Poesia

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Nos salões do sonho

 

 

Mas vocês não repararam, não?!

Nos salões do sonho nunca há espelhos…

Por quê?

Será porque somos tão nós mesmos

Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?

Ou, então

– e aqui começa um arrepio –

Seremos acaso tão outros?

Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,

Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,

Se espelhos houvesse!

Ninguém pode saber… Só o diria

Mas nada diz,

Por motivos que só ele conhece,

O misterioso Cenarista dos Sonhos!

 

 

Mário Quintana

 

 

(Velório sem defunto, 1990)

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