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O custo do rolo compressor

Para que serve a avantajada maioria que o governo Lula desfruta na Câmara dos Deputados, com a batelada de partidos que compõem o chamado “governo de coalizão”, se em cada votação de projeto de interesse do governo o Planalto tem que despender sempre novo esforço para “apascentar” sua base aliada, significando tal “esforço” a distribuição de (mais) cargos e verbas a seus diletos parlamentares? Se dispõe de um batalhão de partidos – PMDB, PT, PR, PP, PSB, PDT, PTB, PV, PC do B, PSC, PMN, PRB, PTC, PHS e PT do B -, o que já representa uma multidão de 379 deputados federais (ou mais de 73% da Câmara), como se explica que em cada votação o Planalto precise “negociar” com os “seus”, pontualmente, e até pescar alguns votinhos nas hostes dos partidos adversários, para garantir sua vitória?

Na votação que aprovou em primeiro turno, na Câmara dos Deputados, a prorrogação até 2011 da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo obteve 338 votos (com sobra de 30 votos, portanto), contra 117 e 2 abstenções (houve 52 ausências). Mas o “rolo compressor” governamental teve um alto custo. Foram nomeados quatro diretores do Banco do Nordeste para atender a reivindicações do PP, do PR, do PSB e do PTB. A presidência do Porto de Santos teve que ser entregue a um apadrinhado de deputados do PSB. Entre segunda e quarta-feira o governo liberou R$ 68,8 milhões referentes ao orçamento de 2006 e R$ 37,9 milhões do orçamento deste ano – R$ 106,7 milhões, no total – para “pagar” os votos de que precisava.

(do Editorial do Estadão)

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