Para ver a filarmônica passar…

Comentários desativados em Para ver a filarmônica passar…
Compartilhar

O som dos trompetes acompanhados pelo grave dos surdos ecoados pelas ruas de Acari anunciam a passagem da Filarmônica Maestro Felinto Lúcio Dantas, uma das mais antigas do Rio Grande do Norte.

 

Fundada em 6 de agosto de 1927, a filarmônica continua viva e é fonte de inspiração, sonho e renda de muitos potiguares. Assim como Chico Buarque, o produtor musical Heraldo Palmeira gostava de ver a banda passar falando coisas de amor na porta da sua casa. E essa imagem ficou tão forte em sua vida que durante anos carregou o desejo de registrar  a história desse patrimônio cultural do Estado.

 

“Prosa e Música” é um misto desse sonho com a realidade, costurado com depoimentos e 12 músicas perfeitamente executadas por 51 músicos, entre crianças e adultos, sob o comando de José Francisco carinhosamente chamado de Netinho de Pinta. 

 

Dividido em duas partes, “Conversando e tocando” e “Tocando sem conversar”, o filme começa contando a história de Acari relacionada à música.

 

 

Ao som de Royal Cinema, o espectador pode entrar no universo mágico da transformação social através da arte, quando depoimentos lembram que a música é uma arte intensa e coletiva. Ou como diz Dom Eugênio na obra, “A formação musical constitui o patrimônio da cidade de Acari que se expande por outros prados. A importância de se conservar e de incrementar seu trabalho está fundamentada na contemplação da cultura local e da música como expressão primordial da arte. Quantas composições foram elaboradas durante todos esses anos e que alimentaram a fé das pessoas e a perpetuação da cultura local”.

O depoimento emocionado de Dom Eugênio abre para outros depoimentos fortes.

 

O diretor Heraldo Palmeira conta que as filmagens duraram apenas três dias e sua tentativa foi condensar  nele todo o conteúdo, abordando o cotidiano e a importância da banda. “Morei em Acari até os meus sete anos de idade e na década de 60, entre 1965 a 1967, é que eu começo a registrar bem as bandas passando pelas ruas e isso me deixava muito fascinado. Como eu ouvia rádio desde sempre, comecei a entender como a música era feita, como os músicos se juntavam e tudo isso me encantava por inteiro. Tudo isso ficou guardado em mim até hoje”, lembra. 

 

Além de ser acariense, Heraldo guardou com cuidado o desejo de registrar a Filarmônica, mesmo morando em diferentes partes do Brasil como produtor musical. “Nunca esqueci meu sonho”. Como o mercado musical levou um tiro e sumiu – como ele mesmo diz – Heraldo se especializou em vídeos. “foi uma maneira que encontrei de fugir do mercado continuando na profissão que eu gosto”.

 

Mesmo tendo gravado clipes de bandas independentes e outros documentários, nada tem o valor sentimental de “Prosa e Música”.  “gravamos em 24 canais o repertório com 12 músicas durante três dias. A produção começou em janeiro e terminou em dezembro. Fizemos uma edição meticulosa preocupados com o som além das imagens”, lembra.

 

Entre tantas preocupações com a perfeição do registro, Heraldo lembra do principal. “A minha preocupação era ter ficado real. A banda e sua importância na religiosidade das pessoas da cidade”, conta.

 

Quem teve grande importância no documentário, além de todos os músicos e pessoas que deram seus depoimentos, foi Vânia Bezerra. “Ela é acariense e acreditou no projeto entrando com o apoio total da obra”, disse Heraldo.

 

Para colocar as mãos na massa, Heraldo e Vânia fizeram várias reuniões com os integrantes da Filarmônica, incluindo a associação.  “Eles não acreditavam que o DVD iria sair. Eles tocaram para eu ouvir e escolhi 12 músicas e trabalharam exaustivamente nos ensaios. O documentário é forte porque é real. Eles contaram a experiência de cada um em relação à banda. Acredito que o material  é universal por ser regional e verdadeiro, por cantar a própria aldeia. A gente não pasteurizou o trabalho, ele tem uma linguagem própria, ele é um retrato cultural do Seridó, de Acari, do nosso orgulho de ser seridoense”, reflete o produtor e diretor da obra.

 

Para ler na íntegra clique Aqui

Foto: Vídeo Foto Galvão, de Dedé de Milton

CONTATO:
E-mail: filar.felinto.lucio@hotmail.com

Os comentários estão fechados.