O último que sair…

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Uma ex-secretária da Receita Federal acusa uma ministra de Estado de interferência política. Acusação grave. O que faz o Brasil? Assiste à guerra de versões como a uma briga de comadres.

Os aliados do governo, seguindo o presidente da República, bradam que a agenda de Lina Vieira tem que provar o encontro com Dilma Rousseff. A oposição se pendura no xale que a ministra da Casa Civil estaria usando no dia. É uma piada.

Num país que não fosse um arremedo de novela das oito, a investigação de denúncia tão grave já teria saído do âmbito da fofoca, há muito tempo.

Onde está a Procuradoria da República? Há uma ministra com gabinete dentro do Palácio do Planalto sendo acusada, primeiro na imprensa, agora no Senado Federal, de se desviar de sua função para interferir em outro ministério, de conspirar contra uma investigação fiscal para favorecer um aliado político do governo, de mentir.

Mas o Brasil é uma novela. O presidente da República entra no assunto em tom de botequim, e ninguém acha estranho que o governo, se dizendo tão caluniado, não processe a caluniadora.

Do outro lado, vai ficar todo mundo torcendo para o “Jornal Nacional” aparecer com as imagens do circuito interno do Palácio? Ou para Lina acordar inspirada e se lembrar da cor do sapato que Dilma usava naquele dia?

É comovente ver os analistas políticos especulando se o caso vai esquentar ou esfriar, dependendo do que Renan Calheiros saiu dizendo no corredor, ou da repercussão do muxoxo de Romero Jucá. Como diria De Gaulle… Deixa pra lá.

No Ministério Público e na Justiça está todo mundo com os pés em cima da mesa e a televisão ligada, esperando o próximo capítulo. Abrir um inquérito? Não! O bate-boca e o suspense são muito mais emocionantes.

O último que sair, desligue a TV.

 

Guilherme Fiúza é escritor, cineasta e blogueiro

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