Poesia

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QUEM SABE POR QUÊ

 

 

Perdi tua presença

 

mas a encontrarei,

 

pois oculta ciência

 

diz-me à consciência

 

que em outra existência

 

te recobrarei.

 

 

 

Foste em minha senda

 

a única prenda

 

que nunca busquei;

 

vieste à minha tenda

 

com nobre oferenda.

 

Quem sabe por quê!

 

 

 

Tenho quanta e quanta

 

quimera buscado,

 

que jamais logrei…

 

e a ti, minha santa,

 

meu bem adorado,

 

te encontrei ao lado,

 

quem sabe por quê!

 

 

 

Tu vieste, me amaste;

 

dez anos marcaste

 

meus dias de fé,

 

de luz e perfume;

 

minh’ alma banhaste

 

com teu suave lume,

 

quem sabe por quê!

 

 

 

… E um dia partiste,

 

ai, triste! que triste!

 

… Mas te encontrarei;

 

pois oculta ciência

 

diz-me à consciência

 

que em outra existência

 

te recobrarei.

 

Amado Nervo

 

 

O Poeta

 

 

Amado Nervo, Tepic, 27 de agosto de 1870 — Montevidéu, 24 de maio de 1919), é poeta mexicano. O romance O bachiller (1895) apresenta características naturalistas.

 

 Os livros de poemas Pérolas negras e Místicas (1898) têm características que indicam influência da poesia modernista.

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