Poesia
Poema para o Brasil
Amo vossa pátria de sempre puro céu
Paraíso azulado por ondas ao léu
Onde ardente como um feérico
farol
Cobre o chão da América de raios o sol
Sois a primavera e eu o inverno
sou
Sois dia fresco e claro e no poente
estou
E gosto de ver a desmanchar-se a aurora Sim! Sinto força e alegria que em mim
aflora
A vos ver. Cresceis. A Europa, o velho
mundo
Na história viveu o rápido segundo
De sua vida. Sereis a Europa
então.
O momento é crítico. Ah! Tomai a
mão
Do grande Futuro que vos aguarda.
E assim sob árvores douradas num Brasil sem fim
Passarão o Progresso, a Força e a Luz:
A aurora de estio em vossa tez reluz.
Victor Hugo
O Poeta
Poema dedicado ao Brasil, enviado ao clube republicano do estado da Paraíba, quando de sua criação, e que, não tendo sido publicado em nenhuma antologia póstuma, não figura nas edições de suas obras completas. O poema é marcado por uma versificação bastante irregular.
Escritor francês. Poeta, prosador e principal mentor do romantismo em seu país. Na política, evoluiu para o liberalismo reformista e os ideais revolucionários.
Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon em 26 de fevereiro de 1802. Filho do general napoleônico Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, passou na juventude temporadas na Itália e na Espanha. Estudou direito em Paris e, antes dos 18 anos, escreveu o romance Bug-Jargal, sobre uma revolta de negros em São Domingos.
Fundou e dirigiu uma revista, Conservateur Littéraire (1819-1821). Estreou com Odes et poésies diverses (1822), obra que lhe valeu uma pensão de Luís XVIII.
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