Poesia

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FAMILIAR 

 

               A mãe faz tricô

O filho vai à guerra

Tudo muito natural acha a mãe

E o pai que faz o pai?

Negocia

A mulher faz tricô

O filho luta na guerra

Ele negocia

Tudo muito natural acha o pai

E o filho e o filho

o quê que o filho acha?

Nada absolutamente nada acha o filho

O filho sua mãe faz tricô seu pai negocia ele

                                      [ luta na guerra

Quando tiver terminado a guerra

Negociará com o pai

A guerra continua a mãe continua ela tricota

O pai continua ele negocia

O filho foi morto ele não continua mais

O pai e a mãe vão ao cemitério

Tudo muito natural acham o pai e a mãe

A vida continua a vida com o tricô a guerra

                                      [ os negócios

Os negócios a guerra o tricô a guerra

Os negócios os negócios e os negócios

A vida com o cemitério.

 

 Jacques Prévert

(Tradução: Silviano Santiago)

 

O Poeta

 

Jacques Prévert (1900 -1977) foi um poeta e roteirista francês.

Após o sucesso da sua primeira coletânea de poesias, Paroles (1946), Prévert torna-se um grande poeta popular, graças à sua linguagem familiar, seu senso de humor, seus hinos à liberdade e ao jogo que faz com as palavras. Seus poemas passam a ser estudados em todas as escolas francesas do mundo, conquistando o reconhecimento internacional.

Poeta e roteirista, Jacques Prévert ironiza os usos e costumes, o clero, a igreja. Cria os roteiros e diálogos de grandes filmes franceses pertencentes à escola do realismo poético, realizados em sua maioria por Jean Renoir e Marcel Carné.

Compositor, ele escreve a música “Les Feuilles Mortes”, que foi muito famosa em seu tempo, na voz de Ives Montand. Mais tarde, Serge Gainsbourg compôs uma música chamada “La chanson de Prevért” que faz referência à canção citada mais acima.

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