Parte da queda é boa, parte é ruim
A queda no saldo da balança comercial divulgada hoje pelo Ministério do Desenvolvimento já era esperada pelo mercado. Em relação a 2007, a redução foi de 38% no superávit, que caiu de US$ 40 bilhões para US$ 24,73.
De acordo com o economista Luiz Rabi, da MCM Consultores, parte dessa redução no saldo é resultado de um efeito positivo da economia brasileira: as importações cresceram porque o PIB do país em 2008 também cresceu fortemente. Isso significa que houve muita importação de máquinas e equipamentos, os chamados bens de capital. As empresas importaram máquinas do exterior para conseguir aumentar a produção interna. E isso é bom.
Porém, há o efeito crise. Pelo lado das exportações, houve redução acima do que esperava o mercado no início do ano, quando se projetava um saldo da balança de US$ 30 bilhões. Essa diferença de US$ 6 bilhões entre a projeção e o número consolidado é resultado principalmente da queda das exportações.
– Com a crise, surgiram dois efeitos novos: a queda do valor das commodities e também a perspectiva de redução do consumo mundial, principalmente nos países desenvolvidos – explicou Rabi.
Diante do novo cenário, para 2009 o economista projeta um saldo ainda menor, de US$ 15 bilhões. É o mesmo que projeta o último boletim Focus. Seria o menor valor desde 2003. Se a recuperação das economias acontecer a partir do segundo semestre, Rabi acredita que o número em 2010 pode voltar a crescer.
Tentar prever o que vai acontecer com a balança comercial é importante porque ela é um dos principais fluxos de entrada e saída de dólares no país. Ou seja, a balança comercial ajuda a determinar o preço da moeda americana.
Fonte: Miriam Leitão
Comentários Recentes