Poesia

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ZOOLÓGICO HUMANO

 

 

 

o que somos

 

é algo distante

 

do que fomos

 

ou pensamos ser.

 

veja o mundo:

 

ele se move

 

sem nossa interferência

 

veja a vida:

 

ela prossegue

 

sem nossa licença

 

veja sua amiga:

 

ela se comove

 

por outros corpos

 

que não o seu.

 

 

 

Somos simplesmente

 

o que é mais fácil ser:

 

lembrança

 

sentimento fóssil

 

referência ética

 

apenas um belo ornamento

 

para a consciência dos outros.

 

 

 

A quem interessar possa:

 

Estamos abertos à visitação pública

 

sábados e domingos

 

das 8 às 17 horas.

 

 

 

Favor não jogar amendoim.

 

 

 

Alex Polari de Alverga

 

 

O Poeta

 

Nasceu em João Pessoa – PB, 1951. Teve publicado seu primeiro livro de poesia, Inventário de Cicatrizes, em 1978. Na época, estava preso; por sua militância política contra o regime militar brasileiro, permaneceu na prisão entre 1971 e 1980.

 

Seu segundo livro, Camarim de Prisioneiro, saiu em 1980. No início dos anos 80 passou a fazer parte da comunidade esotérica Santo Daime, no Amazonas. Na poesia de Alex Polari, de tendência contemporânea, se manifestam de maneira forte e direta experiências de cárcere, de tortura. 

 

Para o crítico Carlos Henrique de Escobar, Alex político e Alex poeta, como alguns dos seus muitos companheiros em diferentes prisões do país, alguns já libertados, outros exilados, poderão significar toda uma postura e uma produção artística (na poesia, na pintura e no romance) que rompe com os padrões estéreis e reacionários de até então.”

 

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