Poesia

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MORTE DOS ARTISTAS

 

Quantas vezes irei sacudir os meus guisos,

Tua fronte beijar, morna Criatura?

E para o alvo alcançar, de tão mística altura,

Quantos dardos da aljava hão de me ser precisos?

 

Em conjuras sutis usaremos os juízos,

Para após demolir muita grave armadura,

Antes de contemplar a grande Criatura

De desejo infernal que paralisa os risos!

 

Há estes que o Ídolo seu não fitaram jamais,

Há o maldito escultor que, marcado de ofensa,

Só vive a martelar o peito e a fronte imensa.

 

Só esperam – Capitólio, e de sombras fatais! –

Venha a Morte e planando à feição de um sol novo,

Em seu cérebro arder como um floral renovo.

 

Baudelaire

 

 

O Poeta

 

 

Baudelaire foi um dos maiores poetas franceses de todos os tempos. Alguns o consideram um antecessor do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. Pioneiro da linguagem moderna, impôs à realidade uma submissão lírica. Embora muito criticado, tinha entre seus admiradores homens como Victor Hugo, Gustave Flaubert, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine.

 

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