Poesia

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A CONCHA

 

 

 

Talvez te seja inútil minha vida,

Noite; fora do golfo universal,

Como concha sem peróla, perdida,

Me arremessaste no teu areal.

 

 

 

Moves as ondas, como indiferente,

E cantas sem cessar tua melodia.

Mas hás de amar um dia, finalmente,

A mentira da concha sem valia.

 

 

 

Jazer só a seu lado pela areia

E pouco faltar para que a escondas

Nessa casula onde ela se encandeia

à sonora campânula das ondas,

 

 

 

E as paredes da frágil concha, pouco

a pouco, se encherão do eco da espuma,

Tal como a casa de um coração oco,

Cheio de vento, de chuva e de bruma…

 

 

Ossip Mandelshtam (1911)

 

O Poeta

 

Nasceu na Rússia em 1891/92, filho de um pequeno comerciante israelita. Ainda muito jovem, publica os seus primeiros poemas na revista Apolo.

 

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