Poesia

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Poema Começado do Fim

 

Um corpo quer outro corpo.

Uma alma quer outra alma e seu corpo.

Este excesso de realidade me confunde.

Jonathan falando:

parece que estou num filme.

Se eu lhe dissesse você é estúpido

ele diria sou mesmo.

Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear

eu iria.

As casas baixas, as pessoas pobres,

e o sol da tarde,

imaginai o que era o sol da tarde

sobre a nossa fragilidade.

Vinha com Jonathan

pela rua mais torta da cidade.

O Caminho do Céu.

 

Adélia Prado

 

 

A Poetisa

 

Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 1936 em Divinópolis MG, onde cresceu e se educou. Formou-se em filosofia e trabalhou como professora. Em 1971 publicou, com Lázaro Barreto, o livro de poemas A lapinha de Jesus, mas somente cinco anos depois fez sua estréia individual, com Bagagem (1976), que revelou uma artista de extrema originalidade e lirismo.

 

Outro livro de poemas, O coração disparado, de 1978, trouxe a consagração definitiva da escritora e lhe valeu o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, de São Paulo.

 

Depois de publicar dois livros de prosa – Solte os cachorros (1979), de contos, e o romance Cacos para um vitral (1980) – voltou a impressionar seus leitores com Terra de Santa Cruz (1981), reunião de poemas escritos em linguagem coloquial, inovadora e estranhamente imbuída de religiosidade e erotismo.

 

Na década de 1980, a atriz Fernanda Montenegro apresentou em várias cidades brasileiras o espetáculo Dona Doida, dramatização dos poemas desse livro, entre outros, e contribuiu para popularizar a obra da poetisa mineira, que pouco alterou sua rotina de esposa, dona de casa, mãe e avó em função do sucesso de sua literatura.

 

Em 1984 publicou Os componentes da banda, de poemas. A obra de Adélia Prado inclui ainda trabalhos dispersos em jornais, revistas e antologias literárias.

 

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