Poesia

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OS ANÉIS FATIGADOS

 

Há ânsias de voltar, de amar, de não ausentar-se,

e há ânsias de morrer, combatido por duas

águas unidas que jamais hão-de istmar-se.

 

Há ânsias de um beijo enorme que amortalhe a Vida,

que acaba na áfrica de uma agonia ardente,

suicida!

 

Há ânsias de… não ter ânsias, Senhor,

a ti aponto-te com o dedo deicida:

há ânsias de não ter tido coração.

 

A primavera volta, volta e partirá. E Deus,

curvado em tempo, repete-se, e passa, passa

carregando a espinha dorsal do Universo.

 

Quando as têmporas tocam seu lúgubre tambor,

quando me dói o sonho gravado num punhal,

há ânsias de ficar plantado neste verso!

 

César Vallejo

 

 

O Poeta

 

Caesar Abraham Vallejo nasceu em 16 de Março de 1892, em Santiago de Chuco, Perú.

 

“Toda a vida de Vallejo é um esforço para conquistar, na própria escritura de cada poema, este alfabeto competente ou linguagem adequada: uma linguagem adequada à obscuridade da intuição, à visão das trevas não pode ser senão obscura. O poeta desce à noite e toda a noite deve ser dita no poema, o poema deve mostrá-la; ele a viu, a tocou, e pede que o escutem “em bloco”:

 

             e se vi, que me escutem pois, em bloco,

              se toquei esta mecânica, que vejam

                              lentamente,

              aos poucos, vorazmente, minhas trevas.

                                  

                                     (De Panteão – César Vallejo)

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