O mandato de Renan
Abrimos aspas para o nosso Carlos Chagas, publicado na Tribuna da Imprensa de hoje.
“Parece provável a condenação de Renan Calheiros, hoje, no Conselho de Ética do Senado. Seus integrantes opinarão, por maioria, que o senador quebrou o decoro parlamentar, não pela acusação sem provas de que uma empreiteira arcava com suas despesas pessoais, mas pelo conjunto da obra. Bois voadores, recibos pouco claros e mais o quê? De concreto, nada, porque a denúncia da compra de uma cervejaria em Maceió, por um de seus irmãos, continua inconclusa, assim como a aquisição de duas estações de rádio através de laranjas.
Fala-se de conjunto da obra pela falta de dados concretos capazes de condenar o senador. Claro que fatores políticos pesarão na decisão dos conselheiros, mas, convenhamos, no fundo de tudo repousa um sentimento superdimensionado de moralismo. O crime de Renan, que seus colegas não perdoam, foi ter caído nos braços de uma pistoleira. Acontecimento deplorável, mas restrito ao âmbito de sua família, que por sinal já o perdoou. Situação da qual não se livram muitos senadores, apenas mais cuidadosos do que seu presidente.
Sendo assim, vai a questão para o plenário do Senado, talvez dentro de uma semana. Lá, a tendência será pela preservação do mandato do representante das Alagoas, quer dizer, pela rejeição do pedido de cassação. O que a gente se pergunta é se tudo não poderia ter sido resolvido em muito menos tempo, não fossem os erros de Renan Calheiros em tentar justificar renda e patrimônio capazes de arcar com despesas pessoais.
Tivesse ficado quieto, esperando que seus acusadores provassem a origem da pensão paga à ágil modelo, e estaria livre do inferno astral que o envolve. Tão prejudicado quanto seu presidente encontra-se o Senado. Muito tempo decorrerá até que retorne, se retornar, a imagem vetusta da Câmara Alta.”
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