Poesia

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Rei Destronado

 

O teu lugar vazão!… E esteve cheio,

Cheio de mocidade e de ternura!

Como brilhava a tua formosura!

Que luz divina te doirava o seio!

Quando a camisa tépida despias,

– Sob o reflexo do cabelo louro,

De pé, na alcova, ardias e fulgias

Como um ídolo de ouro.

Que fundo o fogo do primeiro beijo,

Que eu te arrancava ao lábio recendente!

Morria o meu desejo… outro desejo

Nascia mais ardente.

Domada a febre, lânguida, em meus braços

Dormias, sobre os linhos revolvidos,

Inda cheios dos últimos gemidos,

Inda quentes dos últimos abraços…

Tudo quanto eu pedira e ambicionara,

Tudo meus dedos e meus olhos calmos

Gozavam satisfeitos nos seis palmos

De tua carne saborosa e clara:

Reino perdido! glória dissipada

Tão loucamente! A alcova está deserta,

Mas inda com o teu cheiro perfumada,

Do teu fulgor coberta…

 

Olavo Bilac

O Poeta

Olavo Bilac (Rio de Janeiro RJ, 1865-1918) começou os cursos de Medicina, no Rio, e Direito, em São Paulo, mas não chegou a concluir nenhuma das faculdades. Em 1884 seu soneto Nero foi publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro.

Em 1887 iniciou carreira de jornalista literário e, em 1888, teve publicado seu primeiro livro, Poesias. Nos anos seguintes, publicaria crônicas, conferências literárias, discursos, livros infantis e didáticos, entre outros. Republicano e nacionalista, escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto.

 

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