Poesia

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Boxe (Para Oswald de Andrade)

Glórias do ring
Descarga elétrica
diz o vizinho que o swimg fulminou
Carpentier! Carpentier! Carpentier!
E o campeão sorri ao lado do Ursus estendido
Eis Siki desafiante no tablado e o hino nacional das ovações.
Músculos aços braços sem cansaços
O século vibra todo na elegância desse xeque-mate
Fora o xadrez e os bilhares de ventres prudentes
as folhas mortas e os decadentes
Renascimento das Espartas sadias
para brilhos nunca dantes inventados
E temos o direito de parodiar Camões
porque somos os clássicos do futuro
ou no mínimo o futuro dos clássicos
(Boa piada!)

Sérgio Milliet

O Poeta

Sérgio Milliet da Costa e Silva (20/09/1898 – 09/11/1966). Crítico de literatura e arte, poeta, tradutor, nasce em São Paulo. Com a morte da mãe, quando tinha dois anos, é criado pela avó, que em 1912 o envia para a Suíça, onde cursa Ciências Econômicas e Sociais em Genebra e Berna. Em 1925 retorna a São Paulo e, junto com os escritores Oswald de Andrade (1890 – 1954) e Afonso Schmidt (1890 – 1964), cria a revista Cultura.


Em 1933 ajuda na fundação da Escola de Sociologia e Política – ESP, ocupando o cargo de secretário da instituição até 1935 e de professor a partir de 1937. Com o ensaísta Paulo Duarte e o escritor Mário de Andrade, cria, em 1935, o Departamento de Cultura de São Paulo, tornando-se o primeiro diretor da Divisão de Documentação Histórica e Social, onde permanece até 1943, quando é transferido para a Divisão de Bibliotecas.

Como crítico colabora com as principais revistas de sua época: Klaxon, Terra Roxa, Revista do Brasil, Estética, A Platéia, Habitat, Quadrum e com os jornais O Tempo, A Manhã, Folha da Manhã e O Estado de S. Paulo, onde passa a escrever diariamente a partir de 1938. Na década de 1950, atua em diversas frentes: diretor artístico do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, de 1952 a 1957.

Responde pela curadoria da 2ª, 3ª e 4ª edições da Bienal Internacional de São Paulo e da representação brasileira na Bienal de Veneza, em 1956, além de presidir a Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA. Morre em 1966, em São Paulo.

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