Poesia

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OVEREND

Nada detrás deste silêncio de rocha,

nada detrás destas raízes

que pedem eternidade a uma terra que não existe.

E não descansa o ar dolorido e perfeito,

nem a solidão detida como um rio do céu,

distante e profunda

como o pestanejar dos planetas mais distantes.

Nada além de pensar

na rota extraviada dos navios

buscando cidades na bruma,

que as luzes apareciam debaixo de chuva,

ou quando o sol abria o horizonte

brilhavam com a neve nas três agulhas do Paine.

Também o mar sem trégua está presente

como algo de humano e taciturno dentro de sua baía,

rodeado por uma casca petrificada e vermelha,

inexpressiva e poderosa

como o sonho dos que se afogaram

longe da desvendada luz dos faróis.

E no entanto desvanece sua matéria oleosa

quando imita o vôo dos cinzentos petrelos.

Ao fim

além do que não aconteceu

e não conhecemos, porque tudo é mais antigo que o silêncio

a noite e as aves escuras se assemelham,

existem cidades de ouro onde nunca se morre,

existe a água que volta a construir distâncias

em busca de terra boa

para que reavivem os bosques. 

 

Rolando Cárdenas

 

O Poeta

 

Rolando Cárdenas Vera (1933-1990) nasceu em Punta Arenas, extremo sul do Chile, poeta da geração de 50.

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