foi partigiani organização para-militar da resistência ao nazi-fascismo. Embora católico, aliou-se aos comunistas, de quem obteve apoio para enfrentar a total dependência do petróleo sofrida pela Itália, cuja recuperação industrial era impositiva. Ele foi nomeado comissário especial em abril de 1945 para enfrentar o problema, tendo fundado, então, a Eni e a Snam empresas ligadas à indústria petrolífera.
Sua luta e sua morte tornaram-no uma personalidade histórica, ao nível do grande controlador do petróleo, Davison Rockefeller, pioneiro da prospecção e refino do petróleo nos EUA, sendo fundador da Standard Oil, a primeira empresa petrolífera norte-americana.
Nos fins do século 19, a Standard Oil passou a controlar mais de 90% das refinarias americanas, caracterizando-se como um monopólio, que dominou a extração e o refino do petróleo no país até 1911, quando a Suprema Corte decidiu pela repartição da empresa, tendo nascido daí Exxon, Chevron, Atlantic, Mobil e a Amoco.
Não é preciso dizer que Rockfeller criou um organismo de contgrole das suas empresas e o seu grupo ainda hoje detem 86,9% dos poços de petróleo nos EUA.
Quando Enrico Mattei falou das “Sete Irmãs” as de Davison Rockfeller eram cinco, a Amoco, a Standard Oil of Califórnia, atualmente a Chevron; a Standard Oil of New York (Socony). Mais tarde, Mobil, que fundiu-se com a Exxon, formando a ExxonMobil; Standard Oil of New Jersey (Esso). Mais tarde, Exxon, e atualmente, ExxonMobil e a Texaco, que se fundiu com a Chevron daí nascendo ChevronTexaco. Voltou agora a chamar-se novamente Texaco.
Fora do grupo Rockfeller, haviam a inglesa Anglo-Persian Oil Company (APOC). Mais tarde, British Petroleum, depois BP, e a holandesa Royal Dutch Shell, conhecida vulgarmente como Shell.
Hoje, numa análise crítica, o Financial Times, importante órgão da imprensa mundial ligado à economia, dá uma nova conformação às Setre Irmãs. Segundo o jornal financeiro inglês entraram no clube a Saudi Aramco (Arábia Saudita), Gazprom (Rússia), CNPC (China), NIOCof (Irã), PDVSA (Venezuela), Petronas (Malásia) e a nossa Petrobras.
De acordo com uma profunda análise do setor petrolífero internacional, o Financial Times considera a Petrobras uma das sete empresas de energia mais influentes do mundo. E vê que não foi por acaso que a empresa estatal brasileira se desenvolveu, mas devido ao modelo adotado na sua política industrial e comercial.
É este modelo que Lula da Silva propõe mudar visando instrumentalizar politicamente as jazidas recém-descobertas, batizada de Pré-Sal. O lulismo decidiu comprimir os milhares de acionistas da empresa e criar uma entidade burocrática, a Petrosal, para controlar a extração das novas reservas.
Como quer Lula e sua camarilha, o modelo vitorioso sofrerá modificações, dando um salto no escuro; e a burocratização que virá com a Petrosal aumentará o aparelhamento partidário do setor, facilitando novas práticas corruptas como as denunciadas pelo TCU, MP e PF.
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