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Convenção Democrata

Faltou criticar Bush

A convenção democrata terminou seu primeiro dia sem criticar o mais impopular governo americano dos últimos tempos, o governo que arruinou a economia, abriu rombo nas contas públicas e atolou o país em duas guerras. Quem deu o primeiro sinal do que alguma coisa estava errada foi o velho marqueteiro de Bill Clinton. James Carville, autor da incrível frase que ficou para sempre como exemplo de acerto ( É a economia, estúpido!) comentou ontem que era, desta vez, a hora de atacar o governo Bush.

O primeiro dia da convenção teve emoção forte, o discurso de Ted Kennedy, velho defensor de idéias progressistas e que manteve suas convicções. O cabelo já está caindo em um dos lados, efeito da quimioterapia, mas a voz com que falou foi forte e convincente. Caroline Kennedy que o chamou fez um discurso óbvio e sem graça. Mostrou por que, apesar do nome, nunca quis concorrer na política. Não tem carisma.

Carisma Michelle Obama tem, mas fez um discurso previsível. A história dela e de Barack Obama e das dificuldades que as familias de ambos venceram. Bem no roteiro American Dream. Ela não errou, mas fez o que se esperava de uma candidata a primeira dama: falou bem do marido. Citou várias vezes que é filha de um trabalhador da indústria e que nasceu na periferia de Chicago.

Falou de Obama e das dificuldades que a mãe dele enfrentou para criá-lo sem o pai. Em nenhum momento exaltou a negritude. A cor da familia que os faz serem depositários da esperança de mudança não foi nem uma vez tratada. Nem para dizer que as divisões têm que ser superadas.

Michelle fez um discurso em que mostrou emoção e segurança, e em que demonstrou que sua única preocupação é não criar embaraços para o marido.

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