Poesia

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Harpa XXXII

 

Dos rubros flancos do redondo oceano

Com suas asas de luz prendendo a terra

O sol eu vi nascer, jovem formoso

Desordenando pelos ombros de ouro

A perfumada luminosa coma,

Nas faces de um calor que amor acende

Sorriso de coral deixava errante.

Em torno de mim não tragas os teus raios,

Suspende, sol de fogo! tu, que outrora

Em cândidas canções eu te saudava

Nesta hora d’esperança, ergue-te e passa

Sem ouvir minha lira. Quando infante

Nos pés do laranjal adormecido,

Orvalhado das flores que choviam

Cheirosas dentre o ramo e a bela fruta,

Na terra de meus pais eu despertava,

Minhas irmãs sorrindo, e o canto e aromas,

E o sussurrar da rúbida mangueira

Eram teus raios que primeiro vinham

Roçar-me as cordas do alaúde brando

Nos meus joelhos tímidos vagindo.

 

Sousândrade

 

O Poeta

Joaquim de Sousa Andrade nasceu em Guimarães, estado do Maranhão, em 1833. Sua obra só se tornou conhecida por volta de 1970 com a publicação de “Inéditos”, aos cuidados de Frederick G. William e Jomar Moraes, São Luis, Departamento de Cultura do Estado, em São Luís, capital do estado do Maranhão.

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