Poesia

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A vida e o barco

Andar e mais andar é a vida a bordo;
Mal estudo, e apenas eu vou lendo;
A noite com a música entretendo;
Deito-me cedo, e mais cedo acordo.

Saudosíssimo a pátria eu recordo,
E, pra consolo versos lhe fazendo,
Desenho terras só aquela vendo,
E para não chorar os lábios mordo.

Enfim há de chegar, eu bem o sei,
Que o Brasil eu reveja jubiloso;
E, se outrora eu servi-lo só pensei,

Muito mais forte e muito mais zeloso,
Para ainda mais servi-lo, voltarei
Té que nele encontre o último repouso.

Pedro II do Brasil

O Poeta

Herdou o trono brasileiro em 1831, aos cinco anos de idade, devido à abdicação de D. Pedro I.
Nos anos seguintes esteve aos cuidados dos tutores José Bonifácio de Andrade e Silva e posteriormente do Marquês de Itanhaém. Foi coroado Imperador do Brasil aos 15 anos, em 1841.

Apreciador da literatura, da ciência e das artes, incentivou a criação das Escolas Normais, dos Liceus de Artes e Ofícios e dos Conservatórios Dramático Brasileiro e Imperial de Música.
Criou e coordenou o Instituto Histórico Brasileiro e apoiou os estudos de Artes Plásticas com doações de bolsas e prêmios de viagem à Europa para os alunos da Academia Imperial de Belas Artes.

Viajou por vários países do mundo, principalmente da Europa, e correspondeu-se com cientistas e artistas estrangeiros, como Gobineau, Pasteur, Wagner. Decretou a construção das primeiras estradas de ferro e linhas telegráficas do país e introduziu a produção cafeeira, o que promoveu o crescimento da economia brasileira. Em seu governo também foram aprovadas as leis que levaram à abolição da escravatura.

Com a Proclamação da República, em 1889, passou a viver na França. Sua obra poética, filiada à estética romântica, constitui-se dos livros Poesias de S. M. O Senhor D. Pedro II (1889) e Sonetos do Exílio (1898). Em 1932 foram publicadas suas Poesias Completas.

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