Míriam Leitão comenta – Política na crise
A política e a economia vão juntar, nos próximos dois anos, uma crise econômica e uma eleição presidencial. Antes da eleição, ouvi o seguinte no Planalto: “Lula acha que só poderá dizer que foi bem-sucedido se fizer o sucessor, para isso é fundamental ganhar a eleição de São Paulo.” Lula perdeu essa primeira etapa e terá o que não esperava: problemas econômicos nos dois anos finais do seu governo.
A eleição municipal não tem nada a ver com a eleição presidencial. O eleitor brasileiro sempre fez questão de separar as coisas, mas a aposta do partido do governo era que a alta popularidade de Lula seria uma garantia de vitória. No primeiro turno, em vários episódios, ficou claro que não era bem assim; o segundo turno foi a prova dos nove. Também as ilações da oposição sobre vitoriosos — ou candidatos — de véspera são apressadas. Há várias razões que movem o eleitor nas suas escolhas, mas duas coisas são certas: Lula não é o midas que pensou que fosse; nem seu atual argumento, de que ninguém criticou o governo, faz qualquer sentido. A eleição não era federal.
Daqui para diante há várias dúvidas na esquina entre a economia e a política. A crise vai afetar o consumo, a renda, o emprego e o investimento, mesmo no melhor cenário, que é o de o país não ter recessão, mas apenas uma desaceleração. Como o país está crescendo 5% este ano, há um carry over para o ano seguinte, de tal forma que dois pontos percentuais do crescimento de 3% — mediana das previsões de mercado para 2009, segundo o Banco Central — serão apenas efeito estatístico, e não um ganho real. Não será um crescimento mesmo, aquele que produz a sensação de conforto econômico e que eleva o otimismo e a popularidade presidencial.
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