O embate, na verdade, é elite vs. elite
“…É desonesto tentar caracterizar o atual confronto oposição/governo como uma contenda da elite contra o povão. Nada mais é que elite x elite. É desonesto, por exemplo, apresentar Luiz Inácio Lula da Silva como líder metalúrgico. Faz um quarto de século que Lula deixou de sê-lo (mais, na verdade, porque, como presidente de sindicato, já não pegava no torno). Entrou para a elite. Ou alguém aí conhece outro ex-metalúrgico que tenha renda para comprar um apartamento parecido com o de Lula e, de quebra, ter sobra de dinheiro para investimentos financeiros como os declarados pelo presidente? Não, não é crítica a Lula. É elogio.
É bacana ver alguém ascender na vida por seus meios e sua luta. Mas usemos os rótulos adequados, não uma falsificação. Marta Suplicy, por acaso, é operária? Aloizio Mercadante é camponês? Ricardo Berzoni é sem-teto? Essa gente toda faz -sempre fez- parte da elite. Nos governos anteriores, era a contra-elite, assim como a oposição atual é a contra-elite do momento. Um governo em que as principais políticas econômicas são determinadas por um banqueiro como Henrique Meirelles é contra a elite? Francamente ridículo”.
Clóvis Rossi, jornalista
OPINIÃO: Mais uma vez Rossi acerta na mosca. Enquanto alguns colegas caem na defensiva tentando explicar o significado do vocábulo “elite” (eu próprio escorreguei nessa casca de banana) o texto acima é objetivo. Este esclarecimento acaba de uma vez por todas com a farsa “dos trabalhadores”. A pelegagem, com Lula, foi ao paraíso dos fundos de pensão, agências reguladoras, diretorias, assessoria, o diabo! E são piores do que a burguesia paulista, porque são “emergentes” e “emergente” é uma palavra vale por mil imagens… Alguém se julga mais “elite” do que um emergente? MIRANDA SÁ
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