Poesia

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O vinho perdido

Eu tenho, algum dia, no oceano,
(Mas eu não sei mais se debaixo de que céus),
Lançado, como não me oferecendo ao nada,
Todo um pequeno precioso vinho…

Quem quis esta perda, oh licor?

Eu obedeço, talvez ao vidente?
Talvez para a preocupação de meu coração,
Pensando em sangue, vertendo-me vinho?

Em transparência habitual
Depois da fumaça rosa
Recupera-me como o mais puro mar…

Perdido o vinho, misturado entre as ondas!…
Eu cuidei de saltar meu ar amargo
Das faces mais profundas…

Paul Valéry (tradução livre de Eric Ponty)

O Poeta

Poeta, ensaísta e crítico francês (30/10/1871-20/7/1945). Expoente do simbolismo na poesia, destaca-se pelo pensamento filosófico, sociológico e político. O poema que o torna famoso é La Jeune Parque (A Jovem Parca, 1917), obra que leva cinco anos para ser elaborada.

Amborise-Paul-Toussand-Jules Valéry nasce em Sète, cidade portuária no departamento de Hérault, e estuda na Faculdade de Direito de Montpellier. Em 1893 muda-se para Paris e conhece o poeta Stéphane Mallarmé, de quem fica amigo. Quando publica o poema La Jeune Parque, em 1917, tem reconhecimento imediato. Entra para a Academia de Letras, publica livros de poesia e prosa, faz conferências.

Sua vida intelectual é dividida, de forma esquemática, em três fases: de 1890 a 1892, período dedicado à poesia; de 1892 a 1917, época em que não há produção; e de 1917 até sua morte, quando escreve Charmes (1922), Variété (1924-1944) e outras obras de caráter reflexivo.

Quando Valéry morre, em Paris, Charles de Gaulle, então líder do governo provisório francês após a expulsão das tropas de ocupação nazistas, insiste para que sejam celebradas honras fúnebres nacionais na cidade natal do poeta.

Saiba mais sobre Paul Valéry aqui

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