Poesia

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Um homem e uma mulher absolutamente brancos

 

Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas

Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques

Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado

Esse papel que não se pode ver sem que o coração se

nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição

Ou uma concha de mármore branco caída no caminho

Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos

O grande instinto da combustão conquista as ruas

onde elas caminham Direitas como flores queimadas

Com os olhos na distância levantando um vento de pedra

Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem

Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado

A frescura do regato onde os sapatinhos delas

banham a sombra dos seus bicos A realidade daqueles molhos de feno cortado onde desaparecem

Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda

E que se abaixam e se elevam a um ritmo

que é a única exacta medida da vida

Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas

Seios onde chove para sempre o invisível leite azul.

 

André Breton

(tradução de Antônio Ramos Rosa)

 

O Poeta

André Breton foi criado por sua avó materna e começou o curso secundário em 1906, no Collège Chaptal. Em 1913 ingressou no curso de medicina. No ano seguinte, publicou três poemas na revista “La Phalange”.

Em 1915, com a Primeira Guerra Mundial, foi convocado para uma unidade de artilharia e, em seguida, mandado a Nantes para trabalhar numa enfermaria neurológica. Começou intensa correspondência com o poeta Guillaume Apollinaire.

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