Poesia

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Dinheiro

 

Sem ele não há cova- quem enterra

Assim grátis, a Deo? O batizado

Também custa dinheiro. Quem namora

Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?

Demais, as Dânaes também o adoram…

Quem imprime seus versos, quem passeia,

Quem sobe a Deputado, até Ministro,

Quem é mesmo Eleitor, embora sábio,

Embora gênio, talentosa fronte,

Alma Romana, se não tem dinheiro?

Fora a canalha de vazios bolsos!

O mundo é para todos… Certamente

Assim o disse Deus mas esse texto

Explica-se melhor e doutro modo…

Houve um erro de imprensa no Evangelho:

O mundo é um festim, concordo nisso,

Mas não entra ninguém sem ter as louras.

 

Álvares de Azevedo

 

O Poeta

 

Nascido a 12 de setembro de 1831 em São Paulo, onde seu pai estudava, transferiu-se cedo para o Rio de Janeiro. Sensível e adoentado, estuda, sempre com brilho, nos Colégios Stoll e Dom Pedro II, onde é aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil.

 

Aos 16 anos, ávido leitor de poesia, muda-se para São Paulo para cursar a Faculdade de Direito. Torna-se amigo íntimo de Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, também poetas e célebres boêmios, prováveis membros da Sociedade Epicuréia.

 

Sua participação nessa sociedade secreta, que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, é negada por seus biógrafos mais respeitáveis. Mas a lenda em muito contribuiu para que se difundisse a sua imagem de “Byron brasileiro”.

 

Sofrendo de tuberculose, conclui o quarto ano de seu curso de Direito e vai passar as férias no Rio de Janeiro. No entanto, ao passear a cavalo pelas ruas do Rio, sofre uma queda, que traz à tona um tumor na fossa ilíaca.

 

Sofrendo dores terríveis, é operado – sem anestesia, atestam seus familiares – e, após 46 dias de padecimento, vem a falecer no Domingo de Páscoa, 25 de abril de 1852.

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