Poesia

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 O negro fala sobre rios

 

Conheço rios:

Conheço rios tão antigos quanto o mundo e mais

          [ velhos que o fluxo de sangue humano

          [ nas veias humanas.

 

Minha alma se tornou profunda como os rios.

 

Banhei-me no Eufrates quando eram jovens as

                                                   [ auroras.

Construí minha cabana junto ao Congo e ele

                          [ me cantou canções de ninar.

 

Olhei para o Nilo e acima dele levantei as

                                                     [ pirâmides.

Ouvi o canto do Mississippi quando Abe Lincoln

    [ desceu até New Orleans e vi seu seio

    [ lamacento tornar-se ouro, ao pôr-do-sol.

 

Conheço rios:

Antigos, cinzentos rios.    

 

Minha alma se tornou profunda como os rios.

 

Langston Hughes

(Tradução: Carlos Machado)

 

O Poeta

James Langston Hughes (1902-1967), o mais expressivo poeta negro americano, transportou para a poesia os ritmos e a cadência da música de seu povo, notadamente o blues.

Prolífico, escreveu 16 livros de poesia, 3 de contos, além de documentários, peças teatrais, poesia para crianças, programas de rádio e TV e artigos para revistas e jornais.

“O Negro Fala Sobre Rios” (The Negro Speaks of Rivers) é talvez seu poema mais famoso. Nesse texto ele considera a história das comunidades negras desde o Oriente bíblico e a África até a diáspora na América.

Há um CD no qual Hughes recita esse poema e conta em que circunstância o escreveu. Ele tinha 18 anos e estava num trem, em viagem para a Cidade do México, onde o pai morava. O trem cruzou o rio Mississippi ao cair da tarde e ele começou a pensar sobre a escravidão e o que aquele rio representara para os negros americanos.

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