Poesia
~ MA BOHÈME (Fantasie) ~
E lá me ia, as mãos nos bolsos furados,
E meu casaco era também o ideal.
Eu ia sob o céu, Musa! e te era leal;
Oh! lá! lá! que esplêndidos amores sonhados!
Minha única calça estava em frangalhos
— Pequeno Polegar sonhador, em minha fuga eu ia
Desfiando rimas e sob a Ursa Maior adormecia,
Ouvindo no céu o doce rumor das estrelas.
Sentado à beira das estradas eu as ouvia,
Belas noites de setembro em que eu sentia
O orvalho em meu rosto como um vinho forte;
Quando compondo em meio a sombras fantásticas,
Como uma lira eu puxava os elásticos
De meus sapatos gastos, um pé junto ao meu peito!
Arthur Rimbaud
O Poeta
Arthur Rimbaud (1854 – 1891) representa com seus poemas revolucionários, ainda hoje, o verdadeiro espírito de modernidade na literatura. Muito de sua obra se confunde com a marca de rebelde e maldito que Rimbaud soube encarnar como poucos.
A sua precocidade é um caso único na poesia, pois não se conhece outro autor que tenha escrito obra de tamanha profundidade e originalidade estilística antes de completar vinte anos.
Por outro lado, Rimbaud não conseguiu dar prosseguimento à sua vocação literária pois, após um romance tumultuado com o poeta Verlaine, nunca mais se dedicou às letras, tornando-se negociante e traficante de armas no norte da África e Oriente Médio, vindo a morrer de câncer aos 37 anos.
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