Poesia

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Alguns Toureiros (A Antônio Houaiss)

 

 

Eu vi Manolo Gonzáles

e Pepe Luís, de Sevilha:

precisão doce de flor,

graciosa, porém precisa.

 

Vi também Julio Aparício,

de Madrid, como Parrita:

ciência fácil de flor,

espontânea, porém estrita.

 

Vi Miguel Báez, Litri,

dos confins da Andaluzia,

que cultiva uma outra flor:

angustiosa de explosiva.

 

E também Antonio Ordóñez,

que cultiva flor antiga:

perfume de renda velha,

de flor em livro dormida.

 

Mas eu vi Manuel Rodríguez,

Manolete, o mais deserto,

o toureiro mais agudo,

mais mineral e desperto,

 

o de nervos de madeira,

de punhos secos de fibra

o da figura de lenha

lenha seca de caatinga,

 

o que melhor calculava

o fluido aceiro da vida,

o que com mais precisão

roçava a morte em sua fímbria,

 

o que à tragédia deu número,

à vertigem, geometria

decimais à emoção

e ao susto, peso e medida,

 

sim, eu vi Manuel Rodríguez,

Manolete, o mais asceta,

não só cultivar sua flor

mas demonstrar aos poetas:

 

como domar a explosão

com mão serena e contida,

sem deixar que se derrame

a flor que traz escondida,

 

e como, então, trabalhá-la

com mão certa, pouca e extrema:

sem perfumar sua flor,

sem poetizar seu poema.

 

João Cabral de Melo Neto

 

O Poeta

 

Descendente de tradicionais famílias de Pernambuco e da Paraíba, João Cabral de Melo Neto foi o segundo dos seis filhos de Luiz Antonio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo.

 

 

De todos os países em que esteve, o mais decisivo para sua vida e obra foi a Espanha. Cabral morou diversas vezes e por longos anos nas cidades de Madri, Barcelona e Sevilha. Nesses períodos aprofundou-se na literatura espanhola desde a leitura de ” EL CID ” até os poetas contemporâneos. E se deixou fascinar pela região da Andaluzia, elegendo para si a cidade de Sevilha.

 

Além de Recife, Sevilha foi a cidade em que ele mais gostou de viver. Considerava-se regionalista não só em relação a Pernambuco mas, também era regionalista na Espanha. Apesar de ter vivido em Barcelona e Madri, João Cabral considerava-se sevilhano.

 

Uma de suas frases “Há que sevilhizar a vida .

Há que sevilhizar o mundo.”

 

Conheça mais sobre o poeta aqui

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