Poesia

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Quando?

 

Quando se erguerão as seteiras,

Outra vez, do castelo em ruína?

E haverá gritos e bandeiras

Na fria aragem matutina?

Se ouvirá tocar a rebate,

– Sobre a planície abandonada?

E partiremos ao combate,

De cota, e elmo, e a longa espada?

Quando iremos, tristes e sérios,

Nas prolixas e vãs contendas,

Lançando juras, impropérios,

Pelas divisas e legendas?

E voltaremos, – os antigos,

Os puríssimos lidadores,-

Quantos trabalhos e perigos!

Quase mortos e vencedores?

E quando, ó Doce Infanta Real,

Nos sorrirás do belveder?

Magra figura de vitral

Por quem nós fomos combater.

 

Camilo Pessanha

 

O Poeta

 

Camilo Pessanha (1867-1926) nasceu a 7 de Setembro de 1867 em Coimbra, tendo tirado o curso de Direito nessa cidade. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor secundário de Filosofia, deixando de lecionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau, e depois juiz de comarca. Levou uma vida de solitário excêntrico.

Doente dos nervos, com antecedentes familiares patológicos, voltou a Portugal algumas vezes em busca de cura, mas, desiludido, voltou definitivamente para Macau em 1915. Os seus poemas, escritos em folhas soltas e oferecidos a pessoas amigas, dispersaram-se ou chegavam mesmo a perder-se, sem que o autor se desse ao cuidado de guardar cópias, sendo, no entanto, capaz de reproduzi-los de memória quando desejasse.

Assim, graças a João de Castro Osório, a quem ditara as suas produções, foi impresso o volume Clepsidra (1920), com alguns poemas já publicados em revistas, mas na maioria ainda inéditos. Depois da segunda edição de sua obra (1945), outros inéditos surgiriam.

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