Poesia

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Aqui morava um rei

 

Aqui morava um rei quando eu menino

Vestia ouro e castanho no gibão,

Pedra da Sorte sobre meu Destino,

Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino,

Quando ao som da viola e do bordão,

Cantava com voz rouca, o Desatino,

O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia

Eu me vi, como cego sem meu guia

Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efígie me queima. Eu sou a presa.

Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa

Espada de Ouro em pasto ensanguentado.

 

Ariano Suassuna

 

O Poeta

Aclamado como um dos maiores dramaturgos e romancistas de Língua portuguesa, Ariano Suassuna continua quase desconhecido como poeta, muito embora tenha sido através de um poema – “Noturno”, publicado no Jornal do Commercio, do Recife, a 7 de outubro de 1945 – que o autor, aos dezoito anos de idade, iniciou a sua vida  literária.

Ao ingressar na Faculdade de Direito do Recife, em 1946, Suassuna liga-se ao grupo de estudantes que irá retomar, naquele mesmo ano, sob a liderança de Hermilo Borba Filho, o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP).

Durante a existência do TEP, de 1946 a 1952, a produção poética de Suassuna acompanha, em extensão, sua produção no campo do Teatro. O estudo aprofundado da poesia popular passa a ser uma constante em sua vida, até porque é partindo principalmente dos folhetos do Romanceiro popular nordestino que ele vai encontrar o caminho para criar toda a sua obra teatral.

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