Poesia

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O TERRORISTA, ELE OBSERVA

A bomba explodirá no bar às treze e vinte.
Agora são apenas treze e dezesseis.
Alguns terão ainda tempo para entrar;
alguns, para sair.
O terrorista já está do outro lado da rua.
A distância o protege de qualquer perigo.
E, bom, é como assistir a um filme.
Uma mulher de casaco amarelo, ela entra.
Um homem de óculos escuros, ele sai.
Jovens de jeans, eles conversam
Treze e dezessete e quatro segundos.
Aquele mais baixo, ele se salvou, sai de lambreta.
E aquele mais alto, ele entra.
Treze e dezessete e quarenta segundos.
A moça ali, ela tem uma fita verde no cabelo.
Mas o ônibus a encobre de repente.
Treze e dezoito.
A moça sumiu.
Era tola o bastante para entrar, ou não?
Saberemos quando retirarem os corpos. Treze e dezenove.
Ninguém mais parece entrar.
Um careca obeso, no entanto, está saindo.
Procura algo nos bolsos e
às treze e dezenove e cinqüenta segundos
ele volta para pegar suas malditas luvas. São treze e vinte.
O tempo, como se arrasta
É agora.
Ainda não.
Sim, agora.
A bomba, ela explode.

Wislawa Szymborska

Tradução: Nelson Ascher
(Versão realizada a partir da versão inglesa de Adam Czerniawski e da
norte-americana de Magnus J. Krynski e Robert A. Maguire)

A Poetisa

Nascida em 1923, a polonesa Wislawa Szymborska é uma escritora popular na internet. Seus poemas são reproduzidos com perceptível agrado em milhares de sites e blogs, tanto em seu idioma natal como em traduções para várias outras línguas.

Wislawa reside na cidade de Cracóvia desde 1931, onde estudou literatura polonesa e sociologia. Sua atividade literária inicia-se durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos de resistência à ocupação nazista. Sua estréia em letra de fôrma deu-se em 1945, quando publicou um poema num jornal.

Entre 1953 e 1981, trabalhou como editora de poesia e colunista na revista semanal Życie Literackie (Vida Literária). Sua coluna chamava-se “Leitura Não Obrigatória”.

O primeiro livro de Wislawa estava para ser publicado em 1949, mas não passou na censura da então República Popular da Polônia: “não atendia às exigências socialistas”. Mesmo assim, ela permaneceu leal à orientação oficial, como a maior parte dos intelectuais poloneses no pós-guerra.

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